Nove em cada dez brasileiras, cerca de 90% delas, não conhecem a ‘Lei dos 30 Dias’ que garante a realização de exames como a mamografia em até um mês após a suspeita de câncer de mama. Outras 92% desconhecem a ‘Lei dos 60 Dias’ que assegura o início do tratamento em até dois meses a partir do diagnóstico.
Os dados são do Índice de Conscientização sobre a Saúde das Mamas 2026, divulgado neste mês do Outubro Rosa, pelo Instituto Natura e pela Avon. O levantamento foi realizado com 2.094 mulheres de 18 anos ou mais e identificou problemas de conscientização relacionadas aos sintomas da doença, tratamento e acesso ao SUS (Sistema Único de Saúde).
A análise apontou que 44% das entrevistadas estão nos níveis baixo ou muito baixos de informação sobre a saúde das mamas. Além disso, 94% delas até reconhecem que o câncer de mama tem cura quando detectado precocemente, mas mais da metade diz não se sentir capacitada para ajudar alguém próximo que receba o diagnóstico.
A pesquisa demonstra que mulheres usuárias do sistema privado, de maior nível socioeconômico e mais velhas, têm índices mais altos de conscientização que as usuárias do SUS, mais jovens e de menor renda.
Segundo Mariana Lorencinho, gerente de Políticas Públicas pelo Cuidado com a Saúde das Mamas no Instituto Natura, a falta de informação pode contribuir para que mais mulheres descubram a doença em estágio avançado, quando há menos chance de cura e o tratamento é mais complexo.
Quando reunimos esses dados, tanto os públicos quanto o conhecimento das mulheres, conseguimos entender por que o câncer de mama é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil. Os direitos garantidos pelas políticas públicas, ou por lei só podem ser buscados se as mulheres os conhecerem
O índice aponta ainda que 76% não sabiam que é possível fazer mamografia no SUS em qualquer idade, quando há sintomas ou indicação médica. Entre as mulheres com mais de 40 anos que nunca fizeram o exame, a principal barreira é o médico nunca ter solicitado (23%), seguida por medo (13%) e ausência de sintomas (12%).
Além disso, uma em cada cinco mulheres que já fizeram mamografia não mantém a frequência recomendada. Entre as que vão ao ginecologista uma ou duas vezes por ano, 66% fazem o exame. Já entre as que nunca frequentam consultas de rotina, totalizam 21%.
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Falta de informação influencia no diagnóstico tardio
Segundo o Panorama do Câncer de Mama, ferramenta de dados criada pelo Instituto Natura e pela Avon em parceria com o Observatório da Oncologia da Abrale e o Instituto Protea, 51% das mulheres atendidas no SUS (Sistema Único de Saúde) em 2025 estavam nos estágios 3 ou 4 da doença, em uma escala que vai de 0 a 4.
Olhando ainda para este tema, o índice da Natura identificou confusão das entrevistadas entre “redução de riscos” e “diagnóstico precoce”:
- 72% acreditam, erroneamente, que consultas e exames de rotina reduzem o risco de desenvolver a doença;
- 62% afirmam que o autoexame também reduz os riscos;
- 50% não sabem quais fatores ou hábitos aumentam o risco;
- apenas 39% associam o consumo de álcool e a obesidade ao aumento do risco;
- 6 em cada 10 desconhecem as etapas do tratamento.
Segundo Jaqueline Marconi, coordenadora de Pesquisa e Monitoramento de dados do Instituto Natural, o objetivo das pesquisas são apoiar políticas públicas e campanhas de conscientização.
O Índice foi criado justamente para identificar quais são os gargalos de comunicação e adesão da população em relação ao cuidado com a saúde das mamas e orientar quais são as mensagens prioritárias ao longo de todo o ano.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por yasminjesus.
