Peña enfrenta julgamento no Senado paraguaio nesta 6ª feira
Apesar do pedido de renúncia, opositores defendem que presidente sofra impeachment e seja formalmente retirado do cargo
Reprodução/X @SantiPenap – 5.nov.2026
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6.nov.2026 (sexta-feira) – 4h35
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A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do julgamento de impeachment contra ele, mesmo depois do anúncio de sua renúncia. Opositores defendem que ele sofra impeachment e seja formalmente retirado do cargo.
Os deputados, no entanto, rejeitaram abrir pedido de impeachment também contra o vice-presidente Pedro Alliana (Partido Colorado). Com a decisão, Alliana se consolida como o nome mais provável para assumir a presidência do país até agosto de 2028. Já a sessão conjunta do Congresso que deveria analisar a renúncia de Peña terminou na 5ª feira (5.nov) sem votação. Deputados governistas deixaram o plenário e derrubaram o quórum.
RITO
O presidente do Senado, Basilio Núñez (Partido Colorado), disse ao jornal paraguaio ABC Color que nesta 6ª feira (6.nov), às 10h, Peña deverá apresentar sua defesa. A sessão não tem limite de tempo. Em seguida, por volta das 13h, haverá a avaliação das provas apresentadas pelos deputados e seus argumentos.
Se o processo prosseguir sem atrasos, a votação final dos 45 senadores poderá ocorrer ainda nesta 6ª feira (6.nov). Para destituir um presidente no Paraguai, é necessária uma maioria de dois terços, ou seja, 30 dos 45 senadores.
Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes se tornam senadores vitalícios. Segundo a oposição, isso daria a Peña imunidade contra processos criminais. Se for destituído, ele perde esse direito.
“Colaborarei com as instituições”
Peña afirmou na 5ª feira (5.nov) que se defenderá “com argumentos e provas”, mas seu porta-voz disse não saber onde ele está. Congressistas da oposição afirmaram que Peña deixou o Paraguai rumo à Argentina e solicitou asilo ao presidente Javier Milei (La Libertad Avanza, direita). O governo argentino negou que ele tenha entrado no país.
A crise começou na 2ª feira (2.nov), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank depois de constatar que o índice de solvência do banco havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
O Ueno Bank tinha cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente à metade da população paraguaia, estimada em cerca de 7 milhões de habitantes. Com o colapso, milhões de pessoas ficaram sem acesso aos recursos depositados na instituição.
MINISTRO DO INTERIOR RENUNCIA
O ministro do Interior do Paraguai, Enrique Riera, também renunciou ao cargo na 5ª feira (5.nov). Assim, ele voltará a ocupar uma cadeira no Senado.
Segundo o ABC Color, que teve acesso ao decreto que oficializou a mudança, Peña aceitou a renúncia de Riera e nomeou Carlos Humberto Benítez González como ministro do Interior interino. Benítez também continuará exercendo as funções de vice-ministro de Segurança Interna, de acordo com o documento.
Ainda segundo o jornal, a saída do ministro faz parte de uma estratégia para que ele reassuma imediatamente sua cadeira no Senado e participe do julgamento de Peña. Horas antes de ter a própria renúncia confirmada, Riera foi responsável por levar pessoalmente ao Congresso a carta em que Peña comunicava a intenção de deixar a Presidência.
RELAÇÃO DE PEÑA COM O UENO
O Ueno ganhou espaço no mercado paraguaio após sua transformação de financeira em banco, em 2023. A oposição ao governo Peña, por sua vez, questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez –afirmando que os montantes ultrapassaram os limites regulatórios.
Congressistas de oposição falam em possível conflito de interesses e dizem que o governo manipulou regras e contou com o “acobertamento” do Banco Central do Paraguai, presidido por Carlos Carvallo. Ele foi presidente do Ueno até agosto de 2023, quando Peña o indicou para presidir o BC paraguaio.
A oposição também diz que Peña promoveu mudanças na lei de conflitos de interesses e permitiu a concentração de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previsão Social no Ueno Bank, acima dos limites estabelecidos pela legislação vigente.
De acordo com o jornal paraguaio ABC Color, o documento assinado por deputados de oposição afirma que o presidente paraguaio deve ser investigado pelos seguintes pontos:
- conflito de interesses e cooptação do Estado;
- manipulação regulatória e desvio de fundos de aposentadoria do IPS;
- exceder os limites de crédito no Ueno Bank e encobrimento institucional do Banco Central;
- benefício patrimonial indevido e indícios de enriquecimento ilícito;
- afeção da confiança no sistema financeiro nacional e exposição a um risco sistémico.
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