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Ele passou a vida desmascarando médiuns, levou um soco de um estudante e morreu no Halloween — A história de Houdini, o mágico mais famoso da história

Harry Houdini, considerado o mágico mais famoso do mundo, morreu há 100 anos, no Halloween de 1926. Famoso por desafiar os limites da própria vida, ele realizava feitos extraordinários, como escapar de caixas trancadas e libertar-se de correntes e cadeados. Mas, por trás de suas façanhas, sua morte também é envolta em enigmas.

Segundo um artigo publicado pela editora da Universidade de Yale, o mágico morreu 10 dias depois de levar um soco no estômago. O golpe foi desferido pelo estudante universitário J. Gordon Whitehead, que queria testar a teoria de que Houdini suportava golpes fortes no estômago.

Ele já estava se sentindo mal no dia anterior, e a pancada só piorou a situação, o que causou uma apendicite aguda. Antes de ser operado, no dia 25 de outubro, o cirurgião constatou que o apêndice rompido teria derramado pus bacteriano na cavidade abdominal, uma condição conhecida como peritonite.

Mas a morte do mágico, derivada dessa condição, desperta dúvidas em estudiosos e pesquisadores. Adam Begley, autor do artigo publicado pela Universidade de Yale, afirma que a apendicite é causada por infecção bacteriana, não por um soco no estômago. Quanto à ideia de que o punho de Whitehead possa ter rompido o órgão, a cronologia descarta essa possibilidade: nem mesmo Houdini sobreviveria nove dias com o apêndice rompido.

Na época da morte, o mágico estava envolvido em uma cruzada “antiespiritismo”, em que tentava desmascarar o espiritismo, classificando médiuns como fraude. Espiritualistas enfurecidos haviam profetizado sua morte e, quando ele morreu no Halloween, rapidamente reivindicaram a autoria do crime.

Pacto de comunicação com a esposa

Anos antes de sua morte, Houdini e a esposa, Bess Houdini, fizeram um pacto sobrenatural. Segundo a Biblioteca do Congresso dos EUA, o casal prometeu que quem morresse primeiro tentaria contatar o outro do além. Mas o pacto seria quebrado caso não fosse estabelecido ao longo de 10 anos.

No dia 31 de outubro de 1936, Bess realizou uma última sessão espírita, que foi gravada da sacada do Hotel Knickerbocker, em Hollywood.

Sobre uma mesa, um par de algemas trancadas repousava sobre uma almofada de seda, ao lado de um trompete e um pandeiro. Perto dali, uma plateia de 300 pessoas, selecionadas apenas por convite, se amontoava em uma arquibancada, aguardando para ver se os mortos voltariam à vida.

De acordo com a transcrição feita pela Biblioteca do Congresso, Bess anunciou que havia perdido a esperança, dizendo: “Minha última esperança se foi. Não acredito que Houdini possa voltar para mim ou para qualquer outra pessoa… Agora, acredito firmemente que a comunicação com espíritos, em qualquer forma, é impossível.”

Bess não tentou mais contato com seu falecido marido depois disso e, mais tarde, reconheceu que havia sido um longo período de tentativas, dizendo: “Dez anos é tempo suficiente para esperar por qualquer homem”.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Giovanna Csiszar.

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