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Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio Bolsonaro

Campanha de Lula pede ao TSE cassação da chapa de Flávio Bolsonaro

Ação trata de “abuso de poder econômico”, diz que Meta e X atuam como interessadas e quer medidas rápidas antes do 2º turno

Arte/Poder360

Lara Brito

de Brasília

21.out.2026 (quarta-feira) – 22h10

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A coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pediu ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação da chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). A Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) foi protocolada às 20h34 desta 4ª feira (21.out.2026) e trata de possível abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Eis a íntegra (PDF – 2 MB).

O grupo também solicita 8 anos de inelegibilidade para Flávio, Pablo Marçal e Tallis Gomes. A ação atribui à campanha de Flávio possíveis irregularidades relacionadas ao uso de inteligência artificial, à distribuição de conteúdo nas redes e a pagamentos à empresa Elytron.

Segundo a ação, os sistemas de recomendação, as ferramentas de inteligência artificial e a revisão de anúncios da Meta (dona de Instagram, Facebook e WhatsApp) e do X favoreceram repetidamente a candidatura do PL e prejudicaram a de Lula. As duas empresas são citadas como terceiras interessadas, mas o pedido de cassação não é dirigido a elas.

A ação foi distribuída ao corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. O 2º turno é no domingo (25.out.2026).

O que diz a ação

A coligação afirma que o caso não trata do que um candidato disse, mas de quem decide o que o eleitor vê.

A petição cita:

  • rede de 255 perfis com conteúdo sintético, que fez 1.204 publicações e somou 58,6 milhões de visualizações em um mês;
  • perfil de Flávio com 2,96 vezes mais interações por publicação do que o de Lula na 1ª semana do 2º turno, apesar de ter 17,2% menos seguidores;
  • ferramentas de inteligência artificial da Meta e do X que produzem peças com “Flávio 22” e recusam o pedido equivalente com “Lula 13”;
  • conta de anúncios da campanha de Lula desativada antes do 1º turno, e 1.121 relatos de restrição de alcance ou banimento de perfis de apoio;
  • 1.613 anúncios eleitorais pagos em moeda estrangeira, com até R$ 2 milhões recebidos pela Meta e até 171,1 milhões de impressões, segundo relatório do NetLab, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A petição também cita pagamento de R$ 600 mil da campanha de Flávio à empresa Elytron. Segundo reportagem do site Intercept Brasil, a empresa de cibersegurança tentou vender fora do país um sistema que utiliza inteligência artificial para manipular eleições.

Os pedidos

A coligação quer decisões provisórias antes do 2º turno, em 5 blocos:

  • preservação de registros da Meta e do X, com multa diária de R$ 100 mil por empresa;
  • proibição de tratamento desigual entre os candidatos até as 23h59 de domingo (25.out.2026), com multa diária de R$ 1 milhão por plataforma;
  • esclarecimentos técnicos das empresas em 48 horas;
  • novas medidas, a serem analisadas depois dessas respostas;
  • recomposição do alcance pago que a campanha de Lula diz ter perdido em 9 e 10 de outubro, até as 23h59 de sábado (24.out.2026). Uma das alternativas é a concessão de créditos de impulsionamento de R$ 7 milhões.

Ao final do processo, a coligação pede a cassação do registro ou do diploma de Flávio e de Gaspar. Pede também 8 anos de inelegibilidade para Flávio, Pablo Marçal e Tallis Gomes. Para Gaspar, a inelegibilidade só seria aplicada se a investigação mostrar que ele contribuiu para os fatos.

Marçal integra a equipe de campanha de Flávio desde o fim de setembro. Tallis Gomes é ligado a um grupo empresarial parceiro da Elytron, empresa que recebeu R$ 600 mil da campanha do PL. Os 2 não são investigados na ação.

OUTRAS DENÚNCIAS

O governo Lula vê a atuação de empresas de tecnologia também como uma questão de influência geopolítica. Em janeiro de 2025, Sidônio Palmeira, ministro da Secom e marqueteiro da atual campanha de Lula, afirmou que medidas da Meta afrontavam a soberania nacional. Isso foi depois que a empresa mudou suas regras de moderação.

Recentemente, o marqueteiro ligou a suspeita aos Estados Unidos. Disse que a Meta sempre beneficiou a “extrema-direita” e que “estão objetivamente interferindo nas eleições dos brasileiros”. Em julho, o Planalto já avaliava que a pressão dos Estados Unidos contra a regulação de plataformas digitais no Brasil tentava interferir no debate político do país.

A avaliação no governo é de que Donald Trump (Partido Republicano) tem interesse em um resultado favorável à direita brasileira, em um contexto de aproximação entre o presidente norte-americano e Flávio Bolsonaro.

Na campanha, há outras iniciativas relacionadas à atuação de plataformas digitais na eleição. Só no TSE, existem mais de 90 ações sobre redes sociais.

Em setembro, a coligação recorreu à empresa contra a restrição da conta de anúncios do presidente, desativada em 23 de setembro. Na ocasião, os advogados pediram o restabelecimento do perfil e questionaram a justificativa apresentada pela plataforma.

No 2º turno, a coligação também levou ao TSE questionamentos sobre a queda de alcance de publicações favoráveis a Lula e conteúdos considerados desinformativos.

Em outra frente, pediu investigação sobre um possível esquema de distribuição de criptomoedas para estimular a divulgação de propaganda favorável a Flávio Bolsonaro. Na 6ª feira (9.out), o TSE determinou a suspensão do site que oferecia as criptomoedas. A campanha de Flávio disse desconhecer a autoria do site.

A campanha também levou o caso à OEA (Organização dos Estados Americanos). E a manifestação da ONU veio depois que o time de Lula chamou observadores internacionais do TSE para apresentar um relatório sobre o suposto favorecimento a Flávio.

Nesta 3ª feira (20.out), o PT lançou um site para reunir queixas de “censura” e “restrições” de alcance nas redes.

O OUTRO LADO

O Poder360 procurou representantes da Meta e da chapa de Flávio Bolsonaro e Alfredo Gaspar para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito da Aije. A equipe de Tallis Gomes também foi procurada. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

A equipe de Pablo Marçal e da empresa Elytron também foi procurada e informou que vai verificar.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Lara Brito.

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