InícioBrasilFuga de Flávio contou com estratégia de desinformação de aliados

Fuga de Flávio contou com estratégia de desinformação de aliados

A saída do Brasil do candidato derrotado ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL) foi acompanhada, ao longo de toda a terça-feira (27), de informações falsas sobre o paradeiro do senador.

Os dados foram repassados por pessoas ligadas à família Bolsonaro e por fontes ligadas ao governo de Donald Trump.

Enquanto aliados e interlocutores americanos afirmavam que Flávio já havia deixado o país e chegado aos Estados Unidos, o senador ainda estava em território brasileiro.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio só cruzou a fronteira às 22h50 de terça, pela Ponte Internacional Tancredo Neves, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Ele estava com a mulher, Fernanda, e as filhas, Carolina e Luiza.

Às 23h30, a família embarcou em um voo privado com destino declarado a Guayaquil, no Equador.

Nas horas anteriores, a CNN publicou, com base nessas fontes, informações que o registro oficial argentino agora desmente.

O que foi dito ao longo do dia

Pouco depois das 14 horas, aliados de Flávio afirmaram à CNN que o senador e a família haviam deixado o Brasil naquela terça.

No meio da tarde, duas fontes confirmaram à CNN que Flávio estava a caminho dos Estados Unidos.

Na mesma linha, uma autoridade americana disse à agência Reuters que o senador estava a caminho do país.

Às 17h39, fontes ligadas ao governo americano afirmaram à CNN que Flávio já havia chegado aos EUA com a mulher e as filhas.

Uma pessoa a par da situação também disse à CNN, ainda à tarde, que ele estava em solo americano.

À noite, um conselheiro de Trump disse à CNN que o presidente americano autorizou a entrada de Flávio. Segundo a fonte, autoridades americanas sabiam desde segunda-feira (26) que o senador tinha 24 horas para entregar os passaportes e lhe disseram que a entrada nos EUA seria permitida.

Pouco antes das 22 horas, aliados afirmaram à CNN que Flávio já havia se encontrado com o irmão, Eduardo Bolsonaro, na Flórida, e que planejavam uma entrevista para esta quarta-feira (28) para explicar a decisão de deixar o país.

Uma hora depois, segundo o governo argentino, Flávio estava passando pelo controle migratório na fronteira.

Informação falsa enquanto a PF procurava o senador

As versões circularam enquanto a Polícia Federal procurava Flávio.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), havia determinado no domingo (25) a entrega dos passaportes do senador e o proibido de deixar o país.

O prazo terminou às 11h de terça, e os documentos não foram entregues. A PF então cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio.

Com o senador dado como já fora do país e até já nos EUA, a atenção se voltou para a chegada dele em território americano. Mas Flávio ainda não tinha cruzado a fronteira.

O governo argentino também negou durante a terça que o senador tivesse entrado no país, versão que acabou revista pela própria Migrações na madrugada desta quarta.

Orientação para não sair

Na segunda-feira (26), em reunião com integrantes da campanha em um escritório de advocacia no Lago Sul, em Brasília, Flávio foi aconselhado por aliados a não deixar o país, segundo apurou a CNN.

Aliados moderados avaliavam que uma prisão logo após a eleição prejudicaria a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior e, por isso, não esperavam nenhuma medida contra ele.

No mesmo dia, em vídeo nas redes sociais, o senador afirmou ter sido intimado a entregar os passaportes e que também estava proibido de deixar o país.

Uma fonte brasileira próxima a Flávio disse à CNN que ele temia ser preso.

Destino final

Fontes ouvidas pela CNN mantêm que o objetivo final do senador são os Estados Unidos.

Dois funcionários do governo americano disseram à CNN que vistos estão sendo emitidos para ele e a família.

Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial da chegada da aeronave ao Equador nem do pouso em território americano.

Flávio é investigado em dois inquéritos da PF. Um apura o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, que teria recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O outro investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio nega irregularidades e diz manter apenas relação de amizade com Tomaz, que também contesta as suspeitas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por leticiamar.

Veja mais

ültimas