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Binance diz que repôs 90% dos ativos roubados após ataque de US$ 6 bilhões

Após sofrer um ataque hacker que resultou em um roubo de mais de US$ 6 bilhões em ativos virtuais nesta quinta-feira (29), a Binance anunciou que já repôs 90% dos ativos roubados aos clientes.

A corretora divulgou uma atualização sobre o incidente no X neste sábado (31) e destaca que criptoativos como o bitcoin, ether, USDT e USDC já foram completamente repostos.

Em atualização, a Binance explica que a reposição dos ativos roubados foi feita com fundos reservados para segurança do usuário, fundos de Futuros (mantidos por empresas que oferecem produtos derivativos) e da própria tesouraria da companhia.

A companhia informou na sexta-feira (30) que reservou US$ 6,34 bilhões dos próprios fundos para ressarcir os clientes.

A exchange afirma que o próximo foco é restaurar os saques aos usuários até domingo (1°).

O ataque à Binance foi o maior roubo de criptomoedas da história. Segundo uma pesquisa realizada pela LP Crypto – Consultoria de Investimentos, em parceria com o Genesis Club, outros dez casos também marcaram o mercado. São eles:

  • Bybit (2025): US$ 1,50 bilhão
  • Ronin (2022): US$ 620 milhões
  • Poly Network (2021): US$ 610 milhões
  • BSC Token Hub (2022): US$ 570 milhões
  • Coincheck (2018): US$ 530 milhões
  • FTX (2022): US$ 480 milhões
  • Mt. Gox (2014): US$ 470 milhões
  • Wormhole (2022): US$ 320 milhões
  • DMM Bitcoin (2024): US$ 310 milhões

Saiba o que aconteceu

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, afirmou, em comunicado publicado na rede social X, que inicialmente acreditava que o ataque tivesse envolvido um laptop comprometido.

Ainda segundo o relatório, os hackers esvaziaram uma carteira quente da Binance por meio do EIP-7702. A operação ocorreu em aproximadamente 3 minutos e 24 segundos após a transação-chave.

“No entanto, nossa investigação subsequente descobriu pontos de violação adicionais”, acrescentou a empresa, sem fornecer mais detalhes.

De acordo com o site da corretora, a empresa mantém um fundo de ativos seguro para os usuários, com uma reserva de US$ 1 bilhão em bitcoins, destinada a proteger os clientes em caso de violação de segurança.

O co-CEO Richard Teng afirmou que as perdas seriam cobertas pelo fundo e pelos recursos da própria empresa.

Segundo a empresa americana de análise de blockchain TRM Labs, os criminosos comprometeram a “infraestrutura de assinatura” da Binance, responsável por autorizar transações. Isso permitiu que eles emitissem instruções que esvaziaram as carteiras afetadas.

A maior parte do roubo ocorreu em aproximadamente 20 minutos, conforme mostram os registros da blockchain.

Após transferirem os fundos, os hackers agiram rapidamente para enviá-los a locais fora do alcance das contrapartes da Binance e dos emissores de stablecoins, que conseguiram congelar aproximadamente metade dos ativos roubados.

Uma característica incomum de algumas criptomoedas, incluindo as principais stablecoins, como USDT, da Tether, e USDC, da Circle, é que seus emissores têm a capacidade de congelar os ativos remotamente.

Quem está por trás do ataque?

Diversas empresas americanas de análise de blockchain afirmaram que o ataque apresenta semelhanças com operações anteriores atribuídas a hackers norte-coreanos.

Teng afirmou que a investigação da Binance ainda não identificou os responsáveis pelo ataque. Enquanto isso, a Coreia do Norte nega rotineiramente qualquer envolvimento em ataques cibernéticos e roubos de criptomoedas.

A missão diplomática da Coreia do Norte em Genebra e a embaixada do país na China não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

A TRM afirmou que a violação apresenta características semelhantes às do ataque realizado no ano passado contra a corretora de criptomoedas Bybit, que o FBI atribuiu a hackers norte-coreanos.

A empresa declarou ter alto grau de confiança de que o mesmo grupo foi responsável pelo roubo na Binance.

Já a Chainalysis afirmou que os fundos roubados em um ataque realizado no mês passado contra a Bitget estavam sendo misturados aos recursos provenientes da violação de segurança da Binance.

E agora?

O roubo é o mais recente episódio de uma série de grandes violações envolvendo ativos digitais. Segundo a TRM Labs, os invasores roubaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas em quase 150 incidentes no ano passado.

O ataque também abalou a confiança no setor. As criptomoedas registraram queda na sexta-feira, enquanto o valor total de mercado das stablecoins diminuiu, movimento que sugere que os investidores estavam retirando dinheiro dos ativos digitais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por andrevasconcelos.

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