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Estudo da Embrapa reduz erosão do solo com novos terraços no Paraná

Estudo da Embrapa reduz erosão do solo com novos terraços no Paraná

A Embrapa Soja e a Itaipu Binacional juntaram drones, softwares e dados para indicar melhores práticas de conservação

Reprodução/Embrapa

Embrapa

24.out.2026 (sábado) – 8h00

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A Embrapa Soja (PR) e a Itaipu Binacional juntaram drones, softwares de modelagem e dados sobre disponibilidade de água no solo para indicar melhores práticas de conservação dos solos do Paraná. Com uma abordagem baseada em geotecnologias, as instituições procuraram diagnosticar a eficiência dos terraços —estruturas que controlam a erosão e auxiliam na infiltração de água— e propor intervenções práticas.

Resultados da aplicação da metodologia na bacia hidrográfica do município de Toledo, a oeste do Estado, mostraram que a erosão foi reduzida e a capacidade de armazenamento de água, triplicada.

“Nosso foco é aprimorar o dimensionamento do sistema de terraceamento, a partir da integração da taxa de infiltração, dos modelos digitais de elevação e de Sistemas de Informação Geográfica (SIGs), visando reduzir os impactos da erosão hídrica promovida por eventos extremos de chuva no Paraná”, afirma o pesquisador da Embrapa Júlio Franchini.

Os terraços são estruturas conservacionistas milenares usadas para o ordenamento do fluxo de água. São, por isso, indispensáveis para combater a erosão, mesmo no sistema de plantio direto.

A eficiência de um terraço é tradicionalmente medida por sua altura e largura (geometria). De acordo com o pesquisador, o método tem se mostrado insuficiente para garantir a proteção do solo perante eventos climáticos extremos.

“Nosso estudo, em contrapartida, foi baseado em ferramentas digitais e parâmetros hidrológicos para evidenciar a necessidade de modernização dos terraços por meio da identificação das estruturas que estavam falhando e operando com ineficiência.”

O estudo na bacia hidrográfica de Toledo, região que apresenta condições semelhantes às encontradas em cerca de 2 milhões de hectares no Paraná, incluiu variáveis para otimizar o armazenamento de água e a resiliência do solo, sob o sistema plantio direto (SPD).

“Identificamos que os sistemas de terraceamento atuais apresentavam um desempenho inferior ao esperado, com falhas hidráulicas e rompimentos, e as avaliações tradicionais baseadas apenas em critérios geométricos estáticos eram insuficientes para explicar o funcionamento real em campo”, avalia Franchini.

Reprodução/Embrapa
O estudo na bacia hidrográfica de Toledo, região que apresenta condições semelhantes às encontradas em cerca de 2 milhões de hectares no Paraná, incluiu variáveis para otimizar o armazenamento de água e a resiliência do solo

Intervenção necessária 

Em outubro de 2017, na bacia hidrográfica de Toledo (PR), por exemplo, a Embrapa Soja e a Itaipu registraram índices de precipitação de 160 mm em cerca de 18 horas, o que causou o transbordamento de água nos terraços e a perda estimada de 7.500 m³ de solo, evidenciando a urgência de mudança nessas estruturas. A partir de então, o redimensionamento dos terraços foi conduzido em 115 hectares da bacia hidrográfica paranaense.

Foram utilizados modelos digitais de elevação, obtidos por drones e o software Terraço 4.1, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), para propor soluções de mitigação da erosão hídrica.

O redimensionamento na microbacia substituiu 43 terraços ineficientes por 29 reprojetados. A altura média dos terraços subiu de 0,26 m para 0,72 m, elevando a capacidade de retenção de água de 22 mm para 71 mm.

Outro ponto que indicava a necessidade de redimensionamento dos terraços era a mudança nos maquinários contemporâneos. Franchini observa que as máquinas atuais são maiores e mais pesadas, o que dificulta manobras no espaço entre os terraços tradicionais, aumentando o tráfego e, consequentemente, a compactação do solo.

Por isso, houve indicação para aumentar a distância horizontal média entre os terraços de 28 m para 51 m, com espaçamento vertical de cerca de 3 m. “Nossa ideia era contar com terraços eficientes e que ainda facilitassem o tráfego e reduzissem as manobras das máquinas modernas, mais robustas do que os modelos antigos”, ressalta.

O pesquisador revela que a eficácia do novo sistema de terraço foi comprovada entre 2019 e 2024, quando a microbacia enfrentou eventos com chuvas superiores a 30 mm/dia sem apresentar sinais de erosão ou sulcos.

“Verificamos que os novos terraços são mais eficazes em interceptar o fluxo de água e de sedimentos, portanto, mais eficientes para preservar os solos e armazenar água. Esperamos a replicação desta metodologia em novas áreas de referência, visto que a região de estudo representa condições semelhantes às de aproximadamente dois milhões de hectares no Paraná”, projeta Franchini.

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O pesquisador revela que a eficácia do novo sistema de terraço foi comprovada entre 2019 e 2024

Da teoria à prática 

Para ampliar os dados científicos que justificassem o redimensionamento dos terraços, o pesquisador Henrique Debiasi, da Embrapa Soja, explica que um novo estudo introduziu o conceito de Capacidade Estrutural Relativa (CER). A ideia desse conceito é trazer mais precisão ao diagnóstico funcional dos sistemas de terraceamento, por meio do cálculo do volume de água que o terraço consegue segurar e do escoamento superficial gerado (quantidade de enxurrada gerada pela chuva).

“Assim, foi possível classificar o estado das estruturas do solo em 3 condições: as que apresentavam segurança, as marginais e as que apresentarão falhas”, afirma Debiasi. Segundo o pesquisador, essa tipologia ajuda na identificação de áreas com falha estrutural e fornece subsídios para as intervenções.

“Isso é relevante porque diferencia situações em que o manejo do solo é suficiente daquelas que demandam ações estruturais de redimensionamento ou reconfiguração do sistema de terraceamento”, explica Debiasi.

“A introdução da condição intermediária (marginal) representa um avanço conceitual e prático, porque permite a identificação de situações em que o sistema opera próximo ao limiar de colapso estrutural, sendo altamente sensível tanto às condições hidrológicas quanto às práticas de manejo do solo”, enfatiza.

Para ele, a nova proposta de redimensionamento dos terraços é uma resposta científica, baseada em ferramentas modernas, para resolver problemas antigos da conservação do solo e de preservação da água.

Franchini e Debiasi reforçam que o estudo estabelece um arcabouço metodológico replicável e operacional para as bacias hidrográficas do Paraná.

“Esperamos que esses resultados subsidiem as decisões técnicas sobre a real necessidade de reforma ou redimensionamento de terraços, auxiliem na gestão preventiva e apoiem políticas públicas de planejamento territorial e de conservação de solo e da água em larga escala”, concluem.

Este texto foi publicado originalmente pela Embrapa, em 20 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Embrapa.

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