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Governo prepara pacote para Lula 4, mas Tesouro nega IOF definido

Governo prepara pacote para Lula 4, mas Tesouro nega IOF definido

Secretário Daniel Leal diz que medidas serão anunciadas por Lula e Durigan e nega proposta pronta para taxar títulos isentos

Daniel Dan (via Unsplash) – 1º.jun.2022

Simone Kafruni

de Brasília

29.out.2026 (quinta-feira) – 12h03

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O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, afirmou nesta 5ª feira (29.out.2026) que a equipe econômica trabalha em um pacote de medidas para o 4º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 2027 a 2030. As propostas incluem ações para melhorar o equilíbrio das contas públicas. 

O secretário negou, porém, que o governo tenha definido a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre títulos de investimento atualmente isentos. A declaração foi dada durante apresentação do RTN (Resultado do Tesouro Nacional de setembro).

Segundo Leal, as medidas ainda estão em discussão e serão apresentadas pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e pelo presidente Lula quando estiverem prontas.

O secretário não antecipou quais propostas poderão integrar o pacote nem informou uma data para o anúncio. Disse que as discussões sobre política econômica e fiscal são permanentes dentro do governo e que cabe às autoridades responsáveis comunicar eventuais decisões.

A preparação das medidas se dá depois da reeleição de Lula, no domingo (25.out), em meio à pressão do mercado financeiro por iniciativas capazes de conter o crescimento da dívida pública e melhorar os resultados fiscais.

TÍTULOS ISENTOS

Leal negou que exista uma medida pronta para cobrar IOF sobre instrumentos financeiros atualmente isentos, como as LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e as LCA (Letras de Crédito do Agronegócio).

“Discussão de fato, para endereçar com alguma medida, não houve. Debater sobre o tema, sempre”, afirmou.

O secretário disse que o Tesouro mantém discussões sobre a tributação dos instrumentos financeiros para reduzir distorções e promover maior isonomia entre diferentes modalidades de investimento.

Ressaltou, no entanto, que esses debates não significam que o governo tenha decidido aplicar o imposto.

“Discussão sempre vai ter sobre esse tema e outros. Mas não há medida pronta para tributar instrumentos com IOF”, declarou.

Segundo Leal, eventuais mudanças na tributação do mercado financeiro precisam considerar seus impactos e possíveis regras de transição, para evitar efeitos negativos sobre os investimentos.

AJUSTE FISCAL

A discussão sobre novas medidas se dá em um cenário de resultados fiscais negativos e pressão sobre o endividamento federal.

O Governo Central acumulou deficit primário de R$ 90,2 bilhões de janeiro a setembro de 2026, ante saldo negativo de R$ 100,3 bilhões no mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional.

Em 12 meses, o deficit chegou a R$ 49,5 bilhões, equivalente a 0,38% do PIB (Produto Interno Bruto).

Para o encerramento de 2026, a equipe econômica estima deficit primário de R$ 67,3 bilhões, depois de considerar o contingenciamento de R$ 13,6 bilhões.

A projeção indica cumprimento do limite inferior da meta fiscal, de zero, depois da exclusão de R$ 67,3 bilhões em despesas autorizadas pela legislação. O centro da meta corresponde a um superavit de R$ 34,3 bilhões.

O desafio do próximo mandato será melhorar os resultados fiscais e conter o avanço da dívida pública, em um ambiente de juros elevados e despesas obrigatórias crescentes.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Simone Kafruni.

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