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Governo Lula cobra explicações à Argentina sobre fuga de Flávio

Governo Lula cobra explicações à Argentina sobre fuga de Flávio

Itamaraty chamou a encarregada de negócios da embaixada em Brasília; Milei é suspeito de ajudar senador a deixar o país

Reprodução/X @LLibertadAvanza – 25.jul.2026

Lara Brito

de Brasília

30.out.2026 (sexta-feira) – 14h16

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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu explicações à Argentina sobre o papel do governo de Javier Milei na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país. O pedido foi feito na 5ª feira (29.out), em conversa com a encarregada de negócios da Embaixada argentina, a ministra-conselheira Emilia Cortés. A informação foi revelada pela jornalista Janaína Figueiredo, do UOL, e confirmada pelo Poder360.

O ministério de Relações Exteriores pediu esclarecimentos sobre o que aconteceu. Este jornal digital apurou que a convocação da representante vinha sendo avaliada no Itamaraty ao longo da semana. O Poder360 informou na 5ª feira (29.out) que a pasta poderia convocar a encarregada de negócios. Outra opção era o chanceler Mauro Vieira pedir explicações diretamente ao colega argentino, Pablo Quirno, Ministro das Relações Exteriores do país vizinho.

O chanceler brasileiro viajou também na 5ª feira (29.out) à noite para Atlanta, onde participará de reunião de chanceleres do G20 presidida pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Não há encontro bilateral previsto, mas Vieira poderá cobrar explicações do chanceler argentino no evento.

EMBAIXADORES

Publicamente, Lula não deve se manifestar sobre o assunto. O governo também não avalia, por ora, normalizar o nível da representação diplomática com a Argentina e os Estados Unidos.

Desde agosto, o Brasil mantém o embaixador fora de Buenos Aires, em decisão do Itamaraty depois de Milei chamar Lula de “presidiário” e “ladrão” durante a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio, em São Paulo, em 25 de julho. No dia seguinte, o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, foi chamado à capital federal brasileira. O governo brasileiro rebaixou o nível da representação, mas não rompeu formalmente as relações.

Em 4 de agosto, o Itamaraty decidiu mantê-lo no Brasil enquanto continuassem os ataques e rebaixou as relações ao nível de encarregado de negócios. Não há prazo para a volta de Bitelli a Buenos Aires.

Com os Estados Unidos, a situação é diferente. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément ao indicado Daniel Perez para a embaixada em Brasília. Em agosto, como retaliação à demora, o governo norte-americano revogou o visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, que permanece no posto.

O Poder360 apurou que a autorização não deve sair no curto prazo, mas pode ser dada ainda neste ano. Depende de Perez não endossar a tese de fraude eleitoral e de o presidente Donald Trump (Partido Republicano) parar de contestar o resultado da eleição brasileira.

ENTENDA O CASO

Lula foi reeleito no domingo (25.out), com cerca de 64 milhões de votos. Dois dias depois, Flávio fugiu do Brasil pela fronteira com a Argentina e seguiu de jato para Miami, com escala no Equador. Chegou aos EUA na 4ª feira (28.out), com a mulher e as filhas.

Ele estava com os passaportes cancelados por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A PF apura como ele deixou o país.

Em Buenos Aires, o governo Milei negou no início que Flávio tivesse entrado no território. Depois, a Migração argentina informou que ele cruzou a fronteira com a mulher e as duas filhas.

Segundo o jornal argentino Perfil, o voo custou US$ 140 mil e foi pago por um corretor americano. O The New York Times informou que o avião foi providenciado por Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca. O Clarín relatou que Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, esteve em Puerto Iguazú na noite do embarque. O site Urgente24 afirmou que a polícia aeroportuária argentina escoltou o grupo.

Em Miami, Flávio divulgou uma carta dizendo que não reconhece o resultado das eleições. Disse que o pleito foi fraudado, sem provas, e se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Depois,  trocou a expressão por “líder do Brasil”. Segundo a colunista Mariana Sanches, do UOL, a mudança ocorreu após pressão do Departamento de Estado americano.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Lara Brito.

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