Câmara do Paraguai aprova impeachment de Santiago Peña
Votação foi mantida mesmo depois de o presidente apresentar a sua renúncia; Peña deixa o posto em um momento de crise bancária no país, com o colapso do Ueno Bank
Reprodução/X @elpulsohn – 5.nov.2026
PODER360
5.nov.2026 (quinta-feira) – 15h58
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A Câmara de Deputados do Paraguai aprovou, nesta 5ª feira (5.nov.2026), o processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña (Partido Colorado, direita), mesmo depois da apresentação de sua renúncia. 78 dos 80 congressistas votaram a favor. Agora o Senado precisa decidir se prossegue com o processo de destituição ou se aceita a renúncia do mandatário.
Por outro lado, a Câmara rejeitou, com 48 votos, o pedido de julgamento político ao vice-presidente da República, Pedro Alliana (Partido Colorado, direita). O caso foi arquivado. Com a saída de Peña, Alliana deve assumir a Presidência do Paraguai.
RENÚNCIA DE PEÑA
Santiago Peña deixa o posto em um momento de crise bancária, com o colapso do Ueno Bank, o maior banco digital do país. A decisão veio depois de congressistas da base do governo e da oposição indicarem que votariam a favor do impeachment.
Em vídeo publicado no X, Peña declarou que decidiu renunciar ao cargo para preservar a estabilidade do país e a paz social, e que “nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai” (leia a íntegra do discurso mais abaixo).
Assista ao vídeo de Peña (2min31s):
ENTENDA A DECISÃO DA CÂMARA
A sessão foi formalmente convocada por 35 legisladores, que protocolaram o libelo acusatório pela Mesa de Entrada da Casa. O documento atribui ao presidente, em 1º lugar, um conflito de interesses por sua participação no Ueno Holding.
O escrito também responsabiliza Peña pela nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financeira Ueno, para a presidência do Banco Central do Paraguai. A escolha foi considerada incompatível com o dever de resguardar o interesse público.
Os congressistas argumentaram também que Peña promoveu modificações na lei de conflitos de interesses.
O documento afirma que o então presidente permitiu que centenas de bilhões de guaranis do IPS (Instituto de Previdência Social) se concentrassem no Ueno Bank, em volumes acima dos limites fixados pela norma vigente.
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