Rogério Marinho justifica fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil
Líder do PL afirmou que senador tomou “decisão difícil” depois de analisar a prisão do pai e ver o irmão “exilado”
Sérgio Lima/Poder360 – 04.out.2026
Rúbia Bragança
de Brasília
4.nov.2026 (quarta-feira) – 14h54
Priorize o Poder no Google
O PL (Partido Liberal) se reuniu nesta 4ª feira (4.nov.2026), às 11h, em Brasília, para discutir a candidatura do partido à Presidência do Senado. Durante o encontro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) anunciou que disputará o comando da Casa, mas afirmou que outros integrantes da sigla também poderão concorrer.
Marinho também homenageou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e justificou sua saída do Brasil com a família para os Estados Unidos, depois de o Supremo Tribunal Federal determinar medidas relacionadas à apreensão de seu passaporte.
Em pronunciamento aos aliados, Marinho afirmou que Flávio tomou uma “decisão difícil” ao deixar o país com a família. O líder da oposição descreveu o senador como “um jovem desprendido”, que abriu mão de uma candidatura praticamente assegurada ao Senado pelo Rio de Janeiro para disputar a Presidência da República.
Segundo Marinho, Flávio recebeu mais de 3.000 ameaças de morte ou agressão física durante a campanha. O senador também afirmou que o filho do ex-presidente foi alvo de uma reação desproporcional da Polícia Federal 7 minutos depois da confirmação do resultado eleitoral, em um processo que classificou como “enviesado”.
Marinho declarou que Flávio levou em consideração a situação do pai, Jair Bolsonaro (PL), que está preso, a condição do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está fora do país, e “a situação do país nos últimos 4 anos” para decidir deixar o Brasil.
A viagem de Flávio aos Estados Unidos ganhou repercussão na 3ª feira (27.out.2026), depois que veículos de comunicação noticiaram sua saída do Brasil. Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio e seus familiares cruzaram a fronteira terrestre na noite de 3ª feira (27.out), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Misiones.
Cerca de 40 minutos depois, embarcaram em um voo privado da empresa Baires Fly S.A., em Puerto Iguazú, com destino a Guayaquil, no Equador. De lá, seguiram para os Estados Unidos.
A viagem foi realizada um dia depois de Flávio ser intimado pela Polícia Federal, na 2ª feira (26.out.2026), a entregar os passaportes no prazo de 24 horas. A determinação partiu do ministro Alexandre de Moraes, do STF, em resposta a um pedido apresentado pela Polícia Federal na noite de domingo (25.out.2026), 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral confirmar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A medida cautelar foi vinculada a investigações que envolvem o advogado Willer Tomaz. Embora Flávio tenha afirmado publicamente nas redes sociais que entregaria os documentos, a determinação não foi cumprida. Os passaportes foram posteriormente cancelados.
Eis a cronologia dos fatos que antecederam a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil:
-
6ª feira (23.out.2026), à tarde: Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defende, em entrevista a um podcast, que o irmão deixe o país caso não vença a eleição presidencial;
-
6ª feira (23.out.2026), à noite: Alexandre de Moraes determina o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens ligados a Willer Tomaz e solicita verificação sobre possível vínculo de Flávio com conta da Alcazar Holdings;
-
domingo (25.out.2026), pela manhã: banco Santander informa ao STF que Flávio não consta entre os usuários cadastrados na conta da empresa de Willer Tomaz;
-
domingo (25.out.2026), às 21h09: TSE confirma matematicamente a vitória de Lula (PT) na disputa presidencial;
-
domingo (25.out.2026), às 21h16: Polícia Federal assina pedido de apreensão dos passaportes de Flávio, 7 minutos depois da confirmação do resultado das urnas;
-
domingo (25.out.2026), à noite: Moraes determina a apreensão dos passaportes, proíbe Flávio de deixar o país e de manter contato com Willer Tomaz;
-
2ª feira (26.out.2026), às 11h: Flávio visita Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília;
-
2ª feira (26.out.2026), no fim da manhã: Polícia Federal intima Flávio a entregar os passaportes em até 24 horas na saída da residência do pai;
-
2ª feira (26.out.2026), à tarde: Flávio publica vídeo nas redes sociais negando intenção de sair do país e afirmando que entregará os documentos à Polícia Federal.
o Poder360 integra o
Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Rúbia Bragança.
