InícioBrasilO que você precisa saber sobre as Midterms de 2026 nos EUA

O que você precisa saber sobre as Midterms de 2026 nos EUA

Os eleitores dos Estados Unidos irão às urnas no dia 3 de novembro para votar nas Midterms, as Eleições de Meio de Mandato, nas quais elegerão integrantes da Câmara dos Representantes e do Senado, além de governadores em diversos estados do país.

Essa votação é chamada “Eleição de Meio de Mandato” porque acontece na metade de cada mandato presidencial. Por definição, não envolvem a figura do presidente.

No entanto, para quem acredita que, este ano, elas carecem de dramaticidade ou importância, vale considerar estes dois dados:

  • É provável que mais de 100 milhões de pessoas votem nestas Midterms — caso a taxa de participação seja semelhante à registrada no pleito anterior, em 2022
  • Além disso, até 12 de outubro, um montante recorde de US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 19 bilhões) já havia sido gasto em propaganda política.

Segundo a AdImpact, empresa que monitora essas atividades, os maiores gastos concentram-se em disputas acirradas para o Senado nos estados do Texas, Ohio e Michigan.

Somente Elon Musk, bilionário dono da Tesla e aliado de Trump, destinou cerca de US$ 400 milhões (cerca de R$ 2,1 bilhões) para apoiar os republicanos, de acordo com registros de financiamento de campanha.

Ainda assim, as Eleições de Meio de Mandato costumam atrair menos eleitores do que as votações presidenciais, que possuem maior visibilidade. Lembrando que o voto não é obrigatório nos Estados Unidos

Para se ter uma ideia, mais de 155 milhões de votos foram registrados na eleição presidencial de 2024.

Controle do congresso em jogo nos EUA

Muita coisa está em jogo nestas eleições, com os democratas buscando conquistar a maioria no Congresso dos Estados Unidos.

Atualmente, os republicanos detêm uma maioria de 218 cadeiras a 214 na Câmara — que conta com duas vagas em aberto e um parlamentar independente que alinha seu voto ao dos republicanos.

Para assumir o controle, os democratas precisam conquistar um “saldo líquido” de quatro cadeiras.

A oposição também luta pelo controle do Senado, onde os republicanos possuem maioria de 53 a 47 cadeiras. Os democratas precisam conquistar quatro assentos para obterem a maioria.

Dez disputas — incluindo as nos estados do Maine, Ohio, Carolina do Norte, Iowa e Geórgia — podem definir o resultado final.

As eleições deste ano também incluem disputas para governador em 36 dos 50 estados dos EUA, além de votações em praticamente todos os estados para o preenchimento de vagas em seus órgãos legislativos locais.

Atualmente, os republicanos controlam 55% das cadeiras nos legislativos estaduais em todo o país, enquanto os democratas detêm 43,8%, segundo o Ballotpedia.

Midterms podem afetar a Presidência dos EUA?

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, fala à imprensa durante encontro com Xi Jinping, presidente da China • Reuters

As Eleições de Meio de Mandato representam, via de regra, um terreno perigoso para o partido do presidente dos EUA ou aquele que controla o Congresso.

No contexto de 2026, isso significa que Donald Trump e os republicanos — que controlam tanto o Senado quanto a Câmara dos Representantes — encontram-se em uma situação política delicada.

A votação pode ser uma oportunidade para os eleitores, na prática, avaliarem o desempenho do presidente. Caso a “nota” seja baixa, pode levar a Casa Branca a ajustar sua rota.

Os resultados dessas eleições também podem oferecer pistas a potenciais candidatos à Presidência sobre como adaptar suas mensagens ao eleitorado para a próxima disputa presidencial, que ocorrerá em 2028.

O que as pesquisas mostram?

A aprovação do governo Trump está em seu nível mais baixo de todos os tempos: 32%, segundo uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada em 26 de outubro.

Questões internas, como a alta nos preços de produtos, provavelmente influenciarão o resultado de muitas disputas e podem desgastar o apoio aos Republicanos.

Ao mesmo tempo, há indícios de que os democratas estão mais entusiasmados para votar este ano do que os republicanos. Se as tendências observadas na votação antecipada se mantiverem, isso pode sinalizar uma vitória da oposição.

Há também sinais de que eleitores latinos que apoiaram Trump em 2024 podem estar se voltando contra ele, motivados pela frustração com a economia e com algumas das táticas do presidente para o controle da imigração.

No entanto, uma vitória expressiva dos Democratas está longe de ser garantida.

Os republicanos podem se beneficiar do ceticismo persistente em relação aos democratas, de uma maior capacidade de investimento em campanhas e do receio de eleitores moderados diante de algumas vitórias de candidatos de esquerda nas eleições primárias.

Histórico recente das Midterms

O histórico recente ilustra o impacto significativo que as Eleições de Meio de Mandato dos EUA podem provocar.

Nas Midterms de 2010, durante a Presidência do democrata Barack Obama, os republicanos conquistaram vitórias expressivas, ganhando 63 cadeiras adicionais na Câmara dos Representantes — em um cenário de economia fragilizada e pouco apoio à reforma do sistema de saúde, principal bandeira de Obama.

Assim, os democratas perderam a maioria na Câmara; no Senado, mantiveram o controle, apesar de terem perdido seis cadeiras.

O ex-presidente dos EUA, Barack Obama, discursa durante um comício de campanha no formato drive-in para, na época, o candidato presidencial democrata Joe Biden na Northwestern High School em 31 de outubro de 2020 em Flint, Michigan • Photo by Drew Angerer/Getty Images

Obama descreveu o avanço republicano como uma “derrota acachapante”. Na sequência, ele teve de enfrentar exigências da oposição por cortes substanciais nos gastos não relacionados à Defesa.

Os democratas deram o troco em 2018, com Trump na Casa Branca. Eles conquistaram um saldo positivo de 40 cadeiras na Câmara, embora tenham perdido duas cadeiras no Senado.

Quem será o presidente da Câmara dos EUA?

Se os democratas conseguirem conquistar a Câmara, o próximo presidente da Casa provavelmente será o deputado Hakeem Jeffries, de Nova York. Atualmente, ele é o líder da minoria na Casa Legislativa.

Líder da minoria na Câmara dos Deputados dos EUA, Hakeem Jeffries • 23/10/2025 REUTERS/Kylie Cooper

Jeffries, que se tornaria o primeiro norte-americano negro a ocupar esse cargo de grande poder, estaria em posição de orientar as comissões da Câmara a iniciar investigações sobre uma série de atividades do presidente americano e seus aliados.

O deputado afirmou repetidamente que os democratas investigariam o que ele chamou de “níveis sem precedentes de corrupção” durante a administração Trump.

Jeffries também conduziria as prioridades legislativas dos democratas na Câmara. Ele declarou que o partido focaria em tornar mais acessíveis os custos com saúde, alimentação, moradia, energia e outros itens essenciais.

Caso os republicanos mantenham o controle da Câmara, o atual presidente, Mike Johnson, poderia continuar no cargo, ou então ser desafiado por outro integrante do partido.

As prioridades republicanas provavelmente incluirão novos cortes de impostos, um aumento expressivo nos gastos com Defesa e reduções mais profundas na rede de proteção social, dando continuidade ao plano “One Big Beautiful Bill” proposto por Trump para 2025.

Outras disputas importantes

Entre as disputas mais acompanhadas para a Câmara estão a tentativa de reeleição do deputado republicano Mike Lawler, em um distrito de Nova York que foi vencido pela candidata democrata Kamala Harris em sua campanha presidencial de 2024, e a disputa por uma vaga em um distrito decisivo em Nebraska, onde agricultores e caminhoneiros enfrentam uma alta acentuada nos preços dos combustíveis, decorrente da guerra dos EUA contra o Irã.

Além disso, os democratas buscam conquistar outras cadeiras atualmente ocupadas por republicanos, incluindo duas na Pensilvânia e uma em Nova Jersey.

Pairando sobre todo esse cenário, surgem dúvidas sobre se Trump tentará interferir nas eleições, que são organizadas e administradas pelos 50 estados norte-americanos.

Desde 2020, ele tem insistido, repetidamente e sem apresentar provas, que existe uma fraude generalizada nas eleições dos EUA.

Autoridades eleitorais estaduais e democratas no Congresso vêm se preparando para possíveis contestações jurídicas, caso a administração Trump tente intervir no processo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por tomasbraga.

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