InícioBrasilCâncer nos olhos: quais sinais observar em crianças? Entenda com Dr. Kalil

Câncer nos olhos: quais sinais observar em crianças? Entenda com Dr. Kalil

Os tumores que afetam os olhos se dividem entre aqueles que se desenvolvem dentro e fora do globo ocular, e o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento bem-sucedido.

Especialistas em oftalmologia alertam, ao Dr. Roberto Kalil, os sinais que podem indicar a presença dessas doenças, incluindo alterações visíveis nos olhos de crianças e lesões nas pálpebras que não cicatrizam.

O tema foi abordado no programa CNN Sinais Vitais, deste sábado (7) às 19h30, com a participação de Rubens Belfort Jr., oftalmologista e membro da Academia Nacional de Medicina, e Tatiana Nahas, oftalmologista do Hospital Sírio Libanês.

Tumores dentro do olho: retinoblastoma e melanoma

Segundo Rubens Belfort Jr., os dois principais tumores que se desenvolvem dentro do globo ocular são o retinoblastoma, que acomete crianças pequenas, e o melanoma ocular, mais comum em pessoas mais velhas, embora possa surgir também em indivíduos com 30 ou 40 anos.

“O melanoma do olho é bem diferente do melanoma de pele. É um tumor com características próprias”, explicou Belfort Jr.

Na prática, o paciente frequentemente só percebe a doença quando já apresenta alguma alteração visual, o que significa que o tumor pode estar em estágio avançado. No entanto, ele pode também ser descoberto em exames de rotina.

O melanoma ocular é descrito como relativamente tratável e controlável, especialmente com o uso de placas radioativas — pequenos dispositivos colocados sobre o olho para promover a regressão do tumor. Já o retinoblastoma representa um quadro muito mais grave quando não tratado.

“Retinoblastoma é um câncer que não tratado pode ter 90% de mortalidade”, afirmou Belfort Jr. Com tratamento adequado, essa taxa pode cair para menos de 4%.

“Portanto, o diagnóstico precoce e o tratamento são fundamentais”, ressaltou.

Como identificar o retinoblastoma em crianças

Um dos principais sinais de alerta para o retinoblastoma é uma alteração no reflexo do olho. Belfort Jr. explicou que o tumor possui um pigmento diferente na retina, que, ao receber luz, produz um reflexo distinto do normal.

Antigamente, as câmeras fotográficas convencionais capturavam esse reflexo vermelho nos olhos, o que permitia que familiares identificassem a anomalia nas fotos das crianças.

“A família tirava a fotografia da criança e percebia um reflexo diferente no olho — era o retinoblastoma”, descreveu. Com as câmeras modernas, que corrigem esse efeito automaticamente, essa oportunidade de detecção se perdeu.

Diante disso, o papel do pediatra se torna ainda mais relevante.

Segundo Belfort Jr., cabe ao profissional levantar a suspeita clínica, realizar o exame de fundo de olho e encaminhar o paciente para avaliação especializada.

O especialista também destacou que existem tratamentos modernos para o retinoblastoma, incluindo a abordagem endovascular, na qual o medicamento é administrado diretamente na circulação sanguínea que irriga o olho.

Apesar dos avanços, ele reconheceu que persistem dificuldades tanto no tratamento quanto no acesso a ele.

Tumores nas pálpebras: sinais que não devem ser ignorados

Tatiana Nahas abordou os tumores que afetam a região externa do olho, especialmente as pálpebras.

De acordo com ela, o tipo mais frequente é o carcinoma basocelular, uma forma de câncer de pele. “O câncer de pele é muito prevalente em nosso meio, e na pálpebra a gente tem pele”, explicou.

As manifestações podem variar, mas Nahas destacou dois sinais principais de alerta: o surgimento de uma pequena elevação ou de uma ulceração que não cicatriza. “Geralmente são lesões que crescem, sangram e formam uma casquinha”, descreveu.

A especialista também chamou atenção para um tipo de tumor mais raro, porém perigoso, que acomete principalmente pacientes mais idosos: o carcinoma de glândulas sebáceas.

Esse tumor pode imitar um terçol comum, o que dificulta o diagnóstico.

“Muitas vezes, o paciente mais idoso tem um terçol, faz uma cirurgia, e o terçol volta na mesma localização”, alertou Nahas.

Nesses casos, ela recomenda procurar um oftalmologista especialista em pálpebras para realizar o diagnóstico diferencial, pois a recorrência pode indicar algo maligno.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites.

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