Entenda a crise do Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai
Procedimento de resolução da instituição financeira deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro e provocou manifestações nas ruas
Reprodução/Ueno Bank
PODER360
4.nov.2026 (quarta-feira) – 21h28
Priorize o Poder no Google
A crise do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do Paraguai, levou o Banco Central do país a iniciar um procedimento de resolução da instituição e provocou a renúncia do presidente do órgão, Carlos Carvallo. A situação também deixou milhões de clientes sem acesso aos recursos depositados no banco e levou o Ministério Público a abrir uma investigação.
O Ueno Bank tinha aproximadamente 3 milhões de clientes, ou seja, quase metade da população do Paraguai, que tem cerca de 7 milhões de habitantes.
Na 2ª feira (2.nov.2026), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank. A medida foi tomada depois que o órgão constatou que o índice de solvência da instituição financeira havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
Segundo o BCP, a decisão foi resultado de meses de fiscalização. Em junho, a Superintendência de Bancos identificou créditos vinculados a empresas do grupo controlador da instituição e solicitou que as operações fossem adequadas aos limites estabelecidos pela legislação.
De acordo com um comunicado do Banco Central do Paraguai, a identificação dessas operações exigiu uma análise das condições financeiras dos empréstimos e do caminho percorrido pelos recursos. O órgão afirmou que os achados contribuíram para a deterioração dos indicadores de liquidez do Ueno Bank e para a necessidade de constituir provisões adicionais. Eis a íntegra da nota do BCP (PDF – 28 kB).
Com a abertura do procedimento de resolução, as operações da instituição foram suspensas, e os depósitos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definem os mecanismos para a recuperação dos recursos.
O Ministério Público do país ordenou a abertura de uma investigação criminal e a detenção de 8 dirigentes e ex-dirigentes do Ueno Bank, incluindo o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.
NOVO INDICADO PARA O BCP
Com a crise, o presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado, direita), pediu a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo. O gestor apresentou sua renúncia na 3ª feira (3.nov).
Nesta 4ª feira (4.nov), Peña anunciou a indicação do economista Raúl Vera Bogado para comandar o BCP. O presidente encaminhou ao Congresso o pedido de acordo constitucional para a nomeação. Vera já presidiu o Banco Central de 2001 a 2002.
Segundo a Reuters, Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank, até março de 2025.
O que acontece com o dinheiro dos clientes
Segundo o Banco Central do Paraguai, o Fundo de Garantia de Depósitos cobre até 228,3 milhões de guaranis por cliente, o equivalente a cerca de R$ 205 mil. O limite corresponde a 75 salários mínimos mensais e vale por pessoa e instituição, independentemente da quantidade de contas.
O BCP informou que os primeiros pagamentos serão de até 10 milhões de guaranis por pessoa, cerca de R$ 9.000. O restante dos valores cobertos pelo fundo será pago conforme um calendário a ser divulgado pelo órgão.
Para os saldos que ultrapassarem o limite de garantia, a Superintendência de Bancos trabalha em procedimentos de compensação de ativos e passivos do Ueno Bank, com o objetivo de proteger o máximo possível dos recursos não cobertos.
O órgão também garantiu que os aposentados que recebem seus benefícios por meio do Ueno Bank continuarão a receber os pagamentos nas datas habituais. Os procedimentos para assegurar o cumprimento do calendário serão informados posteriormente.
O Banco Central afirmou que o caso é pontual e que o sistema financeiro paraguaio permanece sólido e saudável. O órgão também informou que reuniu elementos para denunciar possíveis condutas fraudulentas identificadas na instituição financeira às autoridades competentes.
MANIFESTAÇÕES NAS RUAS
Na 3ª feira (3.nov), depositantes e aposentados que tinham dinheiro no Ueno Bank foram às ruas exigir a devolução integral de seus recursos.
O ato começou de forma pacífica, mas evoluiu para confrontos quando um grupo tentou avançar em direção à sede do Congresso e foi contido pela Polícia Nacional. Houve correria e choques com as forças de segurança em diferentes pontos da região histórica da capital paraguaia.
Assista ao vídeo (2min12s):
📹#vídeo Crise bancária leva manifestantes às ruas do Paraguai
🏦Paraguaios vão às ruas após enfrentarem dificuldades para sacar o próprio dinheiro. O episódio aumenta a preocupação com a instabilidade financeira no país, em meio à investigação envolvendo o Ueno Bank e à renúncia de Carlos Carvallo, então presidente do Banco Central do Paraguai.
👇Assista ao vídeo:
— Poder360 (@Poder360) November 4, 2026
Nesta 4ª feira (4.nov), centenas de pessoas se reuniram em frente ao Panteão dos Heróis. A manifestação foi convocada pela Frente Sindical e Social do Paraguai. Os participantes protestaram contra o que classificam como um “golpe” do Ueno Bank e pediram o impeachment do presidente Santiago Peña e do vice-presidente Pedro Alliana.
o Poder360 integra o
Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · PODER360.
