InícioPolíticaMarco da Economia Digital garantirá recursos de longo prazo para tecnologia, dizem...

Marco da Economia Digital garantirá recursos de longo prazo para tecnologia, dizem especialistas

Economia

Marco da Economia Digital garantirá recursos de longo prazo para tecnologia, dizem especialistas

Proposta cria a Rede de Institutos de Ciência e Tecnologia para a Economia Digital, entre outras inovações

Da Agência Câmara – 04/11/2026 – 14:54

Audiência debateu projeto de lei que pretende regular a economia digital – Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

Especialistas e representantes do governo defenderam nesta quarta-feira (4) a aprovação do Projeto de Lei 5960/2025, que institui o Marco de Fomento à Economia Digital no Brasil. Em audiência na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, eles destacaram que a proposta garante segurança jurídica, previsibilidade de investimento e fomento à inovação sem impor barreiras ao mercado.

A presidente da Associação de Empresas de Desenvolvimento Tecnológico Nacional e Inovação (P&D Brasil), Rosilda Prates, sustentou a necessidade de estabilidade regulatória de longo prazo e ressaltou que o apoio estatal é vital para a competitividade digital do país.

Para a executiva, o projeto em análise na Câmara acerta ao destinar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para financiar infraestrutura, P&D (pesquisa e desenvolvimento) e a futura rede de testes (Insoed). Ela acredita que a previsibilidade e a continuidade das políticas públicas são fundamentais para que o empresário decida aplicar recursos, financiar, produzir e inovar no país.

“Soberania tecnológica não significa fechar o país. Significa ter capacidade de tomada de decisão, defender a transferência tecnológica e investir na formação de capital humano. Se o governo não oferecer instrumentos de subvenção e crédito qualificado, o capital privado não optará por arriscar em inovação em vez de buscar rentabilidade no mercado financeiro”, apontou Prates.

Investimentos

Ela acrescentou que as empresas associadas à P&D Brasil investem R$ 3,5 bilhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, alcançando uma média de 2,8% do faturamento aplicado na área — índice superior à média nacional de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O autor do projeto de lei, deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), defendeu o uso estratégico das compras públicas como indutor da inovação nacional.

“O Estado pode ser o primeiro cliente da inovação. Muitas startups têm um protótipo que funciona, mas enfrentam dificuldades na primeira venda por ser um produto considerado arriscado. Quando o governo adquire a solução, a empresa ganha receita, ganha respaldo e consolida um caso real para conquistar novos mercados”, afirmou o deputado, que solicitou a audiência.

Dados públicos

A coordenadora-geral da Diretoria de Infraestrutura Nacional de Dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Márcia Cardador, defendeu que o texto proíba de forma ainda mais expressa a comercialização lucrativa de informações estatais. “Não é a intenção que a economia suba pela venda de dados públicos. A intenção é que eles sejam utilizados para alavancar novos negócios ou novas atividades econômicas”, concluiu.

Já o coordenador-geral no Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), José Cerezoli, defendeu que o novo marco garanta inclusão digital e tratamento diferenciado aos pequenos negócios.

“Hoje fala-se muito em tecnologias sofisticadas e inteligência artificial, mas muitos microempresários ainda precisam do letramento digital básico. O governo tem o dever de assegurar que as pequenas empresas não fiquem à margem da transformação digital e consigam acessar os benefícios dessa nova economia”, concluiu Cerezoli.

Ele observou que o país conta com mais de 25,8 milhões de empresas ativas, sendo 13,8 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) e 10,4 milhões de micro e pequenas empresas.

Rede de testes

Prevista pelo projeto, a Rede de Institutos de Ciência e Tecnologia para a Economia Digital (Insoed) funcionará como uma estrutura articulada de laboratórios públicos e privados para testar, certificar e criar padrões técnicos para inteligência artificial e infraestrutura digital.

O pesquisador do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Charles Bezerra do Prado, destacou a atuação da autarquia na coordenação da futura rede.

“A nossa atuação na Insoed visa decodificar normas internacionais em referências técnicas concretas para que a inovação desenvolvida por uma pequena empresa brasileira tenha entrada garantida no mercado europeu ou global”, explicou Prado.

Testagem de IA

O advogado do Centro de Estudos em Governança de IA (CEGIA), Thiago Marcílio, alertou para a urgência de o Brasil estruturar ambientes de testagem de inteligência artificial em língua portuguesa, acompanhando iniciativas já adotadas em países como Reino Unido, Estados Unidos, França, Coreia do Sul e Japão.

“A IA de fronteira acelerou a escala e a complexidade de incidentes cibernéticos. O Brasil precisa criar capacidade técnica interna para avaliar riscos e limites dessas ferramentas antes de sua adoção massiva, atuando em um modelo voluntário e colaborativo com o setor privado, sem criar amarras regulatórias rígidas”, sugeriu Marcílio.

<!–

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra

–>


Conteúdo reproduzido originalmente em: Câmara dos Deputados por Câmara dos Deputados.

Veja mais

ültimas