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Lula deve aprovar embaixador indicado por Trump, mas quer isonomia

Lula deve aprovar embaixador indicado por Trump, mas quer isonomia

Pós-eleição abre caminho para governo conceder agrément a Daniel Perez, com cobrança de reciprocidade no caso de Maria Viotti

Lara Brito
de Brasília

27.out.2026 (terça-feira) – 16h07

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve conceder o agrément a Daniel Perez, indicado de Donald Trump (Partido Republicano) para a embaixada dos Estados Unidos em Brasília, se não surgir nenhum fato que o desabone. Não há data para a decisão. O Palácio do Planalto avalia que o tema pode voltar a andar após o 2º turno, encerrado no domingo (25.out.2026).

O agrément é a aceitação formal do país anfitrião ao nome de um embaixador. Sem ele, o diplomata não pode assumir o posto. O governo havia decidido não dar o aval a ninguém antes da eleição. Agora, o tema entra em análise.

Se o nome for aprovado, Perez virá ao Brasil e entregará as cartas credenciais ao presidente. A avaliação é que não haverá obstáculo.

Trump indicou Perez, ex-presidente da Câmara da Flórida e filiado ao Partido Republicano, em 1º de junho, antes de pedir o agrément ao Brasil. A ordem contraria a praxe diplomática.

O ponto sensível é a situação de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil em Washington. Em 4 de agosto, os EUA restringiram o visto de Viotti, em reação à demora brasileira quanto a Perez. Hoje, vale para uma única entrada. Se Viotti deixar os EUA, precisará de novo visto para voltar. Washington disse que só o restabeleceria com o aval ao indicado de Trump. O Senado americano aprovou o nome em 7 de agosto.

Quando o agrément for concedido, Perez terá de pedir visto no consulado brasileiro. O entendimento no governo é que o americano não pode receber tratamento melhor do que o dado à embaixadora.

Quem decide o tipo de visto é o Itamaraty. O ministério ainda não detalha como tratará o tema.

O governo nega que o agrément esteja condicionado à normalização da situação de Viotti. Diz que os passos até agora seguiram a reciprocidade estrita, princípio que a gestão Lula aplica a todos os países.

O governo vê a relação com os EUA como o maior desafio da política externa do 4º mandato de Lula. Pretende retomar a negociação comercial, incluindo tarifas.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Lara Brito.

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