Transparência definirá confiança do investidor no Paraguai, diz Frontexa
Fundadora da consultoria especializada na instalação de empresas no país afirma que “solo fértil” para investimento continua, mas é preciso ter cautela após a quebra do Ueno Bank
Divulgação/Ueno Bank
Bruna Rossi
de Brasília
5.nov.2026 (quinta-feira) – 18h25
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A Frontexa, consultoria especializada na instalação de empresas no Paraguai, afirmou que a transparência das instituições paraguaias determinará a se a confiança do capital estrangeiro será preservada após a quebra do Ueno Bank. O banco era uma das principais instituições financeiras digitais do país e causou uma crise bancária no país.
“A resposta para a crise ainda está acontecendo e o que vai ser determinante é a transparência nesse processo. Em menos de 48 horas, porém, já houve reação, que foi a renúncia do presidente do Banco Central [do Paraguai] e do próprio presidente do país por causa da pressão da sociedade civil. Diferente do caso do Banco Master no Brasil, que já se arrasta há muitos meses”, disse Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, ao Poder360.
Suelen afirmou que ainda está tudo muito “nebuloso” quanto à crise, mas que o Paraguai tem uma trajetória robusta em captar investimento estrangeiro. Segundo ela, o país continua um “solo fértil” para investimento, mas é preciso ter cautela quanto à questão bancária depois do caso Ueno.
“Uma crise traz maior cautela porque o investidor precisa de previsibilidade”, declarou.
O Paraguai atraiu mais de 230 empresas brasileiras desde 2007 para atuar dentro da Lei de Maquila –uma norma legal que permite a companhias estrangeiras voltadas para a exportação produzirem no país vizinho pagando menos impostos. Tais companhias são conhecidas como maquiladoras. O movimento se acentuou nos últimos anos, pois mais facilidades foram criadas para atrair negócios de outros países.
A fundadora da Frontexa disse que até o momento nenhum cliente seu a procurou preocupado com a crise no Paraguai. De acordo com ela, porém, se alguma companhia a procurar, a principal preocupação seria ter o capital totalmente travado e não conseguir pagar fornecedores ou funcionários, além de não receber dinheiro.
De acordo com Suelen, a Frontexa nunca recomendou aos seus clientes o Ueno Bank e sim outras instituições brasileiras por já serem mais consolidadas no Brasil.
Entenda a crise no Paraguai
Santiago Peña (Partido Colorado, direita) anunciou nesta 5ª feira (5.nov.2026) em seu perfil do X a renúncia à Presidência do Paraguai depois da crise bancária com o colapso do Ueno Bank. Ele era acionista da instituição e foi alvo de pressão popular por suspeita de ter sido conivente com a quebra do banco.
Peña declarou que decidiu renunciar ao cargo para preservar a estabilidade do país e a paz social, e que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”.
A Câmara dos Deputados do país aprovou nesta 5ª feira (5.nov) o pedido de impeachment contra Peña, que renunciou na iminência da votação. O caso segue agora para avaliação do Senado.
A crise do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, levou o Banco Central do país a iniciar um procedimento de resolução da instituição e provocou a renúncia do presidente do órgão, Carlos Carvallo. A situação também deixou milhões de clientes sem acesso aos recursos depositados no banco e levou o Ministério Público a abrir uma investigação.
O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, ou seja, quase metade da população do Paraguai, que tem cerca de 7 milhões de habitantes.
Na 2ª feira (2.nov), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank. A medida foi tomada depois que o órgão constatou que o índice de solvência da instituição financeira havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
Segundo o BCP, a decisão foi resultado de meses de fiscalização. Em junho, a Superintendência de Bancos identificou créditos vinculados a empresas do grupo controlador da instituição e solicitou que as operações fossem adequadas aos limites estabelecidos pela legislação.
De acordo com um comunicado do Banco Central do Paraguai, a identificação dessas operações exigiu uma análise das condições financeiras dos empréstimos e do caminho percorrido pelos recursos. O órgão afirmou que os achados contribuíram para a deterioração dos indicadores de liquidez do Ueno Bank e para a necessidade de constituir provisões adicionais. Eis a íntegra da nota do BCP (PDF – 28 kB).
Com a abertura do procedimento de resolução, as operações da instituição foram suspensas, e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definem os mecanismos para a recuperação dos recursos. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, também renunciou.
O Ministério Público do país ordenou a abertura de uma investigação criminal e a detenção de 8 dirigentes e ex-dirigentes do Ueno Bank, incluindo o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Bruna Rossi.
