Flamengo reajusta orçamento e projeta deficit de R$ 40 milhões
Clube reverte projeção de superavit de R$ 180 milhões e aponta custos com futebol como principal causa do resultado negativo
Gilvan de Souza/Flamengo – 20.abr.2026
PODER360
29.out.2026 (quinta-feira) – 8h24
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O Conselho de Administração do Flamengo aprovou, na 4ª feira (28.out.2026), a readequação do orçamento do clube para 2026. A revisão substituiu uma projeção de superavit de R$ 180 milhões por um deficit de R$ 40 milhões, segundo informações do ge.
A mudança representa uma reversão de R$ 220 milhões nas contas do clube. A proposta contou com pareceres favoráveis do Conselho Fiscal e da Comissão Permanente de Finanças e foi aprovada por 41 votos a favor, 6 contrários e duas abstenções.
O futebol foi o principal vetor do desequilíbrio financeiro. A readequação exigiu uma redução de R$ 94 milhões na estimativa de arrecadação com vendas de jogadores e registrou aumento de R$ 234 milhões em contratações acima do orçamento inicial.
A contratação de Lucas Paquetá, cujo custo total chegou a R$ 315 milhões, foi apontada pelo diretor-geral Paulo Dutra como um dos principais fatores do resultado negativo. Dutra também citou a venda frustrada do Plata ao Dínamo de Moscou e a expectativa de receita com a cessão de naming rights do Maracanã, que não se concretizou.
Além disso, o clube não obteve os incentivos fiscais previstos e arcou com os custos da troca de comissão técnica, com a saída de Filipe Luís e a chegada de Leonardo Jardim.
Os insucessos esportivos agravaram o cenário. A eliminação na semifinal da Libertadores foi especialmente custosa, uma vez que a eventual conquista do título continental renderia R$ 165 milhões ao clube. A queda precoce na Copa do Brasil e os vices na Recopa Sul-Americana e na Supercopa também contribuíram para frustrar as receitas projetadas.
O título do Campeonato Brasileiro, ainda em disputa, pouco altera o quadro, já que a diferença financeira entre o 1º, o 2º e o 3º colocado é pequena.
Houve ainda crescimento de 7,3% nas despesas gerais e administrativas, equivalente a R$ 15 milhões, e alta de 25,4% nos custos operacionais do Maracanã, que somaram R$ 17,8 milhões a mais.
Na reunião realizada na sede da Gávea, o ex-presidente Rodolfo Landim — que obteve na Justiça o direito de retornar à vida política do clube após ter sido expulso pela atual gestão — comparou o deficit atual com a dívida de aproximadamente R$ 170 milhões contraída em sua gestão pela compra do terreno no Gasômetro.
Posição do clube
Em nota, o Flamengo minimizou o impacto do deficit e destacou a solidez da estrutura de endividamento.
O vice-presidente do Conselho Fiscal, Francisco Gularte, afirmou que a readequação era necessária para corrigir falhas na execução orçamentária do início do ano.
Um dos poucos itens que registrou crescimento foi a receita com sócios-torcedores, que subiu 7,6%, de R$ 39,2 milhões para R$ 42,1 milhões. O clube também informou que a suspensão do patrocínio máster não tem relação com a situação financeira atual, uma vez que o valor referente ao primeiro ano do contrato já havia sido antecipado.
Na nota divulgada, o clube afirmou que os índices de endividamento permanecem em níveis administráveis.
Eis a íntegra do texto:
“A readequação orçamentária é um procedimento previsto no Estatuto do Flamengo e faz parte das práticas de boa governança e transparência adotadas pelo Clube. Trata-se de uma revisão regular: ao longo do ano, o orçamento aprovado originalmente é confrontado com o que de fato aconteceu, e as projeções são ajustadas para refletir a realidade do exercício”.
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