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Juros longos sobem após decisão do Copom e de olho em política fiscal

Os juros mais longos têm viés de alta em sua maioria nesta quinta-feira (5) um dia depois de o Copom (Comitê de Política Monetária) ter mantido a taxa Selic em 13,75%, sem sinalizar seus próximos passos.

Prevendo inflação mais alta nos próximos anos, o BC deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária.

Pela manhã, a taxa de depósito interfinanceiro para janeiro de 2028 cedia para 14,385%, de 14,420% no ajuste anterior. Já o DI (depósito interfinanceiro) para janeiro de 2029 subia para 14,855%, de 14,785%, e o para janeiro de 2031 cedia para 15,130%, de 14,975% ontem no ajuste.

“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, disse o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado.

O BC ressaltou que seguirá acompanhando a evolução do cenário “para manter a restrição adequada” com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta. A decisão pela manutenção da taxa em 13,75%, após cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, foi definida de maneira unânime pela diretoria da autarquia.

Para os analistas do Citi, a comunicação do BC aumenta o grau de liberdade do Comitê, o que, segundo o banco, parece apropriado diante do atual cenário de alta incerteza.

“Ao reafirmar que a política monetária está atualmente ‘substancialmente contracionista’, o Copom indicou que há alguma margem antes de iniciar um possível ciclo de alta de juros, conforme atualmente precificado pelos mercados”, disse o Citi em relatório.

O Citi prevê que o Copom mantenha as taxas inalteradas nas próximas reuniões.

O Itaú BBA também espera estabilidade na Selic nas próximas reuniões.

“O comunicado reforça as incertezas e um quadro desafiador para a política monetária, com inflação mais elevada e atividade em desaceleração. O tom foi um pouco menos duro do que esperávamos, principalmente por dois elementos: a caracterização dos juros como ‘substancialmente contracionistas’ e a descrição de uma desaceleração mais acentuada da atividade”, disse o Itaú BBA em relatório.

Mais cedo, ao ser perguntado sobre a decisão do Copom, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não faria “comentários valorativos” sobre a decisão, mas disse que a taxa de juros no Brasil é alta e que isso prejudica todos os setores da economia.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries operavam estáveis, após a forte queda da véspera diante da vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos.

*Com informações da Agência Estado e Reuters


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por manuelasilva.

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