Economista pede “mensagem concreta” do governo sobre contas públicas
João Machado, da S&P Global, avalia que país entrará em 2027 com mais fragilidades e juros limitados
Vinicius FIlgueira/Poder360 – 28.out.2026
PODER360
28.out.2026 (quarta-feira) – 17h04
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João Machado, economista sênior da S&P Global Market Intelligence, afirmou que o Brasil necessita de sinalizações mais concretas do governo sobre a sustentabilidade das contas públicas. A declaração foi feita nesta 4ª feira (28.out.2026), durante o Encontro Anual sobre Índices e ETFs no Brasil 2026, em São Paulo.
Segundo o economista, a situação fiscal será um dos principais desafios do próximo governo. “O mercado vai continuar acompanhando o que vai ser proposto a partir de agora e o que vai ser perseguido a partir do próximo ano. A gente precisa de uma mensagem um pouco mais concreta de como esses aspectos serão sanados, de como a gente pode criar uma trajetória mais sustentável, mais favorável para as contas públicas”, afirmou Machado.
Juros e ambiente externo
O Brasil chegou ao período de turbulência internacional com condições financeiras mais apertadas do que as de outros países emergentes. Para Machado, embora o Banco Central tenha encontrado margem para flexibilizar a política monetária, os novos riscos têm estreitado esse espaço progressivamente.
“A gente ainda vê uma margem para cima de flexibilização da taxa de juros, mas que vem sendo cada vez mais limitada”, afirmou.
O economista sintetizou o cenário internacional em 3 características: mais dividido, mais caro e mais incerto. Entre os fatores que explicam esse diagnóstico, o preço do petróleo ocupa posição de destaque nas projeções mensais da S&P. O barril esteve acima de US$ 100 desde setembro e chegou a cerca de US$ 120. A expectativa é de recuo para aproximadamente US$ 80, patamar que ainda representa uma mudança relevante em relação ao início do ano.
A alta do petróleo pressiona os preços de combustíveis e energia e pode contaminar outros componentes de formação de preços. Os efeitos climáticos associados ao El Niño devem adicionar pressão sobre os alimentos. Diante disso, a S&P revisou para cima suas projeções de inflação para 2026 e 2027.
Para descrever o dilema enfrentado pelos bancos centrais nesse contexto, Machado recorreu a uma comparação. “É como se os bancos centrais estivessem dirigindo sob neblina. Quando a gente dirige sob neblina, a gente diminui a velocidade, tem que entender um pouco melhor o caminho para tomar melhores decisões”, afirmou.
Fatores a monitorar
Para os próximos meses, o economista elencou um conjunto de variáveis a acompanhar. A evolução da agenda política brasileira, especialmente as propostas para as contas públicas e as medidas previstas pelo próximo governo a partir de 2027, figura entre as prioridades.
Machado também citou os riscos climáticos e seus possíveis impactos sobre os preços dos alimentos, a situação geopolítica no Oriente Médio e o nível dos juros soberanos de longo prazo na Europa e nos Estados Unidos.
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