InícioBrasilObservamos piora do cenário macroeconômico, diz ex-presidente do BC

Observamos piora do cenário macroeconômico, diz ex-presidente do BC

O Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 13,75%, interrompendo uma sequência de cortes iniciada em março de 2026. A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) foi avaliada por Gustavo Loyola, economista e ex-presidente do BC, que considerou a postura da autarquia correta e bastante cautelosa diante do cenário atual.

Segundo Loyola, o principal fator que levou à interrupção do ciclo de quedas foi a deterioração do ambiente macroeconômico.

“O que houve foi basicamente uma piora das expectativas, uma piora do cenário macroeconômico, principalmente do câmbio, e uma piora das expectativas inflacionárias, já refletida, inclusive, na pesquisa FOCUS”, afirmou. Para ele, a grande maioria dos analistas já antecipava essa decisão.

Risco de desancoragem das expectativas

Loyola destacou que o Banco Central não poderia se arriscar a uma desancoragem ainda maior das expectativas inflacionárias, especialmente em um momento de incerteza sobre a condução da política fiscal.

“Uma fraqueza, ou aquilo que fosse percebido como uma fraqueza do Banco Central, poderia desancorar as expectativas, o que seria muito ruim do ponto de vista da política monetária daqui para frente”, explicou. Ele ressaltou ainda que o cenário é incerto demais para que a instituição sinalize o encerramento definitivo do ciclo de cortes.

Ao ser questionado sobre as perspectivas para 2027, Loyola afirmou que a situação ainda está em aberto. Entre os fatores positivos, mencionou a expectativa de menor nível de atividade econômica, o que poderia gerar espaço para queda de preços, especialmente no setor de serviços.

No entanto, apontou a questão energética e a indefinição sobre a política fiscal como pontos de atenção relevantes.

Política fiscal como nó central

Para Loyola, parte significativa da deterioração das expectativas está relacionada à falta de clareza sobre a condução das contas públicas.

“O calcanhar de Aquiles macroeconômico do Brasil são as contas públicas, e sem um encaminhamento de uma solução para a estabilização da dívida como proporção do PIB, a tendência é as expectativas continuarem muito deterioradas e as taxas de juros não caírem”, afirmou. E

le foi enfático ao dizer que a responsabilidade pela taxa de juros elevada não recai sobre o Banco Central, mas sim sobre o quadro fiscal do país.

Loyola também se posicionou contra uma eventual mudança na meta de inflação, argumentando que tal medida traria mais riscos do que benefícios. “Se com 3% de meta a inflação já está desancorada, uma alta nessa meta pode passar a impressão de que o Banco Central jogou a toalha”, disse.

Para ele, o momento exige medidas que auxiliem a autarquia na tarefa de reduzir a inflação, com foco prioritário na área fiscal.

Cenário externo e crédito doméstico

No campo externo, Loyola avaliou que o aumento de juros em outros países representa um fator negativo para o Brasil no curto prazo, pois eleva a seletividade dos investidores estrangeiros e pressiona as moedas de países emergentes. “No curto prazo, o aumento de juros externo é ruim para o Brasil”, afirmou.

Já em relação ao mercado de crédito doméstico, ele considerou que medidas quantitativas de restrição têm efetividade limitada, dado o peso do crédito direcionado e dos mecanismos informais existentes no país.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por afonsobenites.

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