InícioBrasilEntenda porque geralmente chove no Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos

Entenda porque geralmente chove no Prêmio de Fórmula 1 em Interlagos

O Grande Prêmio de Fórmula 1 é um dos principais eventos no calendário da cidade de São Paulo e acontece em novembro no Autódromo de Interlagos, zona sul da capital. E junto a emoção da corrida e o mítico S do Senna, a etapa brasileira é marcada pela chuva.

Segundo previsão do Climatempo os três dias do evento que acontece nesse final de semana terão tempo nublado e chance de pista molhada, afetando o planejamento das equipes e a percepção do público.

Durante os treinos livres de hoje (06) a previsão é de muitas nuvens à tarde e 60% de chance de chuva leve. Na classificação de sábado (07) a probabilidade aumenta para 80% com pancadas em trechos da pista. Já no dia da corrida (08) a chuva deve ser leve e persistente o dia todo.

Localização geográfica de Interlagos

Um dos principais motivos para essa coincidência é a localização do autódromo, como explica Robson Costa, engenheiro ambiental e professor da Estácio.

O complexo que recebe eventos ao longo do ano como o Lollapalooza e festival Interlagos fica em um bairro entre duas represas, Billings e Guarapiranga, e tem um relevo acidentado a cerca de 800 metros de altitude, atuando como um “bolsão natural de retenção da umidade que sobe da Serra do Mar”.

Ele destaca que apesar dos reservatórios não gerarem chuva por si só, a evaporação e humidade da região interage com o calor do asfalto escuro da pista, principalmente  na transição entre primavera e verão em novembro.

“Esse ar quente e instável colide frontalmente com a brisa marítima que sobe a serra entre o início e o meio da tarde, justamente o horário padrão das classificações e largadas, detonando a formação vertical e explosiva de nuvens Cumulonimbus em questão de minutos”, explica Costa.

Histórico de chuva na pista

O GP de São Paulo já foi marcado várias vezes por chuva desde a sua primeira realização em solo brasileiro em 1972. Naquele ano não choveu e a corrida aconteceu em 30 de março como uma prova extra-campeonato para homologar o Brasil no campeonato.

Porém logo em 1974 a corrida de 27 de janeiro teve que ser interrompida por conta da chuva na volta 32. Já em 1993 a tempestade em Interlagos foi um dos fatores decisivos para a vitória da lenda Ayrton Senna, conhecido também por pilotar na chuva.

Outros casos emblemáticos aconteceram em 2003, marcada por muita chuva e vários acidentes, em 2008 na disputa entre Lewis Hamilton e Felipe Massa. Em 2016 a chuva provocou duas bandeiras vermelhas ao longo da corrida, e em 2024 o temporal provocou confusões.

“Longe de ser mero azar ou coincidência de calendário, existe uma engrenagem geográfica, atmosférica e física que transforma o autódromo em uma verdadeira panela de pressão climática”, destaca Costa.

Impactos na corrida

Pista molhada em qualquer corrida muda o planejamento das equipes e torna os resultados mais imprevisíveis. Os carros usam diferentes tipos de pneus, de acordo com a condição da pista como temperatura e humidade.

Pneus para pista seca são lisos para maior aderência ao asfalto, mas quando a pista fica molhada sulcos passam a ser necessários para escoar a água. Nesse caso as equipe precisam analisar quando é o momento de um pit stop para a troca por pneus de chuva.

No caso de instabilidades e trechos molhados a decisão requer ainda mais cautela, e a estratégia de cada equipe pode resultar em surpresas. Além disso a visibilidade dos pilotos é prejudicada pelo tempo fechado.

Desgaste dos pneus na prova do Catar de 2024 levou Pirelli a colocar limite no uso de cada jogo • Reprodução / F1

Mudanças climáticas podem intensificar a chuva

Costa completa que o clima chuvoso de Interlagos pode se intensificar no futuro devido as mudanças climáticas, aumentando a imprevisibilidade do GP.

Temperaturas cada vez mais altas consequentemente aumentam a capacidade da atmosfera de reter vapor d’água, e vem transformando garoas em tempestades, o que coloca em risco cada vez maior a segurança dos pilotos.

“O resultado prático para a corrida são volumes torrenciais caindo em janelas brevíssimas, acompanhados de rajadas de vento e alagamentos pontuais que saturam a drenagem da pista” conclui o especialista.

*Sob supervisão de André Rigue.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por vitornhoatto.

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