Esquerda resgata vídeo de Moro sobre pedido de Bolsonaro para livrar Flávio
Ex-ministro da Justiça criticou pedido de Bolsonaro sobre interferência em investigações sobre rachadinhas de Flávio
Sérgio Lima/Poder360 – 10.jun.2026
PODER360
21.out.2026 (quarta-feira) – 16h53
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O deputado federal e candidato não eleito ao Senado por Pernambuco, Túlio Gadelha (PSD), publicou na 2ª feira (19.out.2026) um vídeo do governador eleito pelo Paraná Sergio Moro (PL) afirmando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teria lhe pedido para “se não for ajudar, não atrapalhar” em relação às investigações de corrupção contra Flávio Bolsonaro (PL).
Ex-juiz responsável pela operação Lava Jato, Moro foi ministro da Justiça durante o governo Bolsonaro (2019-2022), pedindo demissão do cargo pouco mais de um ano depois de assumi-lo.
ENTENDA
Em janeiro de 2022, Moro concedeu uma entrevista ao “Flow Podcast” na qual contou sobre as interações com Bolsonaro durante seu período como ministro. Segundo Moro, Bolsonaro tinha medo de que investigações sobre corrupção “chegassem” até ele, chegando a intervir no Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
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🗣️O deputado federal e candidato derrotado ao Senado por Pernambuco, Túlio Gadelha (PSD), publicou na 2ª feira (19.out.2026) um vídeo do governador eleito pelo Paraná Sergio Moro (PL) declarando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) o avisou para “se não for ajudar, não atrapalhar” sobre investigações de corrupção contra Flávio Bolsonaro (PL).
Ex-juiz da operação Lava Jato, Moro foi ministro da Justiça durante o governo Bolsonaro (2019-2022), pedindo demissão do cargo só pouco mais de um ano depois de assumi-lo.
👇Assista ao vídeo:
— Poder360 (@Poder360) October 21, 2026
“[…] O pessoal não quer que se combata a corrupção. É aquele filme que nunca acaba. O presidente tem lá a investigação da família dele, a rachadinha, e tem medo de que ela chegue nele. A partir de um determinado momento do mandato, ele começou a agir para enfraquecer o combate à corrupção. […] O 1º elemento que revelou isso foi a questão do Coaf —o órgão de inteligência de combate à lavagem de dinheiro no Brasil. O Coaf estava no Ministério da Justiça, sob a minha alçada. Nós tínhamos melhorado o órgão e aumentado o número de servidores, algo demonstrado numericamente. Então, houve um movimento para tirar o Coaf do Ministério da Justiça e transferi-lo para o Ministério da Economia. Ou seja, o Coaf não podia ficar comigo”, afirmou.
O ex-ministro confirmou também que Bolsonaro lhe pediu para “não atrapalhar” caso “não fosse ajudar” a proteger Flávio de investigações sobre corrupção. Flávio Bolsonaro foi investigado por um suposto esquema de “rachadinha” (desvio de recursos públicos ocorrido durante seu mandato como deputado estadual na Alerj, entre 2007 e 2018).
As investigações ganharam força a partir de relatórios do Coaf de 2018, que identificaram movimentações financeiras atípicas e milionárias nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio apontado como o operador central do esquema encarregado de recolher e repassar os valores.
Em 2020, o senador chegou a ser denunciado por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. No entanto, o processo sofreu reveses jurídicos significativos nos anos seguintes. A liminar de maior impacto a beneficiar Flávio foi concedida em julho de 2019 pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli.
Atendendo a um pedido da defesa do senador, o ministro determinou a suspensão nacional de todas as investigações e processos no país que utilizassem relatórios com dados financeiros detalhados do Coaf, do Banco Central ou da Receita Federal sem autorização judicial prévia. Essa decisão paralisou a apuração das rachadinhas por cerca de 4 meses, até que o plenário do STF julgasse o tema em definitivo.
“Depois, houve uma liminar de um dos ministros do Supremo Tribunal Federal [Toffoli] que beneficiou o filho do presidente e parou a investigação contra ele. O problema é que essa liminar paralisava todas as investigações de lavagem de dinheiro no país. O presidente não queria que a gente mexesse nisso e me disse: ‘Moro, se você não vai ajudar, não atrapalhe’. Eu havia dito a ele: ‘presidente, eu entendo a investigação sobre o seu filho, mas para o país essa liminar é uma desgraça, pois para tudo’. Ele não queria que eu atuasse no Supremo contra a decisão. Eu não era advogado de ninguém para interferir no processo do filho dele, mas quando uma decisão judicial afeta todo o sistema, o Ministério da Justiça precisa atuar“, afirmou Moro.
MORO APOIA FLÁVIO
Apesar das declarações dadas por Moro em 2022, o ex-ministro segue filiado ao PL (partido de Flávio e de todos os integrantes da família Bolsonaro) e declarou apoio ao senador na corrida pelo Planalto em 2026.
O adversário de Flávio no 2º turno, marcado para 25 de outubro, é o atual presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado por Moro na Lava Jato em 2018 por corrupção e lavagem de dinheiro. As condenações foram retiradas posteriormente, em 2021.
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