BC prepara mais regras contra superendividamento até o fim de 2026
Relatório aponta que só 7,6% do consignado privado foi usado para trocar dívida cara; 20,3 milhões de devedores estão em risco
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Gabriel Lopes
de Brasília
27.out.2026 (terça-feira) – 13h08
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O BC (Banco Central) afirmou nesta 3ª feira (27.out.2026) que publicará normas para restringir a oferta de crédito sem garantia ainda em 2026.
O anúncio foi na coletiva do REF (Relatório de Estabilidade Financeira) referente ao 1º semestre de 2026, que mostrou que apenas 7,6% do valor médio contratado no Crédito do Trabalhador foi usado para reduzir saldos em linhas mais caras. Leia a íntegra (PDF – 13 MB)
O Crédito do Trabalhador é o novo consignado privado, criado pela Lei 15.179 de 2025 para baratear o crédito a trabalhadores formais. Segundo o BC, os recursos foram usados principalmente para assumir novo compromisso financeiro, e não para reorganizar o orçamento.
Eis as medidas que estão em análise:
- alteração do requerimento de capital dos bancos, o FPR (Fator de Ponderação de Risco), para carteiras de cartão de crédito e de empréstimo pessoal sem garantia;
- travas nos aplicativos para evitar a contratação de crédito por impulso, com exigências de capacidade de pagamento das famílias.
DADOS DO CONSIGNADO PRIVADO
De acordo com o REF, o desempenho da modalidade foi:
- 7,6% do valor médio contratado foi destinado a reduzir saldos de linhas de maior custo, como cartão de crédito e crédito pessoal não consignado;
- 14% dos tomadores usaram mais de 80% do montante obtido para quitar débitos anteriores;
- a inadimplência passou a crescer a partir do 5º mês após a concessão e ultrapassou a do crédito pessoal sem garantia.
O BC também apontou dificuldades operacionais no desconto em folha:
- 39% do saldo não pago (R$ 2,4 bilhões) pertence a trabalhadores que mudaram de emprego;
- 19% (R$ 1,1 bilhão) pertence a tomadores que não haviam sido desligados do emprego.
DEVEDORES DE RISCO
O número de devedores em situação de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, segundo o BC. O contingente equivale a 17% dos devedores do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
O total representa alta de 75% ante junho de 2021. O comprometimento de renda individual das famílias atingiu o maior nível da série histórica no 1º semestre de 2026, conforme o relatório.
A pressão é maior sobre trabalhadores com renda de até 2 salários mínimos, que dependem mais de cartão de crédito e de crédito não consignado.
MEDIDAS TOMADAS
A diretoria do BC disse que o aumento da digitalização dos serviços financeiros ampliou a exposição de clientes de menor renda a contratações inadequadas.
Na semana anterior, a autoridade monetária já havia editado 3 normas que proíbem instituições financeiras de fazer ofertas ativas de crédito, sobretudo em canais digitais, a clientes no rotativo do cartão ou em atraso relevante.
O presidente da entidade, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária examinou experiências internacionais para conter modalidades de crédito que crescem de forma “pouco sensível ao preço”.
O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, confirmou que as novas medidas serão anunciadas ainda em 2026.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Gabriel Lopes.
