Nascido em Salvador em 19 de outubro de 1922, Alfredo de Freitas Dias Gomes começou a escrever ainda jovem, vencendo um concurso teatral aos 15 anos com a peça “A Comédia dos Moralistas“. Nas décadas seguintes, consolidou sua carreira dramática criando obras renomadas para companhias de teatro e escrevendo a célebre peça “O Pagador de Promessas” em 1959.
A adaptação cinematográfica dessa obra conquistou a prestigiada Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1962, tornando-se um marco divisor de águas no cinema nacional. Paralelamente, o autor trabalhou intensamente no rádio durante os anos 1940 como roteirista, ator, produtor e diretor em diversas emissoras, até ser demitido em 1948 por motivações políticas ligadas à sua militância no Partido Comunista Brasileiro.
A fuga da censura sob pseudônimo e a virada nas telas
Com o endurecimento do regime militar e a promulgação do Ato Institucional Número 5 em 1968, o escritor encontrou graves obstáculos para trabalhar no rádio e no teatro. Para contornar a perseguição política e ingressar na televisão, ele adotou o pseudônimo Stela Calderón e estreou na TV Globo em 1969 com a telenovela “A Ponte dos Suspiros“.
Na sequência, já assinando com o próprio nome em “Verão Vermelho”, o dramaturgo liderou uma renovação estética na teledramaturgia ao lado de sua esposa, Janete Clair. A dupla substituiu os antigos melodramas de capa e espada por tramas naturalistas e urbanas, abordando temas inéditos e cotidianos como desquite, reforma agrária, candomblé e o jogo do bicho.
Pioneirismo em cores e a força do realismo fantástico
Em 1973, o autor escreveu “O Bem Amado”, que entrou para a história como a primeira novela diária em cores no Brasil e a primeira produção nacional exportada como obra finalizada. O sucesso estrondoso do corrupto prefeito Odorico Paraguaçu gerou um seriado derivado que permaneceu no ar por quatro anos a partir de 1980.
Diante das rigorosas proibições da Censura Federal, que vetou integralmente a versão original de “Roque Santeiro” em 1975, o escritor recorreu ao realismo fantástico. Na novela “Saramandaia“, exibida em 1976, ele utilizou metáforas visuais como personagens que voavam ou explodiam de tanto comer para formular críticas sociais e políticas veladas.
Formação de talentos, inovação e legado imortal
Com a reabertura política em 1985, a versão definitiva de “Roque Santeiro” finalmente foi ao ar e consagrou personagens icônicos no imaginário popular. Naquele mesmo ano, o dramaturgo assumiu a coordenação da Casa de Criação Janete Clair, dedicada a desenvolver roteiros e formar novos talentos para renovar a linguagem da televisão.
Nas décadas de 1980 e 1990, assinou minisséries de grande sucesso como “As Noivas de Copacabana” e “Decadência”, além de criar “O Fim do Mundo”, a primeira micronovela da emissora no horário nobre. O imortal da Cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras faleceu em 1999 em um acidente automobilístico em São Paulo, deixando uma contribuição cultural inestimável.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por Jonathan Pereira1.
