Alta de juro do Bradesco para casa própria freia vendas e eleva parcelas
Banco aumentou taxa mínima para 15% ao ano; para especialistas, decisão reflete preocupação fiscal
Ricardo Stuckert/Planalto – 20.jan.2026
Camila Nascimento
de Brasília
28.out.2026 (quarta-feira) – 17h59
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Para dimensionar esse efeito, um levantamento da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras) indica que o aumento de cada ponto percentual nas taxas de juros retira, em média, 160 mil famílias do mercado de financiamento imobiliário.
A mudança foi comunicada a parceiros do setor imobiliário e coloca as taxas mínimas do banco acima das referências anunciadas por concorrentes como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Santander e Itaú. Para clientes do segmento Private, destinado a pessoas com patrimônio superior a R$ 10 milhões, os juros mínimos passaram de 11,45% para 13,6% ao ano, também mais TR.
Para especialistas ouvidos pelo Poder360, a alta dos juros futuros, associada à preocupação com as contas públicas no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleva o custo de captação dos bancos. A menor atratividade da poupança também reduz a disponibilidade de recursos para financiar imóveis. Nesse cenário, outras instituições podem rever suas taxas de crédito.
Segundo Paulo Prado, cofundador da MySide e especialista em crédito imobiliário, o Bradesco pode ter adotado uma postura mais defensiva diante das incertezas econômicas. A taxa mais alta também torna os financiamentos menos competitivos, o que, na prática, pode funcionar como uma forma de reduzir temporariamente novas contratações sem suspender formalmente a oferta de crédito.
Para Jonata Tribioli, diretor comercial da IBR Capital e especialista em operações imobiliárias, o movimento pode indicar maior cautela na concessão de financiamentos.
Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, também relaciona a alta à pressão sobre o custo de captação e à necessidade de os bancos ajustarem as condições de crédito ao risco das operações.
JUROS FUTUROS
Depois do 2º turno das eleições, as taxas dos juros futuros chegaram a subir mais de 250 pontos-base em uma única sessão. Como os financiamentos imobiliários podem durar mais de 30 anos, os bancos levam em conta não só a taxa básica de juros, mas também as expectativas de inflação, o custo de captação e os riscos de longo prazo.
Isnard afirmou que a redução da atratividade da poupança também contribui para pressionar o crédito. Com investimentos de renda fixa oferecendo retornos mais elevados, parte dos investidores busca alternativas à caderneta, reduzindo os recursos disponíveis para os financiamentos imobiliários.
Nesse cenário, os bancos podem recorrer a outras fontes de recursos, como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), mais sensíveis às condições do mercado financeiro.
Para Jonata Tribioli, o aumento dos juros futuros pode levar as instituições a adotar uma postura mais conservadora. Ele ressalta, porém, que ainda é cedo para considerar a alta do Bradesco um movimento permanente. Uma melhora nas expectativas econômicas e fiscais poderia aliviar a pressão sobre as taxas.
OUTROS BANCOS
As taxas mínimas anunciadas por concorrentes do Bradesco permanecem abaixo de 15% ao ano:
- Caixa Econômica Federal: 10,26%;
- Banco do Brasil: 11,60%;
- Santander: 11,69%;
- Itaú: 11,99%.
As taxas são acrescidas da Taxa Referencial, quando aplicável, e variam conforme o perfil do cliente e as condições do contrato.
De acordo com Paulo Prado, outros bancos privados avaliam reajustes de cerca de 1 ponto percentual, mas ainda não há confirmação ou anúncio.
“Um salto de 3,3 pontos percentuais de uma só vez, como ocorreu no Bradesco, é algo completamente fora do padrão”, declarou.
A reação da Caixa é uma das principais incógnitas, segundo Prado, em razão da influência das diretrizes do governo federal sobre suas operações.
PRESTAÇÕES MAIS CARAS
Uma simulação de Jonata Tribioli, da IBR Capital, mostra que, em um financiamento de R$ 500 mil por 30 anos pelo SAC (Sistema de Amortização Constante), a 1ª parcela sobe de aproximadamente R$ 6.020, com juros de 11,7% ao ano, para R$ 7.246, com a taxa de 15%. O aumento é de R$ 1.226 –mais de 20%. O cálculo não inclui a TR, seguros e tarifas.
VENDAS E PREÇOS
Os especialistas avaliam que a alta dos juros pode desacelerar as vendas, especialmente no segmento de médio padrão, e aumentar o tempo necessário para fechar negócios.
Prado afirmou que a redução da demanda pode levar vendedores a conceder descontos, mas considera mais provável uma perda de liquidez do que uma queda generalizada dos preços.
Tribioli destaca que os descontos tendem a ser mais frequentes em regiões com maior oferta e menor procura. Já em locais com demanda elevada e poucos imóveis disponíveis, os preços podem resistir melhor.
O Minha Casa, Minha Vida tem condições específicas de financiamento, sobretudo nas faixas subsidiadas, e não sofre diretamente o mesmo impacto das linhas tradicionais, segundo Tribioli.
Apesar da possível desaceleração, o especialista disse que a demanda habitacional brasileira continua elevada. A tendência é que parte dos compradores adie a aquisição e que as incorporadoras ajustem lançamentos e condições comerciais ao crédito mais restritivo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Camila Nascimento.
