InícioBrasilCNA defende negociação da regionalização de embargos após caso de Newcastle

CNA defende negociação da regionalização de embargos após caso de Newcastle

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) defendeu a regionalização de embargos como método de contenção e amenização de impactos a cadeia produtiva e reforçou a confiança no sistema de defesa sanitária brasileiro após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina.

Em comunicado técnico divulgado nesta terça-feira (20), a entidade destacou que a identificação ocorreu durante uma investigação epidemiológica e defendeu a adoção de medidas para conter a doença e reduzir os impactos sobre as exportações de produtos avícolas.

O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou o caso em 18 de outubro, após análises de amostras coletadas na propriedade no fim de setembro. A investigação foi conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, e a confirmação laboratorial foi realizada pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo, reconhecido como referência pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal).

Desde a suspeita, a granja está interditada, com a movimentação de animais suspensa. Após a confirmação, as aves serão sacrificadas, e as instalações e os equipamentos passarão por procedimentos de limpeza e desinfecção.

Em 19 de outubro, o Ministério da Agricultura também publicou a Portaria nº 962/2026, que declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim, em Santa Catarina.

Exportações de carne de aves

A ocorrência pode afetar o comércio internacional de produtos avícolas brasileiros. Segundo a CNA, o Brasil suspendeu preventivamente as exportações de carne de aves e seus produtos, em um mecanismo de autoembargo previsto nos requisitos sanitários internacionais.

As restrições variam conforme os acordos entre o Brasil e os países importadores. As suspensões podem abranger todo o território nacional, limitar-se ao estado onde o foco foi identificado ou atingir uma área delimitada ao redor da propriedade afetada.

A entidade afirma que o objetivo é demonstrar que o caso é isolado e negociar com os mercados compradores a adoção da regionalização das restrições, para minimizar os efeitos sobre os embarques brasileiros.

Santa Catarina tem peso relevante no comércio exterior do setor. Em 2025, o estado exportou 29,5 mil toneladas de carne de peru, o equivalente a 44,8% do volume total embarcado pelo Brasil. Na carne de frango, ocupou a segunda posição entre os estados exportadores, com 1,20 milhão de toneladas, ou 23,3% do total nacional.

A receita catarinense com as exportações de carne de aves somou US$ 2,1 bilhões em 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) citados no comunicado.

Vigilância sanitária

A CNA destacou que a identificação do foco por meio da vigilância ativa reforça a capacidade de detecção precoce de doenças em aves domésticas e silvestres.

Foram realizadas 324 investigações de suspeitas de síndrome respiratória desde o início de 2026, tendo como alvos a influenza aviária de alta patogenicidade e a doença de Newcastle. Desde 2022, o número acumulado chegou a 5.444 investigações.

As autoridades sanitárias acompanharão o caso durante o período de incubação da doença, de 21 dias. Caso não sejam identificados novos focos, o Brasil poderá recuperar o status de país livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras da OMSA.

Os últimos registros brasileiros citados pela CNA ocorreram em 2006, em aves de subsistência no Amazonas, em Mato Grosso e no Rio Grande do Sul, e em 2024, em uma granja comercial de frangos de corte no Rio Grande do Sul.

Consumo e prevenção

A doença de Newcastle é causada pelo paramixovírus aviário sorotipo 1 e pode afetar diferentes espécies de aves. Entre os sinais clínicos estão sintomas respiratórios, inchaço da cabeça e da face, fraqueza, alterações neurológicas e mortalidade elevada.

Embora seja uma zoonose, a infecção pode causar conjuntivite transitória em humanos. A CNA ressalta, porém, que o consumo de carne, ovos e outros produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial continua seguro e sem contraindicações.

A entidade também orienta os produtores a reforçar as medidas de biosseguridade nas granjas, com controle de visitantes, uso de roupas e calçados exclusivos, limpeza e desinfecção de instalações, equipamentos e veículos, manutenção das telas dos aviários e controle de pragas.

Suspeitas que envolvam sinais respiratórios ou neurológicos, assim como mortalidade elevada e súbita, devem ser comunicadas imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial.

A CNA afirmou que o episódio é uma questão de sanidade animal e reiterou a confiança nas autoridades sanitárias, além de destacar o compromisso dos produtores rurais e da agroindústria com a biosseguridade.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Kaique Cangirana.

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