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Itamaraty diz que Milei tenta interferir nas eleições brasileiras

Itamaraty diz que Milei tenta interferir nas eleições brasileiras

Ministério rebateu críticas do presidente argentino, que disse que Lula tentaria “roubar a eleição”

Reprodução/X @JMilei – 1º.out.2026

Ana Mião

de Brasília

20.out.2026 (terça-feira) – 18h13

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O Itamaraty classificou nesta 3ª feira (20.out.2026) as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei (La Libertad Avanza, direita), sobre as eleições brasileiras como uma “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. O argentino criticou o sistema de voto brasileiro e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “ladrão”.

Em nota, o ministério classifica as manifestações de Milei “como incompatíveis com a postura esperada de um chefe de Estado de um país amigo”. Também afirmou que o argentino repete afirmações daqueles que “protagonizaram o golpe militar fracassado”, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro –condenado por tentativa de golpe de Estado.

“O Presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos. Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”, afirmou o Itamaraty.

Em seu perfil no X (ex-Twitter), o presidente argentino republicou um vídeo que associava uma fala de Lula ao machismo. Em publicação anterior, Milei chamou o petista de “autoritário“.

“Depois, saem por aí acusando todos os seus oponentes de serem misóginos… a verdadeira face deles está aparecendo, esses criminosos… Espero que o último truque sujo da campanha deles não inclua roubar a eleição… esquerdista ladrão”, declarou Milei.

O Itamaraty rebateu as críticas ao sistema eleitoral brasileiro. Segundo a nota, o voto eletrônico nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais de todo o mundo já atestaram sua segurança no 1º turno das eleições.

Leia a nota do Itamaraty:

“As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro.

“O Presidente da República Argentina reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos. Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo.

“O sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições. A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25.”

CRISE DIPLOMÁTICA

Os países, que historicamente têm uma relação amistosa, passaram pelo rebaixamento nas relações diplomáticas após Milei declarar apoio a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e ofender Lula.

Em agosto, o governo Lula comunicou que o então embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, permaneceria no Brasil até Javier Milei parasse de ofender autoridades brasileiras. Posteriormente, embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi liberado para retornar ao país natal.

O motivo da decisão foi a escalada de tensão entre Lula e Milei, iniciada no fim de julho. Durante a convenção nacional do Partido Liberal, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência da República, Milei chamou o socialismo de “lixo”, afirmou que o Brasil sofre com o “risco Lula” e ainda xingou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de “lixo careca”.

Lula rebateu 2 dias depois, em 27 de julho, ironizando as falas do argentino. Mas Milei retornou com os xingamentos, desta vez chamando o brasileiro de “ladrão” e “corrupto”.

Na diplomacia, a retirada temporária ou permanente de um embaixador de seu posto é um indicativo forte do rebaixamento no status da relação, evidenciando um grande desgaste nas relações entre os governos.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Ana Mião.

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