Lula diz que o povo acordou no 2º turno para evitar “abismo”
Em reunião sobre minerais críticos, presidente diz que vê Brasil como exemplo após eleição e contrapõe seu projeto ao de Flávio Bolsonaro
Sérgio Lima/Poder360 – O5.Nov.2026
Lara Brito
de Brasília
5.nov.2026 (quinta-feira) – 20h30
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 5ª feira (5.nov.2026) que o eleitor “acordou” para não deixar o país cair em um “abismo de incerteza” no 2º turno da eleição presidencial. Disse que “o Brasil saiu dessa eleição como um exemplo”. A declaração foi feita na 1ª reunião do Cimce (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), no Palácio do Planalto.
Lula disse que a vitória não foi de um partido nem de um candidato. “Quem ganhou foi o povo brasileiro”, declarou.
O petista comparou a noite de 4 de outubro, data do 1º turno, com a de 25 de outubro, dia do 2º turno. Disse que, na 1ª data, o país foi dormir “com a perspectiva de vitória de um projeto de país”. Na 2ª, foi dormir com “outro projeto de país eleito nas urnas”.
Lula não citou nomes nesse trecho. O adversário no 2º turno foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que fugiu depois do resultado.
O presidente ligou o resultado das urnas ao tema da reunião. Disse que o projeto do conselho é “um instante de muita seriedade” e que o Brasil deve explorar os minerais em benefício do povo.
Também afirmou que o país “não precisa dever nada a ninguém”. Disse que, em 4 anos, haverá “muita surpresa” na área por causa do colegiado.
Mobilização
O presidente afirmou que a eleição mostrou a importância dos processos democráticos. Lembrou dos jovens que foram às ruas e dos eleitores com mais de 70 anos que votaram com dificuldade.
Citou pessoas que, segundo ele, votaram deitadas em macas. Para Lula, o gesto foi “a defesa da dignidade, da soberania” do país.
Ele disse que o Brasil teve, muitas vezes, uma elite política com “comportamento de vira-lata”, que se submetia “a tudo e a todos sem questionar”.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, falou em “recondução” de Lula. Disse que, em outro momento político, o governo faria “exatamente o contrário” do que faz.
MINERAIS ESTRATÉGICOS
Na reunião, o conselho aprovou uma lista de 27 minerais críticos e estratégicos, divididos em 3 classes de prioridade. Entre eles estão terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício, urânio, nióbio e ferro.
O urânio e o tório terão tratamento diferenciado por estarem relacionados à atividade nuclear, que é monopólio da União.
A principal diretriz é deixar de exportar minerais brutos e importar produtos industrializados, desenvolvendo a cadeia produtiva no Brasil. O governo pretende usar a lista aprovada como base para elaborar o Plano Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, além de definir mecanismos de financiamento e incentivo ao setor.
Regras em aberto
O governo não definiu como será a triagem de operações societárias. Não há piso de valor para a análise nem prazo para o conselho decidir.
O tema deve voltar à pauta na 2ª reunião, a partir de 20 de novembro, e as regras serão publicadas em decreto presidencial. O governo disse que vai estudar modelos de Canadá e Austrália, onde nem todos os negócios passam por análise.
Sobre a venda da Serra Verde, aprovada antes da lei, e projetos de empresas nacionais como o de cobre da Vale, o governo disse que “não tem nada fechado”.
Estavam presentes na reunião:
- Luiz Inácio Lula da Silva (presidente da República);
- Geraldo Alckmin (vice-presidente da República);
- Miriam Belchior (ministra da Casa Civil);
- Maria Laura da Rocha (ministra substituta das Relações Exteriores);
- Dario Durigan (ministro da Fazenda);
- André de Paula (ministro da Agricultura e Pecuária);
- Márcio Elias Rosa (ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços);
- Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia);
- Bruno Moretti (ministro do Planejamento e Orçamento);
- Esther Dweck (ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos);
- Luciana Santos (ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação);
- João Paulo Capobianco (ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima);
- Josué Rocha (ministro substituto da Secretaria-Geral da Presidência da República);
- Marcos Antonio Amaro (ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República);
- Celso Amorim (assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente da República);
- Marcelo Kanitz Damasceno (comandante da Aeronáutica);
- Eracy Lafuente Maciel (secretário da Casa Civil do Governo da Bahia, representante dos Estados e do Distrito Federal);
- Marco Antônio Lage (prefeito de Itabira, representante dos Municípios);
- Júlio Cesar Nery (diretor de Assuntos Minerários e Sustentabilidade do Instituto Brasileiro de Mineração, representante do setor privado);
- Havilá da Nóbrega Oliveira (superintendente de Relacionamento com o Poder Executivo da Confederação Nacional da Indústria, representante do setor privado);
- Alexandre Magno da Rocha (professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, representante de instituições de ensino superior);
- Fernando José Gomes Landgraf (professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, representante de instituições de ensino superior).
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