InícioPolíticaPuxado por geração elétrica, consumo de gás no país cresce 15%

Puxado por geração elétrica, consumo de gás no país cresce 15%

Puxado por geração elétrica, consumo de gás no país cresce 15%

Volume movimentado no 1º semestre atingiu 57 milhões de m³/dia; indústria e mercado livre também registram expansão

Leo Garfinkel

de Brasília

3.nov.2026 (terça-feira) – 11h00

Priorize o Poder no Google

O setor de distribuição de gás natural do Brasil movimentou 57,5 milhões m³/dia (metros cúbicos por dia) no 1º semestre de 2026, alta de 15,4% em relação ao mesmo período do ano passado, em que a média diária foi de 49,9 milhões de m³/dia. O volume já é maior do que o registrado durante todo o ano de 2025, quando o consumo totalizou 54,4 milhões de m³/dia.

Os dados, antecipados ao Poder360, foram divulgados nesta 3ª feira (3.nov.2026) pela Abegás (Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado), que representa as concessionárias de distribuição de gás canalizado no país e compila o consumo nos segmentos industrial, automotivo, comercial, residencial, geração elétrica, cogeração e matéria-prima. 

A alta registrada na comparação anual foi impulsionada pelo crescimento de 49% na aquisição de gás para geração de energia elétrica. O segmento, composto sobretudo principalmente por usinas termelétricas, elevou seu consumo de 11,4 milhões de m³/dia no 1º semestre de 2025 para 17 milhões de m³/dia no período de janeiro a junho de 2026.

O segmento industrial, principal consumidor de gás do país, registrou a 2ª maior alta, com 4,5%. O volume médio diário do setor subiu de 29,5 milhões de m³/dia para 30,8 milhões de m³/dia na comparação anual. No 1º semestre deste ano, as indústrias responderam por mais da metade (53,5%) do consumo total do país. 

O levantamento de Abegás destaca ainda o avanço nos segmentos de consumo residencial (+2,30%) e no uso de gás por matéria-prima (+8%), demanda de setores como químico, petroquímico e de fertilizantes. 

DATA CENTERS E SETOR AUTOMOTIVO

Segundo o diretor executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, o crescimento da demanda no setor elétrico indica que o insumo se tornou relevante para a segurança energética do país. O PDE (Plano Decenal de Expansão de Energia) 2036, estima que o sistema elétrico do Brasil adicionará mais 11.124 MW (megawatts) de novas térmicas a gás até 2028.

Para aumentar ainda mais a participação do gás natural na geração elétrica, a associação vem defendendo que o combustível seja incluído entre as fontes permitidas para projetos habilitados ao Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), política de isenção fiscal para data centers recém-sancionada pelo governo. 

O debate é um dos pontos que seguem pendentes no projeto depois da aprovação pelo Congresso em setembro. O texto original estabelecia que só data centers abastecidos por energia 100% renovável poderiam receber os incentivos fiscais, mas uma alteração no Senado incluiu também fontes “consideradas de baixa emissão”, abrindo espaço para o uso de gás natural. 

Em linha com o Ministério de Minas e Energia, a Abegás defende que o governo inclua “projetos a gás natural sem restrições”. A decisão deve ser tomada em portaria interministerial nas próximas semanas. 

Outro setor em que a Abegás vê espaço para o avanço do insumo é o automotivo. O segmento foi um dos que registrou retração no consumo no levantamento. A aquisição do produto nos postos de combustíveis caiu de 4,1 milhões de m³/dia para 3,8 milhões de m³/dia, queda de 7,4% na comparação anual.

Mendonça defende que o novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) implemente um conjunto de políticas públicas que incentive o “enorme potencial” de demanda das frotas pesadas movidas a gás –uma das principais bandeiras da agenda da associação. 

MERCADO LIVRE AVANÇA

O levantamento ainda identificou alta relevante na movimentação de gás por grandes consumidores no mercado livre. Em junho, a modalidade registrou consumo de 34,6 milhões de m³/dia frente aos 25,3 milhões de m³/dia do mesmo mês em 2025.

A comparação mensal também registrou alta de 49% no volume movimentado dentro do mercado livre do segmento industrial.

O mercado livre de gás é um modelo de comercialização que permite aos grandes consumidores comprarem o produto e o transporte diretamente de produtores, tradings ou importadores, em vez de ficarem obrigados a adquirir exclusivamente da distribuidora local de seu Estado. O consumidor negocia livremente o preço da molécula de gás, a quantidade, o prazo e as condições contratuais com diferentes fornecedores.

o Poder360 integra o


Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Leo Garfinkel.

Veja mais

ültimas