“The Washington Post” fala em “perseguição” a Flávio após fuga
Jornal norte-americano, de propriedade de Jeff Bezos, também disse que “democracia saudável” precisa de perdedores que aceitem perder
Sérgio Lima/Poder360 – 25.out.2026
PODER360
29.out.2026 (quinta-feira) – 18h32
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O jornal norte-americano “The Washington Post” publicou, na 4ª feira (28.out.2026), um editorial em que critica o que chama de “perseguição” à família do candidato derrotado nas eleições, Flávio Bolsonaro (PL).
No texto “When judges become prosecutors” (“Quando juízes se tornam promotores”, em português), a publicação, de propriedade do empresário Jeff Bezos, atrela a fuga de Flávio do Brasil a possíveis excessos do judiciário e o temor de uma prisão iminente.
O conselho editorial argumenta que as investigações criminais contra Flávio, por possível lavagem de dinheiro, podem ser justificadas, mas diz que os poderes acumulados pelo Supremo Tribunal Federal comprometem a credibilidade do sistema jurídico do país.
O Post dedica parte do texto a criticar a atuação do ministro do STF Alexandre de Moraes. O jornal afirma que juízes brasileiros “frequentemente atuam como investigadores, promotores e julgadores”.
Segundo o editorial, Moraes se vale de investigações sobre desinformação e possíveis ataques à democracia para exercer controle sobre contas individuais e plataformas digitais, como o X.
O Post cita ainda a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirma que, por conta de sua trajetória, ele deveria “mais do que ninguém” compreender os perigos de uma Corte discricionária. “Os princípios do devido processo legal que protegeram Lula não perdem a importância quando o acusado se chama Bolsonaro“, afirma.
O jornal conclui que o Brasil realizou eleições competitivas no domingo (25.out) e disse que Flávio “deveria estar se preparando para liderar a oposição, não se instalando no sul da Flórida”.
O editorial conclui citando brevemente a recusa de Flávio em aceitar a vitória de Lula: “Uma democracia saudável precisa de perdedores que aceitem a derrota e de um sistema de justiça no qual possam fazê-lo com segurança”.
ENTENDA
Na 3ª feira (27.out), Flávio Bolsonaro, sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil por se sentirem ameaçados por eventuais decisões de Moraes. O senador é investigado em 2 inquéritos que tramitam no Supremo —todos eles por crimes comuns e não políticos.
Na 2ª feira (26.out), a PF intimou Flávio a entregar seus passaportes, por determinação de Moraes. O pedido da PF a Moraes, que originou a intimação, foi feito 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial. Leia a cronologia aqui.]
Segundo Flávio, a decisão de Moraes foi tomada com base em uma declaração de Eduardo Bolsonaro. O irmão do candidato afirmou que era favorável à saída do senador do país caso ele perdesse a eleição presidencial para Lula.
Depois de chegar aos EUA, Flávio divulgou uma carta em que alega ser “líder do Brasil”. Em uma versão anterior do texto, ele se declarava “verdadeiro presidente eleito” do país, mas recuou uma hora depois e alterou para o novo termo. Lula teve 4,4 milhões de votos a mais que o senador.
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