Flávio se corrige, muda título de presidente eleito para líder do Brasil
Em carta, senador substituiu trecho em que se declarava vencedor das eleições por afirmação de que é o “líder do Brasil”; mantém manifestação de fraude sem provas
Sérgio Lima/Poder360 – 19.mai.2026
Mariana Aquino
de Brasília
28.out.2026 (quarta-feira) – 19h27
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O senador Flávio Bolsonaro (PL) alterou nesta 4ª feira (28.out.2026) o manifesto em que se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Às 16h43, o jornalista Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro nos Estados Unidos, enviou a jornalistas a 1ª versão da carta de Flávio. Às 17h51, o senador divulgou em suas redes sociais uma outra versão, na qual passou a se identificar como o “líder do Brasil”.
- Leia a íntegra da 1ª versão, na qual diz ser o “verdadeiro presidente eleito do Brasil” (PDF – 962 kB).
- Leia a íntegra da mudança, na qual diz ser o “líder do Brasil” (PDF – 496 kB).
O trecho alterado aparece logo na abertura do documento. Primeiro, Flávio afirmava: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois, a frase foi substituída por: “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o líder do Brasil”.
O Poder360 comparou as versões e identificou outra alteração na 2ª página. O trecho em que o senador dizia “eu sou o presidente eleito” foi modificado para “eu sou o líder”.
Apesar das mudanças, Flávio manteve a alegação de que houve fraude no 2º turno das eleições, do qual saiu derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O senador não apresentou provas que sustentem sua versão.
O principal argumento usado pelo candidato derrotado é sobre a prorrogação do horário de votação no domingo (25.out.2026). A determinação partiu do ministro do STF Cristiano Zanin e estendeu o horário das 17h até as 19h por causa de problemas de transporte e chuvas.
Apesar de a decisão ter sido uma resposta ao pedido do PT, a própria campanha de Flávio Bolsonaro também pediu a extensão. Leia mais detalhes nesta reportagem. Depois das 17h, houve só 34.808 votos no 2º turno da eleição.
“BRAZIL”
Inicialmente, antes da mudança de “presidente eleito” para “líder”, foram compartilhadas duas versões por Paulo Figueiredo, ambas com o Brasão de Armas do Brasil:
- O documento enviado às 16h43 continha o Brasão escrito com a grafia “Brazil”, com “Z”, como usada na língua inglesa. A versão, que leva a frase “Estados Unidos do Brazil” é de 1889 e foi usada até 1931, quando o país passou a adotar oficialmente a grafia “Brasil” com “S”. Em 1968, a frase no Brasão foi trocada para “República Federativa do Brasil”. Leia a íntegra (PDF – 962 kB).
- Na 2ª versão, também enviada a jornalistas por Paulo Figueiredo, às 16h56, o Brasão foi mudado para a versão atual, com a frase “República Federativa do Brasil”. Leia a íntegra (PDF – 1 MB).
- A 3ª versão é aquela compartilhada por Flávio nas redes sociais, às 17h51, na qual não se apresenta mais como “presidente eleito” e sim como “líder”. Nela, é mantido o Brasão com a frase “República Federativa do Brasil”. Leia a íntegra (PDF – 496 kB).
FUGA PARA OS EUA
Flávio Bolsonaro, sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil na noite de 3ª feira (27.out). Cruzaram a fronteira com a Argentina e, de lá, seguiram para os Estados Unidos, com breve parada no Equador.
A mando de Moraes, a Polícia Federal intimou o senador a entregar seus passaportes, na 2ª feira (26.out). O pedido da PF a Moraes, que originou a intimação, foi feito só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial.
A vitória de Lula foi confirmada pelo TSE às 21h09 –no total, foram 64.256.232 votos (51,79%) do petista contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. A representação da PF foi assinada às 21h16. O magistrado avalizou no mesmo dia o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso aqui.
Segundo o senador, ele não saiu do país como fuga, mas como estratégia política, para evitar o que descreve como perseguição judicial. “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece”, declarou.
No comunicado, gradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), por acolhê-lo e afirma que deixou o Brasil por receio de medidas judiciais contra ele. Afrmou também que fará pronunciamentos regulares e apresentará, nos próximos dias, uma estratégia para mobilizar seus apoiadores.
Leia os highlights do comunicado de Flávio:
- saudação – “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”;
- Milei e Trump – elogia o argentino pela “coragem, senso de justiça e legalidade”, e afirma que o norte-americano é um “grande defensor da liberdade de expressão”;
- teoria da conspiração – usa uma tese imprecisa (leia mais aqui) para sugerir ser impossível uma virada de Lula;
- horário prorrogado – afirma que a decisão de estender a votação até 19h permitiu a Lula receber os votos necessários para vencer –no entanto, só 34.808 votos foram registrados das 17h às 19h;
- alvo de perseguição – “O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment”;
- nega fuga depois de fugir – “Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”;
- comparações com outras figuras públicas – no manifesto, Flávio se compara a Rui Barbosa, Floriano Peixoto, Charles de Gaulle, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina;
- ainda é o líder da oposição – “Sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Mariana Aquino.
