InícioPolíticaAceleração da inflação justifica Selic em 13,75%, diz Copom

Aceleração da inflação justifica Selic em 13,75%, diz Copom

Aceleração da inflação justifica Selic em 13,75%, diz Copom

Banco Central eleva projeção do IPCA para 5,6% em 2026 e cita riscos fiscais, alta do petróleo e câmbio depreciado

Sérgio Lima/Poder360 – 26.mar.2026

Simone Kafruni

de Brasília

4.nov.2026 (quarta-feira) – 18h55

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O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano nesta 4ª feira (4.nov.2026). O colegiado indicou como motivos a aceleração da inflação, o aumento das expectativas para os próximos anos e os riscos associados à política fiscal, ao câmbio e à alta dos preços do petróleo.

A decisão foi anunciada depois da reunião de 2 dias do comitê, realizada na 3ª feira (3.nov) e nesta 4ª feira (4.nov). Eis a íntegra do comunicado (PDF – 114 kB).

O Banco Central interrompeu o ciclo de cortes da Selic em um cenário de desaceleração mais acentuada da economia brasileira, mas com inflação acima do limite superior da meta.

A decisão foi unânime entre os 7 integrantes do Copom. O comunicado não apresentou sinalização explícita sobre quando os cortes poderão ser retomados.

INFLAÇÃO ACIMA DA META

O BC também elevou suas projeções para a inflação e alertou para a deterioração das expectativas de preços.

Segundo o comunicado, a inflação acumulada e a média das medidas subjacentes aceleraram nas divulgações mais recentes e ficaram acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.

As expectativas de inflação apuradas pela pesquisa Focus também se afastaram da meta de 3%. As estimativas passaram a indicar:

  • 2026 – inflação de 5,2%;
  • 2027 – inflação de 4,8%.

No cenário de referência do próprio Copom, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) chegou a 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027.

Para o 2º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, a estimativa subiu para 3,5%, acima do centro da meta.

O BC afirmou que incorporou às projeções os choques de oferta observados desde a reunião anterior, principalmente os relacionados ao petróleo e seus derivados.

RISCOS FISCAIS E CÂMBIO

O Copom destacou que continua acompanhando os efeitos da política fiscal sobre os ativos financeiros e a condução da política monetária.

“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, afirmou.

Entre os principais riscos para a inflação, o BC citou a possibilidade de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada, estímulos ao consumo e manutenção da inflação de serviços acima do esperado.

O colegiado também alertou para a desancoragem das expectativas de inflação em prazos mais longos, que dificulta o processo de redução dos preços e aumenta o custo da política monetária.

PETRÓLEO E CENÁRIO EXTERNO

O BC avaliou que o ambiente internacional se tornou mais adverso com o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços do petróleo e derivados.

A manutenção de políticas monetárias mais restritivas nas economias avançadas também foi apontada como fator de risco para países emergentes, diante da maior volatilidade dos ativos financeiros e das commodities.

Segundo o Copom, esses fatores exigem cautela na condução da política monetária brasileira.

ECONOMIA DESACELERA

Apesar dos riscos inflacionários, o BC disse que a atividade econômica brasileira apresenta uma desaceleração mais intensa do que a observada anteriormente.

O enfraquecimento se concentra principalmente nos setores mais sensíveis aos juros. O mercado de trabalho permanece resistente, mas já apresenta sinais de perda de força.

O Copom afirmou que os indicadores são compatíveis com uma trajetória de desaceleração da economia ao longo de 2026.

O colegiado destacou que a Selic permanece em nível substancialmente contracionista, ou seja, elevado o suficiente para restringir o consumo e os investimentos e ajudar a conter a inflação.

“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou.

DECISÃO UNÂNIME

A manutenção da Selic foi aprovada pelos 7 integrantes do Copom:

  • Gabriel Galípolo (presidente);
  • Ailton de Aquino Santos;
  • Gilneu Francisco Astolfi Vivan;
  • Izabela Moreira Correa;
  • Nilton José Schneider David;
  • Paulo Picchetti;
  • Rodrigo Alves Teixeira.

A decisão interrompeu a sequência de cortes dos juros iniciada anteriormente pelo Banco Central. Na reunião de setembro, o colegiado havia reduzido a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Simone Kafruni.

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