Deputado italiano pede investigação sobre cidadania de Flávio
Angelo Bonelli questiona rapidez na concessão dos documentos também a Eduardo e Carlos; senador usou passaporte italiano para ir aos EUA
Reprodução/Instagram @bonelli.angelo – 29.out.2026
PODER360
29.out.2026 (quinta-feira) – 21h18
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O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, pediu ao governo da Itália uma investigação administrativa sobre os processos de reconhecimento da cidadania italiana de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Carlos Bolsonaro (PL-SC). O político questiona a rapidez dos procedimentos em comparação ao tempo de espera de outros brasileiros. As informações foram divulgadas pela RFI (Rádio França Internacional) nesta 5ª feira (29.out.2026).
O pedido foi encaminhado aos ministérios das Relações Exteriores e do Interior da Itália na 4ª feira (28.out.2026). A iniciativa foi depois de Flávio fugir do Brasil para os Estados Unidos usando um passaporte italiano, apesar de uma proibição judicial de sair do país.
Flávio e Eduardo tiveram a cidadania reconhecida em 2023, enquanto Carlos obteve o reconhecimento em 2024. Os pedidos foram apresentados com base no jus sanguinis, princípio que permite a concessão da nacionalidade por descendência.
Segundo o documento apresentado por Bonelli, os processos de Flávio e Eduardo foram concluídos em cerca de 1 ano.
O deputado afirma que, quando os 2 tiveram os pedidos aprovados, ainda havia brasileiros aguardando atendimento desde 2018. A fila de espera para iniciar o procedimento pode chegar a 10 anos, embora o prazo legal máximo para sua conclusão, depois da apresentação da documentação completa, seja de 730 dias.
Bonelli solicitou informações sobre as datas, as etapas dos processos e a ordem de atendimento dos pedidos. Também quer esclarecimentos sobre possíveis diferenças de tratamento.
“A lei deve ser igual para todos: para os pobres coitados que esperam há 10 anos e para os filhos dos poderosos”, declarou à RFI.
A interpelação deverá ser respondida oralmente pelo governo italiano no Parlamento, mas ainda não há data definida.
Em publicação no Instagram, Bonelli afirmou que Flávio e Eduardo entraram na fila da Embaixada da Itália em Brasília em 2020 e tiveram a cidadania reconhecida em 2023. Carlos concluiu o processo em 2024. Bonelli também criticou as restrições à cidadania por descendência adotadas pelo governo italiano em março de 2025. Segundo ele, as mudanças dificultaram o reconhecimento para famílias que aguardavam havia anos.
Eis a íntegra do post:
“Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro tiveram tratamento preferencial para obter a cidadania italiana, enquanto centenas de milhares de descendentes de italianos no Brasil esperam há mais de dez anos.
“Os fatos foram registrados pelo próprio governo ao responder às minhas interpelações. Em 2020, Flávio e Eduardo Bolsonaro pediram para entrar na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília. Em 2023, já eram cidadãos italianos, e Carlos obteve a cidadania em 2024. Em muitos consulados no Brasil, a espera chega a 10 anos ou mais, e muitas pessoas são obrigadas a entrar na Justiça contra o Estado.
“Em Brasília, as convocações estavam suspensas desde agosto de 2018 e, ainda em novembro de 2022, chegara a vez de quem havia se inscrito em 2018. Em 8 de novembro de 2022, justamente 9 dias após a derrota eleitoral do pai, Flávio e Eduardo compareceram pessoalmente à Embaixada para solicitar que o processo fosse agilizado.
“Há também uma hipocrisia insuportável. Com o decreto de março de 2025, o governo fechou as portas da cidadania para milhares de descendentes de italianos que esperavam na fila havia anos. Para os aliados políticos da Liga, por outro lado, tudo correu sem problemas.
“Flávio Bolsonaro, recém-derrotado nas eleições presidenciais, é alvo de duas investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal: uma por lavagem de dinheiro relacionada a empresas de apostas; a outra, sobre o financiamento do filme Dark Horse pelo banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção. No passado, Flávio já havia sido acusado de peculato, mas as acusações foram arquivadas após a anulação das provas.
“Vimos com Carla Zambelli o que isso significa: uma pessoa condenada que chega à Itália declarando-se intocável graças ao passaporte italiano. A Itália não pode se tornar um refúgio para quem precisa responder à Justiça de seu próprio país.”
FUGA DO BRASIL
Na 3ª feira (27.out), Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil, acompanhado da mulher e das duas filhas adolescentes do casal, por se sentir ameaçado com eventuais decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
A Polícia Federal expediu um pedido de apreensão do passaporte de Flávio só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial, às 21h09 de 25 de outubro de 2026.
O vencedor foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. Moraes autorizou o pedido da PF para apreender os documentos do senador e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · PODER360.
