Gilmar critica condução do TSE e diz que colegiado garantiu eleições
“Institucionalidade não deveria precisar ser resgatada a cada eleição”, disse o ministro do STF no X
Victor Piemonte/STF – 22.out.2026
PODER360
3.nov.2026 (terça-feira) – 4h55
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O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, usou seu perfil no X na noite de 2ª feira (2.nov.2026) para criticar a condução do Tribunal Superior Eleitoral durante as eleições de 2026. O magistrado disse que as instituições de Estado são maiores do que os integrantes que as ocupam e que a institucionalidade não deveria precisar ser resgatada a cada eleição.
“De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, declarou Gilmar, sem citar o nome do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE. “Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros”, afirmou.
Para Gilmar, a ausência de manifestações pode “abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável”.
O ministro do STF afirmou que foi o colegiado do TSE que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. “Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, disse.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), determinou em 25 de outubro, dia do 2º turno das eleições, a prorrogação da votação até as 19h em todos os Estados do Brasil. Atendeu a um pedido da coligação do petista, que havia acionado o TSE antes de recorrer ao Supremo.
A decisão de Zanin atropelou o TSE, que é quem deveria decidir por atender ou não aos pedidos das campanhas. Nunes Marques se posicionou após a decisão de Zanin. O ministro orientou que as seções eleitorais que estivessem abertas deveriam permanecer “em funcionamento até as 19h (horário de Brasília), em estrito cumprimento à determinação judicial”.
Em 28 de outubro, depois de o senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugir do país e publicar uma carta em que alegava ser “líder do Brasil”, Nunes Marques disse em nota que o eleitorado brasileiro “foi às urnas e legitimamente escolheu seus representantes”. Afirmou que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais”.
Em referência à decisão do STF de estender a votação por duas horas, o presidente do TSE declarou: “Mesmo diante da instabilidade na reta final de votação, graças às medidas adotadas e à competência dos técnicos do Tribunal, foi possível avançar com a apuração e entregar um pleito com segurança”.
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