As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que colocam em disputa o controle do Congresso americano, podem ter impactos diretos sobre a relação entre os EUA e o Brasil.
É o que avalia o analista de Internacional da CNN Lourival Sant’Anna que traçou, ao CNN Prime Time, um cenário de possível aumento de pressão sobre o governo brasileiro.
Segundo Sant’Anna, caso os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Representantes — e possivelmente no Senado —, o presidente americano, Donald Trump ficará ainda mais acuado politicamente.
“O Donald Trump ficará na defensiva, ainda mais será acuado pelos democratas, com maioria na Câmara e possivelmente no Senado”, afirmou o analista.
Trump e as ações unilaterais
Ao longo dos dois anos em que o Congresso foi dominado pelos republicanos, Trump já demonstrou tendência a ignorar o Legislativo e adotar medidas de forma unilateral.
Entre essas ações, o analista destacou questões como tarifas, imigração, a guerra contra o Irã, ações na Venezuela e operações contra embarcações no Caribe e no Oceano Pacífico.
Com investigações que devem ser lançadas por um Congresso sob controle democrata, a principal carta jogada por Trump para justificar ações unilaterais tem sido a alegação de ameaça à segurança nacional.
Brasil como possível alvo de pressão
Nesse contexto, Sant’Anna delineou um cenário preocupante para o Brasil.
“Eu tenho desenhado um cenário no qual o Brasil de Lula, que não aceita a designação das organizações narcoterroristas, que não entrou para o Escudo das Américas, pode se tornar alvo de uma pressão maior do governo Trump”, disse o analista.
A lógica, segundo ele, seria a de que Trump utilizaria o Brasil — maior país da América Latina e segunda maior economia das Américas — como exemplo para reforçar a narrativa de ameaça à segurança nacional, dado que o país não se alinhou aos EUA e abriga grupos que Washington considera perigosos.
Sant’Anna ressaltou ainda que, em princípio, a postura de Trump é a de manter uma relação relativamente estável com o governo brasileiro, ao mesmo tempo em que não reconhece o resultado das eleições no Brasil e sustenta a tese de que a esquerda frauda processos eleitorais.
No entanto, o analista alertou que, à medida que Trump for mais pressionado internamente, a prioridade de retirar o Brasil da órbita chinesa e aproximá-lo da órbita americana deve se intensificar.
“O presidente Lula vai resistir a isso e aí pode haver uma espiral de tensionamento entre os dois países”, concluiu Sant’Anna.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites.
