Pesquisas não conseguiram captar virada de Lula
Estudos mostravam uma diferença ainda pró-Flávio de 2 pontos percentuais na véspera da eleição; maior comparecimento nas regiões favoráveis ao petista e seu avanço nos maiores colégios eleitorais contribuíram para a virada
Ricardo Stuckert – 24.out.2026
Jonathan Karter
de Brasília
26.out.2026 (segunda-feira) – 9h23
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As pesquisas de intenção de voto durante o 2º turno para presidente não conseguiram captar com clareza a virada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL). Todos os levantamentos das principais empresas chegaram a mostrar um empate numérico entre os 2 candidatos entre os 2 turnos da eleição. Na véspera do pleito, entretanto, a maioria captou uma diferença ainda pró-Flávio de 2 pontos percentuais. O resultado da eleição foi de: Lula 51,79% X Flávio 48,21%.
Os resultados das pesquisas no 2º turno invertem um problema que havia sido captado no 1º turno. Na 1ª votação, de 4 de outubro, poucas empresas conseguiram colocar Flávio Bolsonaro à frente de Lula. No caso do PoderData/Aya, a pesquisa realizada até a 6ª feira (2.out) deu 45% para Lula (que foi exatamente a pontuação do petista), mas só 43% para Flávio (que teve 47% dos votos).
Alguns dados ajudam a explicar a diferença entre as pesquisas e as urnas.
Os levantamentos finais indicavam vantagem numérica de Flávio, mas não captaram a dimensão do crescimento eleitoral de Lula.
O maior comparecimento nas regiões favoráveis ao petista e seu avanço nos maiores colégios eleitorais contribuíram para a virada. Apesar disso, não é possível determinar só com esses resultados quanto da diferença em relação às pesquisas decorreu da mobilização de eleitores, de mudanças de voto ou de outros fatores.
Os levantamentos são retratos das intenções de voto no momento das entrevistas e estão sujeitos a margens de erro. Por isso, a comparação direta com as urnas não significa necessariamente que todos os estudos tenham errado. A comparação entre os 2 turnos evidencia os desafios para medir o comportamento do eleitorado em uma disputa polarizada e com diferenças pequenas entre os candidatos.
O levantamento do Poder360 reúne 33 pesquisas de 11 empresas, realizadas de 30 de setembro a 24 de outubro de 2026.
A comparação considera os votos válidos, que excluem os votos em branco e nulos e os eleitores que não souberam ou não responderam. É esse o critério usado pela Justiça Eleitoral para definir o resultado das eleições.
Quando as empresas não divulgaram os resultados em votos válidos, o Poder360 fez o cálculo proporcional para permitir a comparação direta com o resultado das urnas.
O QUE EXPLICA A VIRADA DE LULA
A vitória de Lula foi impulsionada principalmente pelo crescimento de sua votação em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, além do maior comparecimento às urnas no Nordeste.
Nos 4 Estados, o presidente conquistou 5,5 milhões de votos a mais no 2º turno em relação à votação de 4 de outubro. O maior ganho foi registrado em São Paulo, onde o petista recebeu 2,61 milhões de votos adicionais, seguido por Minas Gerais, com 1,16 milhão.
Flávio, por sua vez, ganhou 2,05 milhões de votos nos mesmos Estados. A diferença de crescimento entre os 2 candidatos foi decisiva para o resultado da eleição.
O crescimento também foi observado na comparação por regiões. Lula ganhou 4,79 milhões de votos no Sudeste e 2,95 milhões no Nordeste. Flávio avançou 1,94 milhão e 397 mil, respectivamente.
Outro fator importante foi o comparecimento às urnas. A abstenção nacional caiu de 21,08% no 1º turno para 19,22% no 2º. Isso significa que 80,78% dos eleitores aptos participaram da votação de domingo (25.out.2026).
Os Estados nordestinos registraram as maiores taxas de participação. O Ceará teve a menor abstenção do país, de 13,89%, seguido por Pernambuco (15,18%) e Paraíba (15,54%). Na comparação com o 2º turno de 2022, a Bahia apresentou a maior redução da abstenção entre as 27 unidades da Federação. O percentual de eleitores ausentes caiu de 20,48% para 16,71%, uma diminuição de 3,77 pontos percentuais.
O Nordeste deu ampla vantagem a Lula, que recebeu 69,37% dos votos válidos na região. A mobilização para reduzir a abstenção havia sido uma das prioridades da campanha petista na reta final da disputa.
O presidente conquistou 10,4 milhões de votos adicionais entre os 2 turnos e conseguiu superar Flávio, que havia terminado a 1ª votação à frente.
ELEIÇÕES 2026
Estavam aptos a votar no pleito deste ano 158,7 milhões de pessoas.
Em 4 de outubro, no 1º turno, foram eleitos 21 governadores, 54 senadores, 513 deputados federais, 1.035 deputados estaduais e 24 deputados distritais.
Já na 2ª rodada de votação, realizada no domingo (25.out), os brasileiros votaram para presidente e para governador em 5 Estados e no Distrito Federal.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: Poder 360 por Poder360 · Jonathan Karter.
