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Ele começou uma maratona em 1912 e só terminou 54 anos depois; como uma desistência virou recorde mundial?

Uma maratona disputada nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, na Suécia, teve um desfecho inesperado mais de cinco décadas depois. O responsável por essa história foi o japonês Shizo Kanakuri, que abandonou a competição antes de cruzar a linha de chegada e só voltou ao local em 1967, quando finalmente concluiu o percurso de maneira simbólica.

Aos 20 anos, Kanakuri integrava a primeira delegação japonesa a participar de uma edição dos Jogos Olímpicos. Sua estreia, porém, foi marcada por dificuldades que começaram antes mesmo da largada. Entre uma viagem desgastante e as condições enfrentadas durante a prova, o corredor acabou protagonizando um dos episódios mais curiosos da história do atletismo.

Por que Shizo Kanakuri abandonou a maratona de 1912?

Para chegar à capital sueca, o atleta enfrentou uma viagem de aproximadamente 18 dias, que incluiu deslocamentos de navio e trem pela Ferrovia Transiberiana. O trajeto exigiu um período de recuperação antes da competição, realizada em 14 de julho de 1912.

Naquele dia, as temperaturas elevadas dificultaram o desempenho dos participantes. O calor intenso provocou desistências e tornou a maratona especialmente desgastante. Entre os corredores que não conseguiram terminar estava Kanakuri, que interrompeu sua participação após percorrer cerca de 30 quilômetros.

Após percorrer cerca de 30 quilômetros, Kanakuri procurou abrigo em uma residência, onde recebeu água e acabou adormecendo. Ao despertar no dia seguinte, retornou ao Japão sem comunicar sua desistência aos organizadores, alimentando relatos sobre seu desaparecimento durante a prova.

A corrida interrompida que entrou para o Guinness

A história ganhou um novo capítulo em 1967, quando uma emissora de televisão sueca convidou Kanakuri a retornar a Estocolmo para concluir simbolicamente a maratona interrompida. Na ocasião, o japonês tinha 75 anos e já havia encerrado sua carreira como atleta.

Em 20 de março daquele ano, ele atravessou a linha de chegada, encerrando uma espera de 54 anos, oito meses e seis dias. O episódio entrou para o Guinness World Records como o maior intervalo de tempo registrado para completar uma maratona.

Apesar do reconhecimento, a marca não corresponde ao tempo efetivamente gasto pelo japonês correndo. O registro considera o período entre a largada de 1912 e a conclusão simbólica em 1967, sem alterar o resultado oficial da competição olímpica.

A desistência em Estocolmo não encerrou a trajetória esportiva de Kanakuri, que voltou a representar o Japão nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, em 1920, terminando a maratona na 16ª posição, e participou da edição de Paris, em 1924. O corredor também contribuiu para a criação da Hakone Ekiden, tradicional prova universitária de revezamento, e ajudou a popularizar as corridas de longa distância no país, ficando conhecido como o “pai da maratona japonesa”.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por alessandrasilva.

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