O apresentador e jornalista Fred Bruno, que foi atingido no pé após uma arma do deputado estadual Marcelo Theodoro de Aguiar (PL) ser disparada dentro do Santo Cupido Bar, na zona Sul de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (19), relatou, pela primeira vez, após o ocorrido, que está bem, mas que está revoltado com a situação e como poderia ter sido pior.
“Então, queria dizer que estou bem, está tudo certo, porém, não dá para dizer que eu não estou revoltado com o que aconteceu ontem, porque hoje eu estou bem, mas poderia ter acontecido algo muito grave comigo, que eu não gosto nem de pensar, e poderia ter acontecido algo muito grave com outra pessoa e até com outras pessoas que estavam dentro do estabelecimento”, relatou nas redes sociais.
Relato do momento do ocorrido
Segundo o relato do apresentador, ele estava no estabelecimento que frequenta há anos com amigos, quando, de repente escutou um barulho que nunca havia escutado antes. Neste momento, ele sentiu uma pressão no pé.
“A partir do momento que eu estava me afastando, as pessoas estavam se aglomerando mais perto do palco, conforme eu ia andando, eu comecei a mancar, porque simultaneamente que eu senti esse, que eu ouvi esse barulho, que eu senti esse impacto, o meu pé começou a inchar e começou a latejar muito forte, começou uma queimação muito estranha, uma dor que eu nunca tinha sentido antes ali e aí eu falei, cara, aconteceu alguma coisa. Eu peguei e iluminei com a lanterna do meu celular, né, pedi ajuda dos meus amigos, eles iluminaram ali e eu vi que meu pé estava bem roxo”, explica Fred.
Ele também ressalta que teve um primeiro atendimento ainda ali no local.
“Eu fui prontamente atendido pelos bombeiros, eles já fizeram todos os procedimentos, e aí a polícia chegou no local e eles vieram falar comigo, me coloquei prontamente à disposição”, informou.
Fred deve tomar as medidas cabíveis
O jornalista explicou que já buscou uma assessoria judicial, assessoria jurídica, um médico para fazer o laudo, para fazer o relatório, e apresentar à delegacia.
“Vou apresentar às autoridades pra que todo esse caso seja esclarecido porque um fato desse, ele não pode ser passado impune, né, uma pessoa, de acordo com tantos relatos que a gente ouviu durante o dia de hoje, uma pessoa completamente despreparada pra ter uma arma em mãos, uma pessoa importunando outras pessoas, então realmente foi algo muito grave que aconteceu e poderia ter sido mil vezes pior, então obviamente que estou aqui 100% disponível às autoridades pra fazer todo e qualquer tipo de esclarecimento sobre esse caso”, ressaltou.
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Confusão em bar
Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados para atender a uma ocorrência de disparo no estabelecimento, localizado em Vila Nova Conceição.
Ao chegarem, encontraram Marcelo Theodoro na calçada, acompanhado por integrantes da equipe de segurança do bar.
Os seguranças relataram que o disparo foi feito com uma pistola Glock G42, calibre .380, e que, após o tiro, Marcelo teria sido conduzido à área externa e desarmado. O gerente do estabelecimento foi quem acionou a Polícia Militar.
Em depoimento na delegacia, uma testemunha afirmou que Marcelo teria importunado mulheres que estavam no local.
Segundo ela, um homem se aproximou do deputado e pediu que ele parasse. Marcelo teria atendido ao pedido, mas permaneceu no mesmo lugar.
Na sequência, outros dois homens se aproximaram e também pediram que ele se afastasse. Nesse momento, foi ouvido um único disparo, e as pessoas presentes se dispersaram.
O deputado, ao ser questionado pelos policiais, optou por não prestar esclarecimentos naquele momento.
Os agentes afirmaram que precisaram algemá-lo durante a abordagem devido ao estado de exaltação e ao receio de risco à integridade física dele ou de outras pessoas.
Segundo a PM, o homem foi encaminhado ao 14º DP (Itaim Bibi), onde o caso foi registrado, com as testemunhas e com um responsável pelo estabelecimento. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que as investigações, no entanto, serão encaminhadas ao 15ºDP.
Anteriormente, a SSP afirmou que ninguém ficou ferido.
Deputado foi preso e liberado
Apesar da ocorrência, a autoridade policial decidiu não formalizar a prisão em flagrante. O despacho cita a imunidade formal dos parlamentares e considera, em uma análise inicial, a possível prática do crime previsto no artigo 15 do Estatuto do Desarmamento, relacionado a disparo de arma de fogo em determinadas circunstâncias.
Segundo a autoridade, não havia, naquele momento, elementos que indicassem a prática de crime inafiançável. No entanto, a arma, uma pistola calibre .380, foi apreendida.
Em nota, a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) afirmou que abriu apuração interna sobre o caso. Veja nota na íntegra:
“A Assembleia Legislativa de São Paulo manifesta preocupação com as informações divulgadas sobre a ocorrência envolvendo o deputado estadual Marcelo Aguiar, na madrugada desta segunda-feira.O caso já está em investigação pelas autoridades policiais competentes.
No âmbito administrativo, a Casa abriu uma apuração interna, por conta das placas oficiais encontradas em veículo que não faz parte da frota.”
O Santo Cupido, bar onde a confusão aconteceu, afirma que está à disposição das autoridades. Veja:
“O Santo confirma que, na madrugada de 19 de outubro de 2026, houve um incidente envolvendo um frequentador em suas dependências. A equipe do estabelecimento acionou as autoridades competentes, que atenderam a ocorrência no local.
O restaurante está colaborando e permanece à disposição das autoridades para o que for necessário ao esclarecimento dos fatos. Por respeito às apurações em curso e às pessoas envolvidas, o estabelecimento não fará outros comentários neste momento.”
A CNN Brasil entrou em contato com a assessoria do deputado e do PL mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.
*Sob supervisão de André Rigue.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por anaclaracampos.
