Equipe de Lula diz que PMs mandaram presos vestirem camisas do PT
Senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) publicou vídeo de 3 homens sendo detidos; campanha do presidente afirma que episódio foi forjado e aciona Ministério Público
Reprodução/X @DerriteSP – 21.out.2026
PODER360
22.out.2026 (quinta-feira) – 9h51
Priorize o Poder no Google
O PT (Partido dos Trabalhadores) acionou a Procuradoria Geral Eleitoral na 4ª feira (21.out.2026) para investigar um caso envolvendo a Polícia Militar de São Paulo, depois que o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) publicou um vídeo nas redes sociais em que 3 homens presos vestem camisetas de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os detidos está um menor de idade. Eles foram presos por suspeita de tráfico de drogas em uma ação da PM em Piracicaba, no interior de São Paulo.
No vídeo publicado por Derrite, os homens aparecem algemados e vestindo camisetas idênticas, com mensagens de apoio à reeleição do petista.
“Crime não pode ser relativizado. Nós seguimos defendendo leis mais duras, punição de verdade e redução da maioridade penal já!”, declarou Derrite, ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), em seu perfil no X.
Em nota ao Poder360, a campanha do PT disse que a mãe do adolescente detido relatou ter visto os próprios PMs obrigando os 3 homens a vestirem as camisetas depois de já estarem rendidos.
“O objetivo da fraude seria produzir um vídeo falso para inflamar as redes sociais e prejudicar a campanha do PT às vésperas do 2º turno”, diz a declaração da legenda.
O partido também pediu que a Polícia Federal abra um inquérito para apurar fraude eleitoral e abusos que teriam sido cometidos contra o adolescente.
Relatos de agressão
Em entrevista ao site TV TodoDia, de Campinas e Piracicaba, a mãe negou que o filho e os outros 2 detidos estivessem com as camisetas no momento da abordagem. “Eles não estavam com essa camiseta, meu filho estava com uma camiseta preta. Colocaram as 3 blusas iguais. Eu perguntei ao policial por que eles estavam com aquela blusa, o policial respondeu que eles já estavam com aquela blusa, mas não estavam, porque eu não tenho esse tipo de blusa em casa, e não tinha como os 3 estarem com a mesma blusa”, disse ela.
A mãe relatou ainda que os policiais entraram em sua residência durante a abordagem. “Eles desceram com meu filho na escada. O policial estava com meu filho no chão, em cima dele, eu pedindo pra ele sair. Eles levaram meu filho pra outra favela e bateram muito nele.” Ela acrescentou que a filha de 14 anos também levou um golpe de um dos PMs.
Um dos outros 2 suspeitos presos também concedeu entrevista ao site TV TodoDia. “Estava na favela passando, fui pra comprar um cigarro, os policiais me abordaram, começaram a bater em mim, me jogaram junto com eles e deu nisso, que eu tava envolvido junto. Colocaram camisa do Lula. Arrancaram nossas blusas e jogaram fora. Queimaram minha blusa nova”, afirmou.
A deputada estadual reeleita Bebel (PT) afirmou à coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, que na mesma data e na mesma comunidade PMs intimidaram e agrediram mulheres que distribuíam materiais de campanha do PT. Segundo ela, os agentes teriam obrigado as mulheres a entregar as camisetas em apoio a Lula que estavam vestindo. A colunista recebeu um vídeo em que duas mulheres confirmam ter sofrido intimidação e agressão de policiais militares para se desfazerem das peças.
Bebel afirmou que vai acionar a Ouvidoria da Polícia Militar para cobrar apuração e responsabilização dos envolvidos.
OUTRO LADO
O Poder360 procurou a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) para pedir mais informações sobre o episódio. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Ao jornal Folha de S.Paulo, a SSP-SP declarou não “compactuar com desvios de condutas e punir com rigor casos comprovados”. A pasta declarou ainda não ter recebido registros dos fatos relatados na comunidade e orientou que “vítimas podem formalizar em qualquer delegacia ou pela Delegacia Digital, além da Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam devidamente apurados”. A SSP-SP não comentou a acusação de que os agentes obrigaram os suspeitos a usar a camiseta do PT.
Em nota ao Poder360, Guilherme Derrite afirmou que o objetivo da publicação foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas. Disse que a ocorrência reforça a preocupação com o envolvimento de menores em crimes graves e a necessidade de debater a redução da maioridade penal, medida que defende. O senador eleito destacou que a publicação não faz menção às camisetas usadas pelos detidos e declarou que as alegações posteriores devem ser apuradas pelos órgãos competentes.
Eis a íntegra da nota do senador Guilherme Derrite:
“O senador eleito Guilherme Derrite esclarece que o objetivo da publicação foi chamar a atenção para o aliciamento de jovens pelo tráfico de drogas, uma realidade que não se restringe aos grandes centros urbanos e também atinge municípios do interior paulista.
“A ocorrência, que resultou na prisão de dois adultos e na apreensão de um adolescente, reforça a preocupação com o envolvimento de menores de idade em crimes graves e a necessidade de avançar no debate sobre a redução da maioridade penal, medida defendida por Derrite.
“Cabe destacar que a publicação não faz qualquer menção às camisetas utilizadas pelos envolvidos.
“Quanto às alegações apresentadas posteriormente, Derrite defende que os fatos sejam devidamente apurados pelos órgãos competentes.
“O senador eleito reafirma seu compromisso com o enfrentamento ao crime organizado, com a proteção da juventude e com o fortalecimento da legislação penal brasileira.”
o Poder360 integra o
Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · PODER360.
