InícioBrasilQuem é Benjamin Netanyahu, candidato à reeleição em Israel?

Quem é Benjamin Netanyahu, candidato à reeleição em Israel?

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, tenta se manter no poder nas eleições realizadas em 27 de outubro no país. No poder em diferentes períodos desde 1996, ele é uma das figuras mais permanentes e influentes da política israelense.

Netanyahu construiu sua trajetória política com um discurso voltado à segurança nacional e ao combate ao terrorismo.

Ao longo dos anos, também esteve no centro de controvérsias envolvendo políticas relacionadas aos palestinos, uma reforma do sistema judicial e investigações por corrupção.

Origem

Netanyahu nasceu em 21 de outubro de 1949, em Tel Aviv, pouco mais de um ano após a fundação do Estado de Israel. Filho do historiador Benzion Netanyahu e de Cela Netanyahu, cresceu em Jerusalém e passou parte da adolescência nos Estados Unidos.

Ele retornou a Israel em 1967 para cumprir o serviço militar nas Forças de Defesa de Israel. Ele integrou a Sayeret Matkal, uma unidade de elite das forças israelenses, e participou de operações especiais, incluindo o resgate de reféns de um avião da companhia aérea belga Sabena, sequestrado em 1972.

Em 1972, concluiu o serviço militar regular, retornando às atividades militares durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, quando foi promovido a capitão da reserva.

Depois do serviço militar, estudou no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, onde se formou em arquitetura e concluiu um mestrado em administração de empresas. Também estudou ciência política no MIT e na Universidade de Harvard.

Entre 1976 e 1982, trabalhou no setor privado. Primeiro, atuou na consultoria internacional Boston Consulting Group e, depois, ocupou um cargo de direção na empresa de mobiliário Rim Industries.

Ainda nos anos 70, fundou o Instituto Yonatan, em homenagem ao seu irmão, morto em uma operação de resgate a reféns em um avião sequestrado da Air France, em Uganda.

O instituto tinha como foco o estudo do terrorismo, passando a defender a cooperação internacional a esse tipo de ameaça.

A organização promoveu conferências internacionais em 1979 e 1984 para discutir formas de combater essas organizações. Netanyahu também escreveu e organizou livros sobre o tema, entre eles Terrorism: How the West Can Win, publicado em 1987.

Diplomacia e liderança do Likud

A carreira pública de Netanyahu obteve destaque na década de 1980. Entre 1982 e 1984, atuou como vice-chefe da missão diplomática de Israel em Washington. Em seguida, foi embaixador israelense nas Nações Unidas, cargo que ocupou de 1984 a 1988.

Em 1988, retornou a Israel e foi eleito para o Knesset, o Parlamento do país, pela lista do Likud. Na sequência, assumiu o cargo de vice-ministro das Relações Exteriores durante o governo do premiê Yitzhak Shamir.

Em 1993, Netanyahu foi eleito presidente do Likud, tornando-se líder da oposição. Na época, defendia posições consideradas linha-dura em questões de segurança e se posicionava a favor da privatização de empresas estatais.

Primeiro mandato

Netanyahu foi eleito primeiro-ministro em 1996, com 50,49% dos votos, em uma disputa contra Shimon Peres. A campanha foi organizada com estratégias inspiradas em eleições americanas e teve como lema “Paz com Segurança”.

Embora tivesse ressalvas em relação ao reconhecimento da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e aos Acordos de Oslo, Netanyahu se reuniu com o líder palestino Yasser Arafat pela primeira vez em setembro de 1996. Na ocasião, os líderes afirmaram estar comprometidos com o acordo de paz interino entre Israel e a OLP.

O líder palestino Yasser Arafat, o rei Hussein da Jordânia, o presidente Bill Clinton e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, durante os cumprimentos na cerimônia de assinatura do acordo de paz de Wye, na Casa Branca • Dirck Halstead/Getty Images

Durante seu primeiro mandato, o governo israelense assinou o Protocolo de Hebron, em janeiro de 1997, e o Memorando de Wye River, em outubro de 1998. Os acordos integravam o processo de negociações entre israelenses e palestinos.

O período foi marcado por divergências dentro da coalizão governista, conflitos sobre a condução das negociações e dificuldades para aprovar o orçamento. A renúncia de ministros e os desentendimentos entre os partidos que sustentavam o governo também tiveram impacto na administração.

Em 1999, Netanyahu perdeu a eleição para o trabalhista Ehud Barak e deixou o cargo. Na sequência, se afastou temporariamente da política e voltou a trabalhar no setor privado.

Retorno à política

Netanyahu voltou ao governo em 2002, como ministro das Relações Exteriores. No ano seguinte, assumiu o Ministério das Finanças, cargo que ocupou até 2005.

Em agosto de 2005, renunciou ao cargo de ministro das Finanças em protesto contra o plano de retirada dos assentamentos israelenses da Faixa de Gaza. A medida, implementada naquele ano pelo governo de Ariel Sharon, previa a retirada dos colonos israelenses do território.

Em dezembro de 2005, Netanyahu voltou à liderança do Likud. Após as eleições de 2009, conseguiu formar uma coalizão e reassumiu o cargo de primeiro-ministro, iniciando o período mais longo de sua trajetória à frente do governo.

A eleição de 2009, marcada pela disputa de Netayahu e sua principal rival, Tzipi Livni, apresentou resultados incertos, mas o candidato obteve apoio do parlamento e se tornou primeiro-ministro designado.

Netanyahu permaneceu no poder até 2021. Durante esse período, defendeu o fortalecimento militar de Israel e a ampliação das relações econômicas e diplomáticas com outros países.

Um dos principais focos de sua política externa foi a oposição ao programa nuclear do Irã. Como primeiro-ministro, defendeu a adoção de sanções internacionais contra Teerã e levou o tema a discursos na ONU e no Congresso dos Estados Unidos. Em diferentes ocasiões, afirmou que Israel deveria manter a capacidade de se defender sem depender de outros países.

A relação com Washington também resultou em um acordo de assistência militar de dez anos, no valor de US$ 38 bilhões, assinado durante o governo do presidente Barack Obama.

Na política regional, o governo adotou uma postura de resposta militar a ataques contra Israel e promoveu ações de segurança nas fronteiras. Netanyahu também defendeu a cooperação entre Israel, Estados Unidos e outros países do Oriente Médio contra grupos extremistas.

Em setembro de 2020, durante o primeiro mandato do presidente americano Donald Trump, Netanyahu participou da cerimônia de assinatura dos acordos de normalização das relações entre Israel, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, conhecidos como Acordos de Abraão.

O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani; o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; e o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed bin Sultan Al Nahyan, participam da cerimônia de assinatura dos Acordos de Abraão no gramado sul da Casa Branca, em 15 de setembro de 2020 • Alex Wong/Getty Images

Instabilidade e queda do governo

Em março de 2020, o Likud conquistou 59 cadeiras nas eleições, três a menos do que o necessário para obter a maioria. Em abril, Netanyahu e Benny Gantz, seu adversário político, anunciaram um acordo para formar um governo de emergência nacional.

A administração tomou posse em maio, com Gantz como primeiro-ministro alternativo e previsão de que ele assumisse o comando do governo em novembro de 2021.

Porém, a coalizão não resistiu às divergências internas. Em dezembro de 2020, o governo entrou em colapso depois que o Parlamento não conseguiu aprovar os orçamentos de 2020 e 2021 dentro do prazo. O impasse levou à dissolução do Parlamento e a novas eleições.

Em março de 2021, os israelenses voltaram às urnas. Apesar de o Likud permanecer como a maior força parlamentar, Netanyahu não conseguiu reunir apoio suficiente para formar um novo governo.

Em 13 de junho, Naftali Bennett assumiu o cargo de primeiro-ministro, encerrando um período de 12 anos consecutivos de Netanyahu no poder.

A administração de Bennett também enfrentou dificuldades para manter sua maioria parlamentar. Em 2022, a coalizão perdeu apoio e decidiu antecipar as eleições. Netanyahu voltou a disputar o comando do governo e, após as eleições parlamentares de novembro, conseguiu formar uma nova coalizão. Em 29 de dezembro de 2022, tomou posse novamente como primeiro-ministro, cerca de 18 meses depois de deixar o cargo.

Reforma judicial e protestos

Após retornar ao cargo, o governo de Netanyahu avançou com uma proposta de reforma do sistema judicial, que provocou ondas de protestos pelo país.

Em março de 2023, o premiê resistiu aos apelos para abandonar o projeto. A proposta buscava alterar o equilíbrio entre os poderes e reduzir a capacidade de intervenção da Justiça em decisões do governo e do Parlamento.

Em julho daquele ano, o Knesset aprovou uma das principais medidas da reforma, relacionada ao chamado princípio da razoabilidade, que permite à Justiça avaliar determinadas decisões administrativas. Em janeiro de 2024, a Suprema Corte israelense derrubou uma parte central da legislação.

Os críticos da reforma afirmavam que as mudanças enfraqueceriam os mecanismos de controle sobre o governo e ameaçariam a democracia israelense. Netanyahu e seus aliados defendiam a necessidade de modificar o funcionamento do Judiciário.

A polícia de Israel intervém em protesto contra projeto de lei que limita poderes da Suprema Corte, em 24 de julho de 2023. • Getty Images

Os ataques de 7 de outubro e a guerra em Gaza

Em 7 de outubro de 2023, integrantes do Hamas lançaram um ataque contra Israel a partir da Faixa de Gaza. A ofensiva deixou 1.200 mortos e levou à captura de 251 reféns.

Naquele dia, Netanyahu declarou que Israel estava em guerra. O governo iniciou uma ampla operação militar na Faixa de Gaza, com o objetivo declarado de combater o Hamas e recuperar os reféns.

O conflito provocou destruição em larga escala e uma grave crise humanitária no território palestino. Dados do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, apontam que o conflito deixou ao menos 74 mil mortos e 173.514 feridos até junho de 2026.

Vista de prédios destruídos na Faixa de Gaza • REUTERS

Em outubro de 2025, Netanyahu afirmou que a luta de Israel ainda não havia terminado, mesmo após um acordo de cessar-fogo com o Hamas. Na ocasião, prometeu alcançar todos os objetivos da guerra.

Em 2026, uma comissão independente de inquérito da Organização das Nações Unidas afirmou que forças e autoridades israelenses haviam cometido genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra contra crianças palestinas. Segundo a comissão, pelo menos 20.179 crianças foram mortas entre 7 de outubro de 2023 e 7 de outubro de 2025.

Israel rejeitou as conclusões e classificou o relatório como “difamatório e tendencioso”. A missão israelense em Genebra afirmou que o país trabalha para minimizar danos a crianças durante conflitos e negou ter atacado deliberadamente menores.

Mandado de prisão

Em novembro de 2024, o Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão contra Netanyahu durante parte da guerra em Gaza.

O tribunal afirmou ter encontrado “motivos razoáveis” para acreditar que Netanyahu e o então ministro da Defesa, Yoav Gallant, tinham responsabilidade criminal por crimes cometidos entre 8 de outubro de 2023 e 20 de maio de 2024.

Entre as acusações estão o uso da fome como método de guerra, assassinato, perseguição e outros atos considerados desumanos. O TPI também apontou responsabilidade pelo crime de guerra de direcionar intencionalmente ataques contra a população civil.

Sede do Tribunal Penal Internacional, em Haia • 22 de setembro de 2025 REUTERS/Piroschka van de Wouw

Investigações por corrupção

Netanyahu também enfrenta acusações criminais em Israel. As investigações por corrupção começaram a ganhar destaque público em 2017, quando ele foi interrogado por suspeitas de ter recebido benefícios de empresários.

Em fevereiro de 2018, a polícia israelense afirmou haver evidências suficientes para recomendar seu indiciamento em dois casos. As suspeitas incluíam suborno, fraude e abuso de confiança. Netanyahu negou as acusações e afirmou que elas tinham motivação política.

Um dos casos ficou conhecido como Caso 4000. A investigação apurou a suspeita de que Netanyahu teria concedido benefícios regulatórios a um empresário em troca de cobertura favorável em um veículo de comunicação. Os benefícios investigados poderiam chegar a 1 bilhão de shekels, equivalentes, à época, a cerca de US$ 280 milhões.

Em fevereiro de 2019, o procurador-geral de Israel anunciou a intenção de indiciar Netanyahu por acusações de suborno e abuso de confiança relacionadas a três investigações, após uma audiência. Em novembro daquele ano, foram anunciadas formalmente acusações de suborno, fraude e quebra de confiança nos três casos.

Em janeiro de 2020, Netanyahu foi formalmente indiciado, pouco depois de retirar um pedido de imunidade parlamentar. Ele negou ter cometido irregularidades e afirmou que as acusações eram parte de uma tentativa política de afastá-lo do poder.

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu depõe em julgamento • 12 de março de 2025 Yair Sagi/Pool via REUTERS

Eleições de Israel

Esse será o primeiro pleito desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que abalou o país e mergulhou o Oriente Médio em turbulência.

Embora as pesquisas prevejam derrota de Netanyahu, as eleições podem ser complexas devido a um sistema político fragmentado, no qual qualquer um pode emergir como uma figura decisiva na formação de coalizões.

O sistema eleitoral israelense é parlamentar. A votação para o Parlamento, o Knesset, com 120 cadeiras, ocorre a cada quatro anos. Porém, na prática, poucas legislaturas do Knesset cumpriram o mandato completo.

Israel ficou preso em um ciclo de governos de curta duração e eleições que começou em 2019 e terminou em 2022, quando Netanyahu garantiu uma maioria parlamentar sólida e retornou ao poder à frente do governo.

A próxima eleição marcará um dos raros casos em que uma legislatura do Knesset completou o mandato integral.

Quem são os principais rivais de Netanyahu?

O ex-chefe militar Gadi Eisenkot, que perdeu um filho na Faixa de Gaza, tem crescido nas pesquisas.

Eisenkot projetou uma imagem de alguém de fora da política tradicional — um soldado e defensor de uma linha dura em segurança —, cuja origem humilde e sacrifícios familiares contrastam fortemente com as décadas de Netanyahu em altos cargos e com as acusações de corrupção contra ele.

Há também os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid, cuja aliança, apesar de estarem em lados opostos do espectro político, tirou Netanyahu do poder nas eleições de 2021.

Eles formaram um governo heterogêneo composto por partidos liberais e conservadores e, pela primeira vez na história de Israel, por um partido árabe islâmico. A administração durou 18 meses.

O ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman já foi assessor e aliado de Netanyahu e também aparece como possível rival.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por lucasoliveira.

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