TSE manda remover posts de detidos com camisetas de Lula
Estela Aranha considerou associação entre PT e criminalidade sem provas; policiais são acusados de obrigar suspeitos a usar as peças
Reprodução/X @DerriteSP – 21.out.2026
PODER360
24.out.2026 (sábado) – 8h27
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O Tribunal Superior Eleitoral determinou a remoção de publicações que mostram suspeitos de tráfico usando camisetas de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante uma ocorrência policial em Piracicaba (SP). A decisão da ministra Estela Aranha, de 5ª feira (22.out.2026), atendeu a um pedido da coligação do presidente e estabeleceu prazo de 3 horas para a retirada pelas plataformas. Eis a íntegra (PDF – 202 kB).
A ministra considerou que as imagens foram utilizadas para associar o PT à criminalidade sem elementos que sustentassem essa relação. Segundo a decisão, vestir uma camiseta de campanha também não comprova a preferência eleitoral dos detidos.
Aranha ressaltou que a denúncia de que policiais teriam colocado as peças nos suspeitos depende de investigação. O fundamento para remover as publicações, porém, permanece mesmo sem uma conclusão sobre a origem das roupas.
A ordem alcança conteúdos divulgados por Guilherme Derrite (PP), Carlos Jordy (PL), pelo policial militar conhecido como Cabo Müller e pelo canal Tropa do Flávio, no WhatsApp. As publicações apareciam como indisponíveis na 6ª feira (23.out).
Denúncias sobre a abordagem
O episódio foi na 4ª feira (21.out), na comunidade Vitória Pantanal. Dois adultos foram presos e um adolescente foi apreendido. Segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), foram encontrados um revólver, 160 porções de cocaína e R$ 340.
Familiares, moradores e mulheres que atuavam na campanha petista afirmam que os detidos vestiam outras roupas quando foram abordados. As mulheres relatam que policiais exigiram a entrega de camisetas e utilizaram as peças para vestir os suspeitos. A deputada estadual Professora Bebel (PT) também denunciou a atuação dos agentes.
A mãe do adolescente e militantes relataram ainda agressões durante a ocorrência. Entre as denúncias está a de que uma menina de 14 anos, irmã do adolescente apreendido, teria sido atingida por um policial.
Um dos presos, de 21 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que os agentes encontraram camisetas em um barraco e mandaram que os abordados as vestissem. O mesmo jovem declarou não ter sofrido violência.
A PM informou que a ocorrência começou com uma denúncia ao telefone 190, que descrevia suspeitos vendendo drogas e usando camisetas alusivas à campanha. A corporação declarou ter aberto procedimento para apurar as acusações.
O vereador Renan Paes (PL) divulgou um áudio que atribuiu à ligação. Nele, o denunciante diz acreditar que os suspeitos usavam camisetas de Lula. A autenticidade da gravação divulgada não foi confirmada pela polícia.
Em nota enviada ao Poder360, Derrite afirmou que publicou o vídeo para chamar atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico. Disse não ter mencionado as camisetas e defendeu a apuração das denúncias pelos órgãos competentes.
Apuração e preservação de provas
A Polícia Civil registrou boletim de ocorrência com suspeitas de ameaça, constrangimento ilegal e abuso de autoridade. Segundo o delegado Alex Adami, a atuação dos PMs será investigada pela Corregedoria da corporação por meio de inquérito policial militar.
Após audiência de custódia, o jovem de 21 anos foi liberado com medidas cautelares. O homem de 24 anos permaneceu preso, e o adolescente foi encaminhado à Fundação Casa.
O PT apresentou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e pediu investigação sobre o episódio, que classifica como uma tentativa de prejudicar a campanha de Lula. A Ouvidoria das Polícias de São Paulo solicitou o afastamento dos agentes do serviço operacional. Eis a íntegra (PDF – 4 MB).
O Ministério da Justiça enviou 3 ofícios aos órgãos de segurança de São Paulo, cobrando informações sobre as providências adotadas e a preservação das provas. O pedido inclui imagens de câmeras corporais e de viaturas, videomonitoramento, registros operacionais e gravações das chamadas ao 190.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · PODER360.
