Mentir para escapar de uma situação constrangedora, esconder um erro ou evitar um conflito é um comportamento que pode aparecer em diferentes momentos da vida. O alerta surge quando inventar ou distorcer histórias se torna recorrente, atravessa diferentes situações e começa a provocar consequências nos relacionamentos, no trabalho ou na rotina.
É nesse contexto que costuma aparecer o termo mitomania, associado à mentira patológica e à chamada pseudologia fantástica. O fenômeno, porém, não deve ser confundido simplesmente com alguém que mente muito. A frequência é apenas um dos aspectos que precisam ser considerados.
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Em que momento a mentira começa a acender um alerta?
Não existe um número de mentiras capaz de determinar que alguém apresenta um comportamento patológico. O que chama atenção é a formação de um padrão persistente e os prejuízos provocados por ele.
Uma revisão sistemática publicada em 2026, que analisou casos de pseudologia fantástica descritos na literatura científica, mostrou que o fenômeno pode aparecer de formas diferentes. Entre as motivações relatadas estavam busca por atenção e autovalorização, mas os pesquisadores destacaram a diversidade dos casos analisados.
Na prática, alguns comportamentos podem chamar atenção quando aparecem repetidamente:
- histórias que ganham novos detalhes ou se tornam cada vez mais elaboradas;
- contradições frequentes entre versões de um mesmo acontecimento;
- invenções envolvendo aspectos relevantes da vida, como trabalho, formação, relacionamentos ou saúde;
- mentiras mantidas mesmo quando não existe uma vantagem evidente;
- continuidade do comportamento apesar de consequências como perda de confiança, conflitos ou problemas profissionais.
Nenhum desses sinais, sozinho, permite afirmar que uma pessoa apresenta mitomania.
O que fazer quando mentir vira um padrão?
Perceber que alguém próximo mente de forma recorrente pode provocar desconfiança e levar a confrontos constantes. Quando esse comportamento começa a afetar relações, trabalho ou outras áreas da vida, porém, a situação pode exigir mais do que simplesmente tentar desmentir cada história.
A avaliação profissional pode ajudar a compreender o que está por trás desse comportamento e se existem outros fatores associados. Por isso, mais do que tentar identificar a mitomania por conta própria, é importante observar a persistência das mentiras e os prejuízos que elas provocam.
Assim, a diferença entre uma mentira ocasional e um comportamento que merece atenção não está em um episódio isolado. É a repetição, somada aos impactos na vida cotidiana e nas relações, que pode indicar a necessidade de olhar para o problema com mais cuidado.
Tópicoshábitospsicologia comportamental
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por alessandrasilva.
