Os candidatos que fizeram o primeiro dia do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2026 neste domingo (8) se depararam com temas como gestão das terras raras, movimentos sociais e guerra entre Estados Unidos e Irã na prova de ciências humanas.
A CNN Brasil conversou com professores para entender melhor os temas cobrados e os níveis de dificuldade de cada prova. Confira:
Geografia
Para Stephanie Oliveira, professora de Geografia do Elite Rede de Ensino, a prova de geografia estava um pouco mais difícil do que no ano passado.
“A questão ambiental teve bastante destaque, especialmente na discussão sobre os limites da sustentabilidade. Uma das abordagens chamou atenção para o fato de que a própria economia verde, a exemplo da expansão da energia solar, também pode produzir novos impactos ambientais, demonstrando que as alternativas energéticas consideradas sustentáveis não estão isentas de contradições”, disse a professora.
Na parte de atualidades, a prova exigiu que os estudantes estivessem atentos à geopolítica atual. Por exemplo, uma das questões presentou a distribuição das terras raras no planeta, destacando a presença de países emergentes entre os principais detentores desses recursos.
“Os países do Brics apareciam em posição de destaque. A resposta apontava justamente para o fortalecimento do poder de negociação dos países emergentes na gestão dos recursos estratégicos e na geopolítica internacional. Foi, na minha avaliação, a questão mais difícil da prova“, comentou Stephanie.
Outro destaque foi a abordagem da tensão entre Estados Unidos e Irã e a importância estratégica do Estreito de Ormuz.
O professor Altieris Lima, da Escola SEB Lafaiete AZ, explicou que uma das questões trazia um mapa mostrando a rota marítima padrão e uma rota alternativa utilizada por um petroleiro paquistanês. “O interessante é que essa segunda rota se aproximava mais do território iraniano, indicando uma possível autorização especial para a passagem do navio. Isso sugere que Irã e Paquistão provavelmente fizeram um acordo específico para permitir a circulação do petroleiro, mesmo diante do bloqueio provocado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã”, disse.
“A questão, portanto, relacionou a importância econômica dessa rota marítima às negociações entre países em meio a um cenário de conflito“, completou.
História
A prova de história apresentou um nível médio, segundo Camila Feitosa, professora do Elite Rede de Ensino. “Temas clássicos, como a Era Vargas e a Antiguidade Clássica, ficaram de fora desta edição. Por outro lado, o Brasil Colônia marcou presença em várias questões, que abordaram as populações indígenas, o papel do cristianismo e a escravidão“, disse.
Camila também destacou que a figura feminina ganhou destaque, com questões focadas na luta contra a misoginia e na conquista do direito ao voto. “Grupos historicamente marginalizados foram trabalhados, como indígenas, mulheres, negros e ciganos”, contou.
Filosofia e sociologia
Em filosofia, a professora Lígia Albuquerque, do Elite Rede de Ensino, acredita que a prova estava no mesmo padrão de dificuldade dos anos anteriores, priorizando temáticas éticas e políticas.
Um dos destaques foi filosofia antiga, com a virtude aristotélica aparecendo mais uma vez no Enem. “A questão com texto de Hannah Arendt acerca da necessidade de exposição de criminosos políticos conecta com temas mais contemporâneos. E contratualismo foi o tema mais específico, com textos de Hobbes e Rousseau”, contou.
A prova de sociologia foi bastante ampla, com destaque para os movimentos sociais, um tema que era muito esperado, de acordo com Breno Carlos da Silva, professor de Sociologia da Escola SEB Lafaiete AZ.
“Foram abordadas a luta indígena pelos direitos territoriais, a atuação do MST, as conquistas do movimento operário e o movimento feminista no Brasil. Também tivemos questões importantes sobre a inclusão de indígenas nas universidades, a memória da resistência negra, com o Quilombo Tia Eva, e a preservação da identidade coletiva dos povos ciganos. No geral, foi uma prova que deu bastante espaço às questões sociais, raciais e de gênero, com temas muito alinhados às expectativas para o Enem”, concluiu.
1º dia de Enem 2026
Os participantes responderam a 45 questões de ciências humanas e 45 questões de linguagens, além de fazer a redação. Neste ano, o tema foi “A valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal”.
Para professores consultados pela CNN Brasil, a proposta é de dificuldade média e se distanciou da tendência dos últimos anos, que abordou minorias. Além disso, um dos desafios para os candidatos é confundir a “valorização” com “elogio”.
“Valorizar o SUS não significa ignorar seus desafios. Pelo contrário: uma discussão consistente pode reconhecer problemas de financiamento, infraestrutura, gestão ou acesso e, justamente a partir deles, defender mecanismos de fortalecimento do sistema”, afirmou Daniela Toffoli, professora de Redação do Curso Anglo, da Cogna Educação.
Gabarito interativo extraoficial do Enem
Após a aplicação das provas nos dias 8 e 15 de novembro, a CNN Brasil contará com o gabarito extraoficial do Enem disponível no site, recurso disponibilizado com apoio do SAS Educação.
CNN Brasil transmite live com correção da prova em tempo real
Você ainda pode acompanhar na CNN Brasil a correção extraoficial ao vivo nos dois dias de exame. A live será transmitida no canal do YouTube neste domingo (8), a partir das 20h. Professores do Objetivo estarão em nossos estúdios para a resolução das questões, análises e comentários.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por mirellacordeiro.
