Senado retira redução da maioridade penal da PEC da Segurança
Relator apresentou novo parecer para que as duas emendas tramitem separadamente; texto da PEC foi aprovado em 2 turnos
Carlos Moura/Agência Senado – 3.nov.2026
Isabella Luciano
de Brasília
3.nov.2026 (terça-feira) – 20h03
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O Senado aprovou, nesta 3ª feira (3.nov.2026), requerimentos para que as duas emendas sobre redução da maioridade penal apresentadas à PEC (proposta de emenda à Constituição) da Segurança Pública tramitem como proposições autônomas, separadas da proposta.
A votação se deu por maioria simples, com 38 votos a favor e 36 contra. O relator no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), apresentou um novo parecer, no qual excluiu do texto as emendas e propôs que elas tramitassem separadamente.
PEC É APROVADA
O Senado aprovou a PEC da Segurança Pública em 2º turno. Foram 75 votos favoráveis e nenhum contrário. No 1º turno, a proposta recebeu 73 votos a favor e nenhum contrário. O texto seguirá para promulgação.
A PEC foi usada como pauta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante sua campanha de reeleição para o 4º mandato.
ABSTENÇÃO
Houve apenas uma abstenção na votação dos requerimentos: a do líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ). O senador, no entanto, solicitou a retificação do seu voto e pediu que constasse em ata a sua intenção de votar a favor da redução da maioridade penal na PEC.
O encaminhamento foi definido conforme orientação da Mesa do Senado, anunciada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Com os requerimentos aprovados, o destaque apresentado pela oposição para votar a proposta do senador Rogério Marinho (PL-RN) ficará prejudicado.
A base governista já afirmou que é a favor da redução da maioridade, mas defende que o tema seja tratado separadamente da PEC.
EMENDAS
Foram apresentadas duas emendas que incluíam a redução da maioridade penal na PEC. Ambas ficaram de fora do texto aprovado.
Uma delas, do senador Marinho, pedia a redução da maioridade penal para 16 anos para a maioria dos crimes e para 14 anos para crimes hediondos, como tortura, tráfico de drogas, terrorismo e organização criminosa. A outra, do líder do PT, Camilo Santana (CE), estabelecia redução para 16 anos apenas para crimes hediondos e manutenção dos 18 anos para os demais casos.
A líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), declarou que houve um acordo com o relator do texto na Câmara, Mendonça Filho (PL-PE), para que a questão fosse tratada separadamente. A senadora afirmou que o Palácio do Planalto reconhece a necessidade de discutir a maioridade penal, mas em outro momento.
Teresa Leitão disse ainda que a proposta de Camilo visava a confrontar a PEC de Marinho e que a oposição no Senado retomou o assunto para retardar a análise da proposta.
ENTENDA A PEC
A proposta redefine as atribuições e fortalece a cooperação entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios:
- Susp na Constituição – inclui o Sistema Único de Segurança Pública no texto constitucional para integrar as ações policiais de todas as esferas de governo;
- repasses garantidos – torna obrigatório o repasse de 50% dos recursos do FNSP (Fundo Nacional de Segurança Pública) e do Funpen (Fundo Penitenciário Nacional) aos Estados e ao DF;
- novas atribuições da PRF – amplia a atuação da Polícia Rodoviária Federal para realizar patrulhamento ostensivo em ferrovias e hidrovias federais;
- polícia penal e execução penal – estrutura na Constituição a execução penal e reforça o papel da Polícia Penal no controle de custódias;
- punição a facções – estabelece regras mais severas para integrantes de milícias e organizações criminosas, vedando benefícios como progressão de regime, saída temporária, liberdade provisória e livramento condicional;
- expropriação de bens – determina a apreensão e a perda de bens e valores decorrentes de atividades ilícitas, destinando os dinheiros arrecadados a fundos específicos de segurança.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Isabella Luciano.
