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Veja os democratas que despontam na disputa à Presidência dos EUA em 2028

Com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos colocando em evidência novos e velhos nomes do Partido Democrata, as atenções já se voltam para a disputa presidencial de 2028.

O analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna explicou durante o CNN Prime Time um panorama das principais figuras que podem liderar a oposição nos próximos anos.

A multiplicidade de perfis — que vai de nomes moderados com experiência militar a figuras mais à esquerda do espectro político — revela um partido ainda marcado por divisões ideológicas profundas, segundo Sant’Anna.

Os nomes mais conhecidos

Kamala Harris é apontada como a figura com maior reconhecimento público.

“A Kamala Harris é quem tem o maior recall, porque foi vice-presidente de Joe Biden, foi candidata a presidente, é da Califórnia, foi senadora, foi procuradora geral e é a mais conhecida para bem e para mal do povo americano”, afirmou Sant’Anna.

Apesar de a tradição americana indicar que candidatos derrotados raramente tentam novamente, o analista ressaltou que Harris poderia sim concorrer outra vez.

Gavin Newsom, pelo fato de governar o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos, também acumula grande visibilidade.

No entanto, Sant’Anna destacou que problemas como falta de moradia, moradores de rua e alta criminalidade na Califórnia o tornam
“um alvo fácil dos republicanos”.

Pete Buttigieg ficou conhecido nas primárias de 2020, quando chegou a vencer em New Hampshire antes de perder para ex-presidente Joe Biden 

O analista o descreveu como pragmático na economia, com preocupações tanto com questões de costumes quanto com infraestrutura.

Buttigieg e foi o primeiro pré-candidato abertamente gay nos Estados Unidos.

Perfis militares e governadores em ascensão

Mark Kelly é apresentado como uma figura de perfil um pouco mais conservador dentro do partido. Piloto militar da Marinha americana, atuou na Guerra do Golfo em 1991 e foi astronauta. Segundo Sant’Anna, sua trajetória pode trazer peso com a experiência militar e ajudar a contrabalançar nas disputas com os republicanos.

Wes Moore, recém-reeleito governador de Maryland, é também ex-militar e se tornará um dos três governadores negros dos Estados Unidos. Sant’Anna o descreveu como alguém com “um perfil um pouco mais conservador com experiência militar”.

Josh Shapiro, governador da Pensilvânia, ganhou destaque após o estado se tornar um chamado “trifecta” democrata — com o partido controlando a Assembleia Legislativa, o Senado Estadual e o governo.

Para Sant’Anna, isso abre caminho para garantias de direitos civis, como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e direitos das minorias, em um estado historicamente simbólico.

Vozes à esquerda e o bilionário do partido

Alexandria Ocasio-Cortez, conhecida como AOC, é deputada federal pelo Bronx e uma das figuras mais à esquerda do partido. Ligada ao senador independente Bernie Sanders, ela defende pautas consideradas radicais nos Estados Unidos, como saúde pública e educação superior pública para todos. De origem porto-riquenha, AOC representa uma ala que pressiona o partido em direção a propostas mais progressistas.

Jon Ossoff é um nome em ascensão na Geórgia. Reeleito senador, ele ganhou notoriedade em 2020 ao conquistar uma cadeira no Senado do estado que, segundo Sant’Anna, “estava antes firmemente nas mãos dos republicanos”.

O analista o descreveu como jovem, carismático e com uma retórica bastante incisiva.

Por fim, JB Pritzker, herdeiro do grupo Hyatt e bilionário, está em seu segundo mandato como governador de Illinois.

É notabilizado, nas palavras de Sant’Anna, por uma “retórica extremamente violenta contra o Trump”, afirmando que Trump é “um péssimo empresário e um péssimo gestor”.

Pritzker chegou a se colocar como postulante quando Joe Biden renunciou à candidatura, mas Kamala Harris acabou prevalecendo.

Divisões que vão drenar energia do partido

Para Sant’Anna, a diversidade de perfis reflete um partido profundamente dividido.

“Isso vai drenar muita energia do partido nos próximos anos”, avaliou.

“Não é à toa que existem tantos nomes, porque a coisa está muito difusa e as divisões ideológicas são fortíssimas.”

O analista acrescentou que, à medida que o partido conquista mais poder, as divisões tendem a se aprofundar, tornando os próximos dois anos um período decisivo para a definição dos rumos do Partido Democrata.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites.

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