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Indígenas e quilombolas tomam posse como diplomatas pela 1ª vez

Indígenas e quilombolas tomam posse como diplomatas pela 1ª vez

Turma de 2026 reúne 27 alunos de grupos sub-representados na diplomacia brasileira

Reprodução/Agência Brasil, André Guajajara – 4.nov.2026

Agência Brasil

5.nov.2026 (quinta-feira) – 22h21

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Os indígenas Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena, tomaram posse na 4ª feira (4.nov.2026), no Palácio Itamaraty, em Brasília, como diplomatas. É a 1ª vez na história brasileira que representantes de povos originários entram para o curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores.

Antes de servir, Marcelo e Idjahure vão integrar a turma que se inicia em 2026 e termina em 2028. O curso tem cerca de 60 alunos aprovados no CACD (Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata). Do total, quase metade dos ingressos são de grupos sub-representados na diplomacia brasileira, com 17 pessoas negras, 7 pessoas com deficiência e uma quilombola, além dos 2 indígenas.

O grupo também tem maior participação proporcional feminina da história, com 45% de mulheres.

O concurso que selecionou os novos alunos do Instituto Rio Branco contou com ações afirmativas como uma política estabelecida no Estatuto da Igualdade Racial (2010) e uma reivindicação de anos dos movimentos de defesa dos direitos humanos.

Nesta 5ª feira (5.nov), no evento de posse dos novos diplomatas, a ministra interina das Relações exteriores, Maria Laura da Rocha, destacou a necessidade de o corpo diplomático brasileiro refletir a diversidade do próprio povo.

“Em tempos de ameaças à democracia e aos direitos duramente reconhecidos na Constituição de 1988, celebrar a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas brasileiros nessa instituição bicentenária é um ato de resistência”, afirmou Laura da Rocha. “Ao fazer isso, o Itamaraty reafirma com convicção o papel que esses grupos sociais têm e devem ter na definição da posição do Brasil no mundo”, declarou.

A ministra citou medidas do ministério para promover essa diversidade, como o aumento do Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que passou a apoiar, além de pessoas negras, mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.

O Ministério dos Povos Indígenas, representado pelo ministro Eloy Terena, disse que a posse é a materialização do conceito de “Aldear o Estado”, a partir da inserção de lideranças indígenas em espaços técnicos capazes de influenciar decisões dentro e fora do país.

Olhando para trás, ele lembrou que indígenas que chegam hoje ao Itamaraty, há poucos séculos, sequer eram considerados seres humanos. “É um momento altamente simbólico. Não é apenas um ganho individual ou coletivo, é um ganho de toda a nação e do Estado brasileiro”, disse Terena.

Convidado de honra da cerimônia, intelectual e escritor indígena, trajando a farda da ABL (Academia Brasileira de Letras), Ailton Krenak também celebrou o momento e destacou que a presença das famílias e das crianças indígenas na solenidade rompe com a frieza institucional. “Que mesmo diante das quase impossibilidades, eles sejam capazes de exercitar o verbo esperançar e produzir mundos ricos de sentido”, declarou.

TRAJETÓRIA

Os 2 jovens indígenas que ingressam na carreira diplomática têm destacada trajetória acadêmica e profissional. Marcelo Kariri, natural de Campina Grande (PB), é graduado em engenharia elétrica pela UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) e tem MBA em digital business pela USP/Esalq (Universidade de São Paulo/Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). Atuou de 2021 a 2025 como engenheiro de Suporte a Produtos e é autor de livro infanto-juvenil.

“Havia uma tradição permeando onde minha família morava de que pessoas como nós enlouqueceriam se estudassem e deveriam ficar apenas nos trabalhos braçais”, contou na cerimônia. “Minha mãe viu na educação uma porta para a vida”.

“Estar no Itamaraty é ter consciência de toda essa história pretérita de exclusão e tutela, batalhando por um futuro ancestral e por um novo presente onde a nossa diversidade étnica finalmente integre o Estado”, avaliou. Idjahure é filho do artista Macsuara Kadiwéu, o 1º ator indígena do cinema brasileiro.

De uma população de 203 milhões de pessoas, o Brasil tem 1,2 milhão de indígenas distribuídos em 391 etnias falantes de 295 línguas distintas, além de 114 grupos isolados ou de recente contato. Já a população negra do país totaliza 92,1 milhões de pessoas, das quais 45,3% são pardas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022.

Veja fotos da cerimônia:

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 5 de novembro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360. 

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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Agência Brasil.

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