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Fumaça de queimadas no Amazonas atinge Porto Velho e coloca saúde da população em alerta

Qualidade do ar na capital chegou a 120 pontos, nível prejudicial para grupos sensíveis; crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os mais vulneráveis aos efeitos da poluição

Porto Velho, Rondônia – A fumaça provocada por queimadas no Amazonas voltou a comprometer a qualidade do ar em Porto Velho, aumentando os riscos à saúde da população. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura nos dias 13 e 14 de outubro, o Índice de Qualidade do Ar (IQA) atingiu 120 pontos, classificação considerada prejudicial para grupos sensíveis, especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

O cenário é resultado do transporte de fumaça pelos ventos que atuam na região amazônica. Conforme informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgadas pela administração municipal, as correntes de ar carregam poluentes provenientes dos incêndios no Amazonas até Rondônia, contribuindo para a formação de uma camada de fumaça sobre a capital.

A situação é agravada pelo período de estiagem, pelas temperaturas elevadas e pela baixa umidade, condições que podem intensificar o desconforto respiratório e exigir cuidados adicionais da população.

QUALIDADE DO AR ATINGE NÍVEL PREJUDICIAL À SAÚDE

O índice de 120 pontos foi registrado pela plataforma internacional IQAir e divulgado pela Prefeitura de Porto Velho em 13 de outubro.

Na escala utilizada pela plataforma, os valores entre 101 e 150 indicam qualidade do ar prejudicial para grupos sensíveis. Nessa condição, pessoas com maior vulnerabilidade podem apresentar efeitos à saúde mesmo durante exposições relativamente curtas, sobretudo ao realizar atividades físicas ao ar livre.

O registro de 120 pontos corresponde à medição informada naquela data e não significa que o índice permaneça no mesmo patamar. A concentração de poluentes pode variar conforme a intensidade das queimadas, a direção dos ventos e as condições meteorológicas.

O problema não se limita à redução da visibilidade ou ao cheiro característico de fumaça. A poluição decorrente das queimadas contém partículas microscópicas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório, provocando inflamações e agravando doenças preexistentes.

O QUE A FUMAÇA DAS QUEIMADAS PODE CAUSAR À SAÚDE?

A exposição à fumaça pode provocar sintomas imediatos e também contribuir para complicações em pessoas que já possuem problemas respiratórios ou cardiovasculares.

Entre os efeitos mais comuns estão irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse seca, rouquidão, dor de cabeça, chiado no peito e dificuldade para respirar.

Um dos principais riscos está associado ao material particulado fino, conhecido como PM2,5, formado por partículas com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por serem extremamente pequenas, essas partículas conseguem alcançar regiões profundas dos pulmões. Parte de seus componentes pode desencadear respostas inflamatórias no organismo, com possíveis repercussões cardiovasculares.

De acordo com orientações do Ministério da Saúde, a exposição à fumaça de queimadas pode agravar crises de asma, bronquite e outras doenças pulmonares, além de aumentar os riscos de complicações cardíacas, especialmente entre pessoas vulneráveis.

CRIANÇAS, IDOSOS E GESTANTES PRECISAM DE ATENÇÃO REDOBRADA

Embora a poluição atmosférica afete toda a população, determinados grupos apresentam maior risco de complicações.

Crianças pequenas possuem o sistema respiratório ainda em desenvolvimento e respiram proporcionalmente mais ar em relação ao peso corporal. Já os idosos podem apresentar maior vulnerabilidade em razão de alterações naturais do envelhecimento e da presença de doenças crônicas.

Gestantes e pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), bronquite ou problemas cardiovasculares também precisam reforçar os cuidados.

A Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) orienta que as famílias observem alterações na respiração, principalmente entre pessoas que já fazem acompanhamento médico.

Sintomas como falta de ar, chiado no peito, tosse persistente ou piora de condições respiratórias existentes exigem avaliação por profissionais de saúde.

COMO SE PROTEGER DA FUMAÇA DAS QUEIMADAS?

A Prefeitura de Porto Velho e o Ministério da Saúde recomendam medidas preventivas para diminuir a exposição aos poluentes e reduzir os riscos de complicações respiratórias.

Entre os principais cuidados estão:

  • Beber água regularmente: a hidratação ajuda a amenizar o desconforto provocado pelo ar seco.

  • Evitar exercícios ao ar livre: corridas, caminhadas intensas e outras atividades físicas aumentam a quantidade de poluentes inalados.

  • Reduzir a exposição à fumaça: permanecer preferencialmente em ambientes internos, sobretudo nos períodos de pior qualidade do ar.

  • Manter portas e janelas fechadas: quando houver fumaça intensa no ambiente externo, a medida pode diminuir a entrada de partículas.

  • Utilizar máscaras PFF2 ou N95: quando bem ajustadas, podem reduzir a inalação de partículas finas, especialmente em deslocamentos inevitáveis.

  • Manter os medicamentos prescritos disponíveis: pessoas com doenças respiratórias crônicas devem seguir o tratamento orientado por seus médicos.

  • Não realizar queimadas domésticas: a queima de lixo, folhas e outros materiais contribui para piorar a poluição atmosférica.

Toalhas úmidas podem amenizar o desconforto causado pela baixa umidade, mas não funcionam como filtros capazes de eliminar as partículas de fumaça do ambiente.

AMAZONAS REGISTRA AUMENTO EXPRESSIVO DOS INCÊNDIOS

A situação enfrentada por Porto Velho está relacionada ao avanço das queimadas no Amazonas.

Segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), divulgados pela Prefeitura, o estado registrou 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, crescimento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025.

A fumaça produzida pelos incêndios pode percorrer grandes distâncias, atingindo municípios que não apresentam necessariamente a mesma intensidade de queimadas.

Imagens de satélite analisadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram a dispersão da fumaça pelo território amazônico, alcançando áreas de Rondônia.

O fenômeno demonstra que os efeitos ambientais e sanitários das queimadas ultrapassam os limites municipais e estaduais.

PORTO VELHO REGISTRA REDUÇÃO DE 32,8% NOS FOCOS DE INCÊNDIO

Apesar da piora na qualidade do ar, a Prefeitura informou uma redução dos focos de incêndio registrados no município.

De janeiro ao início de outubro de 2025, foram contabilizados 1.013 focos. No mesmo período de 2026, o número caiu para 680.

Porto Velho registra redução de 32,8% nos focos de incêndio em 2026. (Alô Rondônia/Dados: Prefeitura de Porto Velho)
−32,8% na comparação entre os períodos

Mesmo com a diminuição dos focos locais, o município continua sujeito à poluição transportada de outras regiões, especialmente durante períodos de seca e de condições atmosféricas desfavoráveis à dispersão dos poluentes.

A administração municipal também informou ter adotado medidas de fiscalização, prevenção e combate aos incêndios, além de ações de conscientização da população.

QUANDO PROCURAR ATENDIMENTO MÉDICO?

Moradores que apresentarem irritação persistente, tosse frequente ou agravamento de problemas respiratórios devem procurar orientação médica.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, sintomas leves podem ser avaliados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Entretanto, situações de falta de ar intensa, dificuldade grave para respirar, alteração do nível de consciência ou dor forte no peito exigem atendimento de urgência.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo número 192.

A orientação é evitar a automedicação e não interromper tratamentos respiratórios ou cardiovasculares já prescritos.

POPULAÇÃO PODE DENUNCIAR QUEIMADAS

Além dos cuidados individuais, a participação dos moradores é importante para evitar o surgimento de novos focos de incêndio na capital.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) recebe denúncias relacionadas a queimadas, descarte inadequado de resíduos e outras práticas que possam provocar incêndios.

Canal de denúncias da Sema

(69) 98423-4092

Atendimento também presencial na Rua General Osório, nº 81, Centro de Porto Velho, das 8h às 14h.

Informações divulgadas pela Prefeitura em 13 de outubro de 2026.

MONITORAMENTO É ESSENCIAL DURANTE O PERÍODO DE QUEIMADAS

O avanço da fumaça sobre Porto Velho reforça a importância do acompanhamento da qualidade do ar e da divulgação de informações atualizadas à população.

A concentração de poluentes pode mudar ao longo do dia, de acordo com a direção dos ventos, a ocorrência de chuvas e a intensidade dos incêndios em outras regiões.

Enquanto persistirem episódios de fumaça, a orientação é reduzir a exposição, observar possíveis sintomas respiratórios e acompanhar os comunicados dos órgãos ambientais e de saúde.

A prevenção é especialmente importante para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, que podem apresentar complicações mesmo quando a poluição não é tão visível.

Fontes: Prefeitura de Porto Velho – Sema; Prefeitura de Porto Velho – Saúde; Ministério da Saúde.

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